Histórias e dicas de mulheres que viajam sozinhas mundo afora

Rodar o mundo sem companhia: para você, a ideia parece desinteressante ou extremamente atraente? Se você já ficou louca para arrumar as malas só de pensar em pegar a estrada sozinha, saiba que não está – mesmo – sozinha: uma em cada quatro mulheres no Brasil já embarcou para algum destino de forma independente. Por que alguém, afinal, iria preferir estar sozinha em um lugar desconhecido?

Aqui, reunimos histórias e dicas de mulheres que adoram esse tipo de experiência.

Leia também
:: Voo solo: cada vez mais mulheres se aventuram a viajar sozinhas

Sara Bodowsky | 40 anos, apresentadora da Rádio Gaúcha, assina o blog Roteiro da Sara

“Uma das melhores sensações da vida é a que toma conta de mim no caminho de casa até o aeroporto. É quando me sinto plena e feliz, ansiosa pelos dias que vêm pela frente. É raro viajar com amigos: meu ritmo não tem ordem, é um caos que um dia pode me deixar jogada em uma praça em Paris e no outro percorrendo três cidades no interior da Polônia. Não costumo fazer planos com muita antecedência. Viajar sozinha é liberdade. É poder estar comigo mesma, é ter mais tempo para observar os detalhes de outra cultura. Sentar em um café, um bar ou um banco e simplesmente ver a vida passar. É conhecer gente diferente, com outras concepções sobre a vida.”

DICAS DA SARA

• ITINERÁRIO: saia de casa já com passagens, reserva em hotéis e algumas dicas dos lugares para onde vai. Mas não deixe o roteiro fechado – o mais bacana de viajar sozinha é deixar a vida acontecer. Muitas vezes o desfecho é surpreendente.
• MODA: adoramos looks diferentes, mas carregar malas sozinhas não é bacana. Organize uma bagagem leve com peças básicas e misture acessórios (lenços, mantas, brincos e colares). Pense que o passeio pode terminar em qualquer lugar da cidade, então escolha uma roupa coringa para dia e noite.


• APPS: gosto muito de andar a pé, uma das melhores maneiras de descobrir um lugar. Hoje, com um mapa no celular, temos a chance de viver experiências incríveis. Um restaurante que não está nas listas, um café especial, uma praça linda. Confira na internet sobre as regiões que podem ser mais perigosas na cidade onde estiver.
• EXPERIMENTE: viva a cidade como uma local. Não tenha pressa. Aproveite que está sozinha para mimetizar os hábitos, a culinária e o ritmo da cidade em que você está. Desafie-se a fazer o que não faz onde mora: vá jantar sozinha, entre numa balada, vá para o balcão de um bar. Escolha peças de teatro ou filmes no cinema e realmente viva sua viagem.
East Side Gallery 2016

Priscila de Martini | 32 anos, editora do caderno Viagem de Zero Hora

“Viajar sozinha não significa estar sozinha. Esse foi o maior aprendizado dos meus oito anos de aventuras solo pelo mundo. A verdade é que, quando estamos com outras pessoas, geralmente nos arriscamos menos a conhecer quem está ao nosso redor. Sozinho, você acaba se abrindo mais ao que vier – e isso vale especialmente para pessoas introspectivas, como eu. Aliás, se você quiser, pode ter uma companhia diferente a cada destino – e a variedade vem sem aquela convivência intensa e a eterna negociação que tende a desgastar uma viagem com outras pessoas (você pode ir aonde quiser e quando quiser, olha que maravilha!)”.

DICAS DA PRISCILA

• HOSPEDAGEM: para quem viaja sozinho, ficar em hostel é uma grande pedida. Nestes lugares, as pessoas (de diferentes faixas etárias, é bom ressaltar) geralmente mostram-se abertas, e muitas também estão desacompanhadas. Se você não quiser dividir quarto, vários hostels também têm acomodações individuais.
• REDES SOCIAIS: uma forma de conhecer pessoas é pelo CouchSurfing, site pelo qual o usuário pode se hospedar de graça na casa de alguém. Se isso não for do seu gosto, é possível usar fóruns na página para encontrar turistas ou moradores que queiram fazer programas como algum passeio ou sair à noite.


• Fotos: registros em imagem são um grande desafio. Ou você pede para desconhecidos fotografarem (e corre o risco de ficar uma droga) ou tira uma selfie (em que pode aparecer mais seu rosto do que qualquer outra coisa). Passei por cima do preconceito e usei um “pau de selfie” na minha última viagem, para a Alemanha. Recomendo com bom senso e moderação.
• DESTINOS: os de praia são os mais desafiadores, logisticamente falando. Isso porque você teria de deixar suas coisas na areia enquanto toma banho de mar. Resolvi essa questão adquirindo uma daquelas bolsinhas à prova d’água para celular. Dentro, colocava smartphone, dinheiro, documento e chave do hotel.

dn010_18 sozinhas

Stéfani Tainá Clavé | 32 anos, empresária

“Quase sempre viajo sozinha. Parece estranho, mas é a forma mais fácil de se fazer novas amizades, pois a gente se obriga a isso. Abre mais a mente e aceita mais as pessoas. Na primeira vez em que me vi sozinha, era muito tímida. Tinha receio de ser simpática ou dar atenção às pessoas, principalmente aos homens, pois não queria ser mal interpretada ou parecer oferecida. Mas a necessidade de compartilhar os momentos que estava vivendo foi maior e me fez abrir a boca e soltar o verbo. Precisava que tirassem fotos minhas. Gostaria de dizer a alguém que eu estava feliz com a paisagem, com o sol, com a temperatura da água. E assim comecei a falar. Puxar assunto, ser agradável e simpática com as pessoas que julgava interessantes. Depois da primeira viagem, senti-me encorajada a pegar avião, ônibus… Fui para Vitória, Vila Velha, Búzios, Arraial do Cabo, Arraial D’Ajuda, Curitiba, Florianópolis, São Paulo, interior do RS. Já tive um contratempo no Peru, pois certa vez fui para uma cidade e saí caminhando, sem prestar atenção no nome das ruas em que estava. Me perdi e entrei em pânico. Depois, aprendi que é importante sempre pegar o cartão do hotel na recepção antes de sair para passear.

Construí amizades sólidas que continuam até hoje. Fiquei surpresa com a receptividade de algumas pessoas. Resolvi meu problema de timidez. Se continuasse viajando sempre acompanhada, não teria dado abertura para iniciar conversas com diversas pessoas. No interior do Rio, sentei em um banco e conheci uma senhora que me emocionou demais com sua história de vida, uma vendedora de picolés que colocou seis filhos na faculdade com seu trabalho. Viajar sozinha me tornou uma pessoa melhor, mais observadora do ser humano. Concluí que gosto muito da minha companhia. Um bom livro e uma mochila são suficientes para me deixar feliz.”

Juçara Martins | 58 anos, policial civil aposentada

“No Aeroporto Salgado Filho, na despedida do marido e dos filhos, me dei conta do que estava fazendo: ia atravessar boa parte do planeta, ia sozinha para lugares completamente desconhecidos, sem falar inglês nem turco e muito menos grego, por mais de 20 dias. Bah, o que eu estou inventando? Brotou medo da espinha, do estômago, rios de lágrimas dos olhos. Os funcionários do embarque me olhavam com piedade. Mas isso foi só no início. Na chegada a Istambul, mesmo com zero comunicação por linguagem, consegui me locomover de táxi e de metrô, fazer tours pela cidade, pedir comida, caminhar por ruas, becos, bazares, museus, palácios. Foi uma viagem fantástica, com lugares de riquezas e culturas incalculáveis. Aprendi que me divirto comigo mesma, que sou uma boa companhia para mim. Tomei consciência da dimensão do quanto posso e de que, se consegui fazer tudo o que fiz, eu posso tudo o que eu quiser fazer. Isso foi um marco na minha vida.

Depois vieram novas experiências em ritmo solo. Barcelona, cidade fantástica, onde me hospedei na casa de uma brasileira que conheci pela internet e que recebe mulheres sozinhas. Roma, a cidade que ficará eternamente no meu coração por sua arquitetura, pela fila de quase três horas no Vaticano com chineses, italianos e russos: todos interagiam independentemente das línguas.
E o Marrocos, 13 dias conhecendo Marrakech com seus jardins e encantadores de serpentes; Ouarzazate, com os sets hollywoodianos; Merzouga, com uma noite em tenda no deserto do Saara com direito a viagem de camelo e tudo; Garganta de Todra, rodando 1,1 mil quilômetros pelas Montanhas Atlas até Fez com sua Medina de 9 mil vielas, a mais antiga do mundo árabe. Aliás, quando entramos no deserto, o guia escolheu uma música e colocou o som bem alto: Michel Teló em árabe.
Também gosto de viajar com meu marido, com a família e com amigos. Mas, se o roteiro a que me proponho é só do meu gosto, vou sozinha. Poucas pessoas curtem passar um dia num museu. E poucas são parceiras para visitar 10 igrejas em um dia! Coisa bem boa sentar em um banco de praça, ver pessoas do mundo todo e ficar imaginando como era aquele lugar centenas de anos atrás.”

Leia também
:: Voo solo: cada vez mais mulheres se aventuram a viajar sozinhas

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna