Jovens desenvolvem aplicativo que mapeia lugares que respeitam a diversidade sexual e de gênero

Um casal de homens vai a um restaurante e no meio do jantar troca alguns beijos. De repente, o garçom pede que se retirem do local porque outros frequentadores se sentiram incomodados. Esta cena pode parecer surreal para alguns, no entanto os relatos existem. Mas um grupo de jovens de Porto Alegre pretende mudar isso com a ajuda de um aplicativo: o Freeda, que avalia estabelecimentos quanto ao tratamento à diversidade sexual e igualdade de gênero. O app está em fase de finalização e deve estar disponível até junho para usuários de iOS e Android.

— O usuário também poderá denunciar situações de violações de direitos no aplicativo. Os locais serão configurados numa espécie de ranking — explica o assistente social Guilherme Ferreira, um dos responsáveis pela criação da ferramenta.

Veja também
:: Sai pra lá, assédio! Aplicativo ajuda mulheres a denunciarem assédio

A ferramenta funciona como um mapa, onde constam estabelecimentos comerciais de todos os tipos e públicos. Quem tiver o app poderá qualificar o local que frequentou através de uma nota e de um comentário sobre como foi o atendimento. O Art. 150 da Lei Orgânica de Porto Alegre prevê pena de multa e/ou suspensão de alvará de funcionamento para estabelecimentos que pratiquem atos discriminatórios a gays, lésbicas, travestis, transexuais, bissexuais em decorrência de sua orientação sexual ou identidade de gênero.

:: “Você acha que seria melhor se estivéssemos mortos?”, pergunta Ellen Page para policial homofóbico brasileiro

A ideia surgiu durante o “Hackathon Gênero e Cidadania”, da Câmara dos Deputados, quando Guilherme se uniu ao jornalista Gabriel Galli, à advogada Patricia Becker, e à desenvolvedora Bárbara Arena para criar algo que fosse voltado para a população LGBT.

(Camila Cunha/Divulgação) Da esquerda para direira:  Bárbara Arena, Guilherme Ferreira, Gabriel Galli e Patricia Becker

(Camila Cunha/Divulgação) Da esquerda para direira: Bárbara Arena, Guilherme Ferreira, Gabriel Galli e Patricia Becker

— Percebemos que não havia dados sobre denúncias de violações de direitos humanos suficientes, para além daquelas do Disque 100 Direitos Humanos. Foi quando resolvemos criar um aplicativo que fosse voltado para essa população que acessa estabelecimentos comerciais — conta Ferreira.

:: 10 frases que um filho ouve dos pais quando conta que é gay

Os jovens se conheciam de outros espaços e eventos relacionados ao ativismo de gênero e sexualidade da Capital e por já terem passado por situações de discriminação e preconceito em estabelecimentos como bares, danceterias e até instituições públicas.

Além disso, aqueles que desejarem qualificar a prestações dos serviços poderão passar por uma qualificação junto do grupo, que disponibiliza um curso sobre o tema para os trabalhadores e gestores. Ao final, o local receberá o selo Espaço de Diversidade.
Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna