Livro narra por meio de viés feminino a história de vida da princesa que aboliu a escravatura no Brasil

Após quase 50 horas de sofrimento, finalmente os médicos conseguiram arrancar do ventre da princesa Isabel um bebê morto, uma menininha, que poderia ter sido herdeira da Coroa brasileira. Naquela madrugada de 28 de julho de 1874, o próprio Dom Pedro II empunhou um fórceps e debruçou-se sobre a filha, em tentativa desastrada de salvar sua sucessão. O esforço foi em vão.

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É por meio de um olhar feminino e sobre temas do universo das mulheres que A História da Princesa Isabel, da jornalista Regina Echeverria, ilumina a trajetória da responsável pela abolição da escravatura no país.

– Isabel sofreu preconceito por ser mulher, casada com um estrangeiro e muito religiosa, uma “carola” – diz a autora.

—Não creio que esta tenha sido uma característica negativa. Foi o que lhe deu sensibilidade para entender o sentimento dos negros.

Casada com Gastão de Orleans, o Conde d’Eu, neto de Luís Filipe I, último rei da França, Isabel demorou muito para engravidar e sofreu com a dificuldade de inserção do marido na sociedade e na política brasileiras.

— Ela era mandona, brava, mas generosa — explica Regina. — Sofreu imensa resistência de intelectuais, políticos, de gente influente na sociedade.

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O livro traz os bastidores da obstinada disputa do conde com o imperador para poder lutar na Guerra do Paraguai (1864-1870), algo que lhe daria prestígio. De fato, Gastão foi enviado ao final do conflito, após a saída de Duque de Caxias, em 1869. Regina Echeverria relata, por meio de cartas, o sofrimento de Isabel com a distância do marido.

Forçada ao exílio com a família real após a proclamação da República, em 1889, Isabel viveria na França até sua morte, em 1921. Por meio de memórias de familiares e pessoas que conheceram a princesa na velhice, como o empresário Assis Chateaubriand, Regina reconstrói os últimos momentos como de grande tristeza para a princesa, que morre sem nunca poder ter voltado ao Brasil.

Trabalhando com pesquisadores contratados, Regina Echeverria consultou obras de historiadores e conferiu parte da vasta correspondência de Isabel, hoje no Museu Imperial de Petrópolis. Um de seus próximos projetos é editar essas cartas em livro, para o qual busca patrocínio. Entre as personalidades brasileiras que Regina já biografou estão nomes como Elis Regina, Mãe Menininha e José Sarney.

A HISTÓRIA DA PRINCESA ISABEL

De Regina Echeverria

Editora Versal, 359 páginas, R$ 49

Marc Ferrez, reprodução

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