Livro provoca você a repensar o quanto pode mudar sua vida nas horas de folga

Foto: Pexels
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Depois de um dia de trabalho, tudo o que a gente quer é se jogar no sofá e assistir à série preferida. Ou ouvir música. Ou ir pedalar no parque. Ou simplesmente não fazer nada. Mas é justamente aí, nessas horas a preencher e nos finais de semana que pode estar a resposta para você fazer grandes realizações. Essa é a proposta de O Poder do Tempo Livre, título recém-lançado por Luciano Braga. Diretor de um estúdio criativo focado em projetos de impacto social, palestrante, autor de duas webcomics e, agora, de dois livros, ele compartilha ensinamentos depois de ter deixado o mercado da publicidade tradicional em nome de projetos que fossem realmente significativos para a sua vida.

Antes desse grande salto, porém, o autor fala sobre outras etapas fundamentais de um projeto paralelo, como se conhecer melhor, encontrar tempo na rotina e lidar com frustrações. Os dizeres da capa resumem o espírito da coisa: “Descubra seu potencial, crie projetos paralelos e torne sua vida mais incrível”.

Confira o papo de Luciano com Donna:

Por que uma pessoa deveria ler O Poder do Tempo Livre no tempo livre dela?
Acredito que as pessoas devam ler meu livro, e não só ele, como muitos outros, como forma de transformar seu tempo livre em um momento útil do seu dia. Não que parar pra ver TV ou ficar navegando no Facebook não seja útil, mas são atividades que agregam muito pouco no longo prazo. Depois de olhar por meia hora o Facebook ou ver uma série, pare para pensar: o que você aprendeu? O que isso te ensinou? Geralmente a resposta é nada. Ficar rolando a timeline ou ver uma série nos diverte, mas não faz a gente evoluir. O que proponho com meu livro é um equilíbrio, que as pessoas percebam que elas podem usar seu tempo livre para evolução pessoal. Seja lendo meu livro, seja estudando algum outro assunto, seja começando um projeto pessoal. Ficamos muito presos à lógica de trabalhar oito horas, dormir oito horas e descansar oito horas, mas, se durante o sono, a gente não consegue evoluir, e no trabalho evoluímos muito pouco porque estamos sempre na correria e atarefados, só nos resta o tempo livre pra irmos atrás daqueles assuntos que nos interessam.

Foto: Reprodução

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Qualquer um tem potencial para tocar um projeto paralelo ao trabalho convencional?
Acredito que todo mundo tem potencial, mas talvez nem todo mundo precise. Tem gente que, com seu emprego normal, já supre sua capacidade de criatividade, paixão, diversão. Eu precisava de algo por fora, por isso segui esse caminho. Quem é como eu, complexo e cheio de sonhos, talvez só um projeto paralelo ajude.

De todos os conselhos do livro, quais são os mais difíceis de seguir?
Deletar os aplicativos do celular e se demitir. Deletar os aplicativos porque todo mundo está tão imerso neles, que desapegar é um ato de muita coragem. É desapegar de saber o que os outros estão fazendo, é como se desconectar do mundo. As pessoas têm medo de serem esquecidas, ficam ansiosas. Coloco essa dica ali porque acho importante, talvez por algum período, que a pessoa foque somente nela para empreender algum projeto pessoal, mas sei que é bem difícil fazer isso. Demitir-se, então, para ter tempo de focar em alguma coisa, é muito mais difícil. Largar a segurança de um emprego pela insegurança de criar algo novo assusta. Como disse no livro, eu fiz isso, mas tinha onde me segurar caso desse algo errado. Para quem tem economias ou uma família para apoiar, talvez seja uma solução interessante.

Especificamente em relação às mulheres, o que você destaca?
O público de todas as palestras e cursos que dou é composto em sua maioria por mulheres. Mas, antes, via mais homens colocando projetos pessoais na rua. Hoje, acho que a coisa virou, vejo muitas mulheres empreendendo. Não sei o motivo. Acho que uma sociedade machista como a nossa oprimia e assustava muito as mulheres (ainda oprime e assusta), e ultimamente isso não tem sido impeditivo para elas. Outra coisa que ajuda é as mulheres gostarem de se encontrar com outras pessoas que estão passando pelos mesmos desafios, enquanto os homens são mais fechados (por isso vejo menos eles em eventos). Quando elas se encontram, aprendem junto, trocam informações, o que é bom para todo mundo.

Foto: Divulgação/Maurício Thomsen

Foto: Divulgação/Maurício Thomsen

E como lidar com a frustração caso um projeto não dê certo? Ao menos de início?
As frustrações vão acontecer, isso é um fato. Cabe a cada pessoa entender esses momentos como checkpoints e como degraus para uma vitória maior: “O que aprendi com isso?”, “O que posso fazer diferente na próxima vez?”, “Por que considero isso um fracasso?”. Desistir quando uma frustração acontece é enxergar esse fato como um muro, uma barreira que te impede de prosseguir. Muros te barram, degraus te alavancam pra cima.

Você acredita naquela máxima “Trabalhe no que gosta e nunca terás que trabalhar um dia na vida”? Isso é factível?
Acho que não é factível para ninguém. Todo trabalho, por mais divertido e apaixonante que seja, tem sua parte chata, tem aquela tarefa que você não gostaria de fazer, mas tem que fazer para que o trabalho continue existindo. Infelizmente existe muita desigualdade no mundo e muitos empregos são chatíssimos e sem sentido, mas eles vão continuar existindo. Fazer algo no tempo livre pode ser uma forma de fazer a pessoa ter mais alegria na sua vida ainda tendo um emprego que não gosta.

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