Mallu Magalhães fala sobre os desafios de educar uma menina: “Aprendo muito mais do que imponho”

Foto: Marcelo Camelo
Foto: Marcelo Camelo

Mallu Magalhães conheceu cedo o que é sucesso. Tinha 15 anos quando saiu do anonimato para se tornar uma das artistas mais promissoras da nova música brasileira. Precisou amadurecer precocemente, casou com um cantor famoso, 15 anos mais velho, teve uma filha, mudou de país.

Aos 25 anos, ela não é mais a menina introspectiva e tímida que a maioria conheceu. Mallu é mulher, mãe, cantora e compositora, com três álbuns lançados e um quarto com a Banda do Mar, parceria com o marido, o músico e fundador dos Los Hermanos Marcelo Camelo, e o amigo do casal Fred Pinto Ferreira.

Mallu é paulistana e há três anos mora em Lisboa, Portugal – mas diz que não passa mais de três meses longe do Brasil. Na quinta-feira, 9, ela fará um show no Bar Opinião, em Porto Alegre. A apresentação faz parte da turnê Vem, iniciada no ano passado.

Em um papo com a Revista Donna, Mallu lembrou o início da carreira, quando estourou na internet, em 2008, e o impacto de tamanha exposição para uma adolescente. Falou também sobre como lida com as redes sociais e os desafios de educar uma menina, Luísa, dois anos e sete meses, em meio a tantas discussões sobre o feminino.

Foto: Marcelo Camelo

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Início da carreira

“Era muito divertido. Não tinha nenhuma expectativa nem pressão. Foi tudo conquistado. Fui capaz de abraçar e segurar as oportunidades que tive. Tinha músicos muito divertidos, fazíamos ensaios de 12 horas, sendo que tocávamos tipo duas. O resto era curtindo no estúdio e na padaria. Mesmo os momentos mais desafiadores ou as lembranças mais tristes, guardo com leveza. Tive ali, aos 18 anos, mais ou menos, uma fase difícil. Mas, fora isso, consegui manter minha integridade emocional e encontrar a reafirmação da minha personalidade através dos meus erros e acertos.”

Superexposição

“Essa foi a parte mais complicada pra mim. Tive uma série de problemas com algumas situações que a exposição criou. Não fui preparada nem criada para ser uma pessoa pública. Por exemplo: lembro que fui dar uma entrevista, e a repórter me perguntou se eu tinha muitos amigos. Lembro de responder alguma coisa tipo: ‘Não, não tantos’, e ela perguntou se eu já tinha sofrido bullying. Disse que sim. Não que eu fosse o grande alvo por 10 anos seguidos ou que não tivesse sensivelmente nenhum amigo, mas tinha, sim, momentos em que me sentia mais sozinha. Minha intenção era passar uma mensagem positiva às crianças e adolescentes que estivessem lendo a entrevista e vivendo algum momento difícil, tentando relativizar e dar esperança. Mas o resultado foi uma matéria amplificando essas perguntas, e muitos colegas ficaram realmente chateados comigo. Ainda bem que recuperei a amizade da maioria deles, mas foi realmente um dos piores, se não o pior, trauma que tive, aos 15 anos. Ser odiado, da noite pro dia, de repente. É duro…”

Redes sociais

“Me sinto superconectada! Tento proteger minha família, proteger a história e os momentos de intimidade da Luísa e do Marcelo. Sinto esse impulso de proteção, talvez por ter sido desgastante e sofrido passar por algum episódio de exposição demais.”

Mãe de menina

“Vejo o mundo mudando muito. E procuro atuar não só para agora, mas para daqui a 10, 20 anos. A educação é uma coisa muito curiosa e desafiadora: não me sinto tão apta a educar ninguém, aprendo muito mais do que imponho. Talvez essa seja minha maior mensagem para Luísa: que estamos aqui para aprender e cuidar um do outro. E ela tem construído sua noção de indivíduo diariamente. De minha parte, tento mostrar o mundo aberto e livre que existe, dar todas as opções de diversão, sem expectativas externas, e lembrá-la sempre de ver o próximo com carinho e respeitar a vida – muito embora isso tudo já pareça bastante natural para ela. Minha filha tem apenas dois anos e meio, mas já praticamos a liberdade, a autoconfiança e a negação de alguns sutis costumes e dizeres que possam ser contraproducentes, claro.”

Vida em Portugal

“Gosto muito mesmo daqui. Viemos no pico da crise europeia, e sentia muito isso por aqui. Mesmo assim, consegui construir muita coisa a nível pessoal e profissional. Há muitas diferenças e semelhanças. É complicado determinar totalmente uma pessoa pelo país que nasceu, falar ‘do português’ ou ‘do brasileiro’. Mas, falando dos portugueses com quem convivo, no meio onde me inseri e do dia a dia que aos poucos organizei, tenho muito prazer em fazer de Portugal um posto de descanso e também de desenvolvimento. Sou imensamente grata pela maneira com que os portugueses me receberam.”

Relação com o Brasil

“Não me sinto de fora. Vou ao Brasil o tempo todo e tenho toda a minha família, uma profissão, amigos… muita coisa. Só não tenho uma casa porque fica caro, mas tenho sempre casas abertas. Raramente, passo mais de três meses sem estar pelo menos 15 dias no Brasil. Me sinto total e inteiramente brasileira. Fui ficando cada vez mais orgulhosa de ter vindo de onde vim e cada vez mais apegada às belezas da nossa cultura. É e sempre será o país de onde vim.”

O SHOW

Mallu traz a Porto Alegre um show no formato voz e violão como parte da turnê “Vem”. A apresentação será no Bar Opinião, na próxima quinta-feira, 9, às 22h. Ingressos entre R$ 100 e R$ 160, à venda na bilheteria e pela internet.

Foto: Marcelo Camelo

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