O tempo e o vinho! Jayme Monjardim entra no universo dos produtores da bebida e retoma a marca Matarazzo

Falar no diretor de cinema e televisão Jayme Monjardim nos remete, imediatamente, aos seus inesquecíveis trabalhos como as novelas Pantanal e O Clone, as minisséries A Casa das Sete Mulheres e Maysa ou filmes como Olga e O Tempo e o Vento. Agora, mais um produto levará a assinatura de excelência do artista das imagens: vinhos. Ele acaba de lançar, em Porto Alegre, o rótulo Villa Matarazzo, o primeiro e exclusivíssimo produto que celebra a entrada de Monjardim no universo dos produtores da bebida e, além disso, simboliza o retorno da marca que é uma das mais antigas e tradicionais do país.

Resultado da parceria entre Monjardim e a enóloga gaúcha Maria Amélia Duarte Flores, o Villa Matarazzo é como uma peça de colecionador. Foram lançadas somente 200 garrafas, das quais pouco menos de 30 ainda estão à venda – por módicos R$ 750 cada. O preço, salgado à primeira vista, justifica-se pela trajetória deste tinto. Fabricado por um pequeno produtor da região do Douro, em Portugal, é um corte de 75% de touriga nacional da safra de 2008 e outros 25% de vinhas velhas, ou seja, vinhos provenientes de várias cepas, cultivadas em vinhedos antigos, na mesma propriedade. Complexo e muito estruturado, o Villa Matarazzo tem 15,5% de graduação alcoólica, estágio de 18 meses em barricas novas e é uma verdadeira explosão de aromas e sabores.

— Conheci o Jayme na divulgação do filme O Tempo e o Vento e tivemos uma amizade instantânea. Ele me contou da vontade que tinha de ter um vinho com seu nome. Isso era setembro de 2013 e ele queria o negócio pronto até o Natal — revela Maria Amélia.

Veja também
:: Winegarden é atração para os amantes do vinho no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves
:: Com o Chile e a França em seu DNA, como o Almaviva tornou-se um dos vinhos mais prestigiados do Novo Mundo

00b19cc7

Como a enóloga já sabia que o produtor português tinha uma pequena partida de um vinho de excepcional qualidade, começou logo os trâmites para a importação, o registro da marca e a rotulagem. No Natal do mesmo ano, Monjardim presenteou os amigos mais próximos com as 50 primeiras garrafas do Villa Matarazzo.

— Sempre gostei de beber bons vinhos, mas era só. Agora, aos poucos, estou me aproximando dessa cultura de viver do vinho. Estou apaixonado por todo esse universo — comenta Monjardim, que esteve em Porto Alegre na semana passada para alguns eventos de lançamento e degustação que ocorreram na loja Vinho e Arte, que revende com exclusividade o Villa Matarazzo.

Ama vinhos? 
:: A gente também! Veja aqui tudo o que publicamos sobre o assunto

Viver do vinho significa que esta é a apenas a primeira edição do rótulo. As próximas ainda não foram concebidas, mas podem vir de produtores da Itália ou Espanha. A qualidade e a exclusividade dos produtos vai determinar a identidade da segunda geração da bebida assinada pelo diretor. Enquanto não bate o martelo sobre a continuidade de sua linhagem de tintos, Monjardim já estrutura a face mais afetiva de seu projeto enológico: o espumante que levará o nome de sua mãe, o Villa Matarazzo Rosé Maysa. As negociações com as vinícolas fabricantes ainda estão em curso e não há data para lançamento, mas já se sabe que, ao contrário dos tintos, o espumante batizado com o nome de uma das mais emblemáticas intérpretes da música brasileira será feito aqui, em território gaúcho.

— Ainda estou pensando como vou definir Maysa em um espumante. E estou fazendo tudo com muito carinho e sem pressa, afinal, não vou colocar o nome da minha mãe em algo que não esteja à altura dela — afirma.

00b19cbf

O lançamento do Villa Matarazzo – e, futuramente, do espumante Maysa – tem um significado especial para Monjardim. Além de inseri-lo de forma nova no universo do vinho, também retoma a história da família Matarazzo, que por meio da indústria alimentícia tornou-se um dos maiores grupos empresariais do país. A ideia é retomar, de forma lenta e elegante, a tradição da marca Matarazzo.

— Nossa família chegou ao Brasil em 1860 e construiu um império, que se desfez nos últimos 50 anos. Minha ideia é resgatar a identidade da marca de forma pequena, claro, mas com excelência e elegância. Quero manter a memória das Indústrias Matarazzo com produtos de altíssima qualidade. E o vinho é o primeiro desses produtos — explica.

:: Outrora masculino, universo do vinho vem sendo invadido por mulheres que amam o que fazem – e o que bebem

Apesar do entusiasmo com a nova atividade, Monjardim garante que não vai trocar de ramo. Vinhos e outros produtos alimentícios continuarão sendo apenas um hobby, um divertimento, que em algum momento podem até crescer, mas de forma lenta e gradual. Já sua relação com o Rio Grande do Sul, esta sim, tende a tornar-se cada vez mais intensa. Além de filmes e séries adaptados de textos de escritores gaúchos, o cineasta cria, já há algum tempo, cavalos da raça crioula na Estância da Figueira, em Camaquã. A fazenda histórica pertenceu a Dona Antônia, irmã de Bento Gonçalves, e abrigou Caetana Gonzales da Silva, esposa do general farroupilha, até sua morte. Desde que adquiriu a propriedade, o diretor dedica-se a preservar a história do local:

— Sou um apaixonado pelo Rio Grande do Sul, mas não só pelas paisagens. Gosto da essência, da cultura e da tradição. Por isso me aproximo cada vez mais deste Estado.

00b19cc3

 

 

* Fotos: Andréa Graiz

Leia mais
Comente

Hot no Donna