Peru muito além do mochilão: por que o país andino nunca esteve tão na moda

(Foto: Jean Pierre Kruze)
(Foto: Jean Pierre Kruze)

Mariana Kalil
Enviada especial, Peru*

Pense no Peru. Agora, confesse: uma das primeiras imagens que vêm à cabeça é a de uma pessoa jovem, seja ela homem ou mulher, de bermuda, camiseta, chapéu de abas largas, bota de escalar montanha e uma mochila nas costas, vai dizer? Você não está sozinho nesta idealização. O estereótipo do turista paramentado e atraído pelas trilhas incas e pela vibe paz e amor, tendo ao fundo a paisagem histórica e deslumbrante de Machu Picchu, dominou o imaginário popular durante bons anos quando o assunto fazia qualquer referência ao país andino. Nada errado com isso, afinal, a antiga cidade dos incas é o símbolo máximo do Peru e seu principal ponto turístico. Mas não é só. As coisas mudaram, e mudaram bastante. Há muito, muito mais história, cultura e sabores para desbravar neste que já é considerado o principal destino da América Latina. O Peru nunca esteve tão na moda.

O país tem uma das cozinhas mais prestigiadas do mundo. Lima recebe anualmente estrangeiros de todos os cantos para a Mistura, maior feira gastronômica do continente. É peruano um dos chefs mais festejados do momento, Gastón Acurio, dono de um conglomerado de 33 restaurantes próprios e franqueados em 12 países e responsável por disseminar o ceviche (peixe cru marinado no limão) para o planeta. O fascínio pela culinária peruana é tanto que agências de viagem perceberam o nicho e já oferecem roteiros turísticos com foco exclusivo nos amantes da boa mesa.

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O governo do Peru sabe o quanto o país tem a oferecer e dedica-se a firmar alianças com empresas aéreas e a montar campanhas estratégicas para fomentar cada vez mais o destino. Tem dado certo. O turismo não para de crescer. De janeiro a maio deste ano, houve um acréscimo de 7% de visitantes latinos, americanos e europeus em relação ao mesmo período do ano passado, contabilizando um 1 milhão e 398 mil pessoas, segundo informou a Donna a ministra de Comércio Exterior e Turismo e presidenta do conselho diretor da PROMPERÚ, Magali Velarde-Álvarez.

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Donna embarcou no roteiro de uma semana por Lima, Cusco, Valle Sagrado, Águas Calientes e Machu Picchu em uma viagem rica em cultura, gastronomia e artesanato – e apresenta nas páginas a seguir todo o encantamento, a história e a grandiosidade deste destino do qual a gente se despede já com vontade de voltar.

A capital Lima

Lima é uma cidade de contrastes, característica que não a deixa indiferente. A mudança de cenário é constante. Existem zonas para todos os gostos. O centro destaca-se pelo porte colonial que lhe conferem as igrejas, as impressionantes sacadas dos casarões de época e o ar republicano de alguns de seus palácios. Banhada pelo Oceano Pacífico, possui 8 milhões de habitantes. A divisão do Peru é curiosa e explica sua evolução. São 25 Estados, conhecidos como regiões. As províncias são as cidades – e as cidades subdividem-se em municípios, que, aqui no Brasil, conhecemos como bairros. A capital Lima conta com 43 municípios (ou bairros).

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(Divulgação)

A cada quatro anos, o país promove eleições para a prefeitura da cidade e para subprefeitos dos seus bairros – e esta é a grande sacada. Porque cada subprefeito de bairro consegue cuidar muito mais de perto do seu chão, conhecendo mais a fundo suas mazelas e gerenciando cada problema com maior mestria e dedicação. A limpeza e a segurança observadas em Lima estão intimamente ligadas a este modelo de administração. Para concorrer à subprefeitura de um bairro, o candidato precisa comprovar ter vivido por pelo menos três anos na região.

Os bairros de San Isidro e Miraflores compõem a área nobre e moderna de Lima. O primeiro caracteriza-se por lindas casas residenciais. Já o cosmopolita Miraflores está cercado de edifícios luxuosos, shopping centers, livrarias, butiques, cinemas e parques repletos de flores, que justificam seu nome. Barranco é a zona boêmia da cidade. Em termos de comparação, Barranco equivaleria à Vila Madalena, em São Paulo, à Lapa, no Rio, e à Cidade Baixa, em Porto Alegre. Ali encontra-se a Ponte dos Suspiros: turista de primeira viagem deve cruzar a ponte sem respirar. Cumprido o feito, tem direito a um pedido. Eu cruzei caminhando até a metade. No final, dei uma corridinha e consegui fazer o meu pedido.

A cidade está construída no segundo maior deserto do mundo depois do Cairo, no Egito. A maioria das casas possuem teto, mas dispensam telhado, já que praticamente não chove. Não chove e também não faz sol. Lima é uma cidade cinza (e um tanto melancólica) praticamente o ano inteiro. O verde que se observa na paisagem é mantido por um avançado sistema de irrigação. Toda água é proveniente da Cordilheira dos Andes. Como Lima situa-se no nível do mar, o surfe é um dos esportes mais praticados.

Cidade de sabores

A cozinha é um dos grandes atrativos de Lima e do Peru. Estandarte da gastronomia na América Latina, a capital peruana tornou-se um importante referencial no âmbito internacional, imersa numa onda de pesquisa e vanguarda que a consolidou mundialmente e hoje conta com restaurantes de todo tipo, como chifas (de fusão chinesa-peruana), cevicherias situadas em locais de design e restaurantes de culinária tradicional peruana com influências mediterrâneas ou japonesas. A oferta é imensa.

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Como senhora absoluta da capital gastronômica da América do Sul, Lima foi escolhida para servir de sede para a primeira escola Le Cordon Bleu no continente. É na capital peruana que trabalham alguns dos chefs que colocaram a cidade no mapa mundial, como Gastón Acurio, o responsável por propagar o ceviche (cubinhos de peixe cru marinados no limão com ají e cebola) para os cinco continentes, além dos tradicionais lomos e batatas. Sentar à mesa de um de seus restaurantes tornou-se roteiro obrigatório. Mas é preciso fazer reserva, de preferência com algumas semanas ou meses de antecedência. O mais badalado é o Astrid & Gastón, que ele abriu em sociedade com a mulher, também chef de cozinha. Outro endereço de Gastón Acurio é a cevicheria La Mar, localizada no bairro Miraflores e sempre cheia de gente naquele clima pós-praia.

Chef Gastón Acurio

Chef Gastón Acurio

Para quem curte uma comidinha mais caseira, a dica é o El Grifo, da chef Jana Escudero, premiada na Mistura, feira gastronômica realizada em Lima. Suas receitas incluem lomo saltado – um dos 400 pratos típicos peruanos, feito de carne de boi cortada em tiras e marinada no vinagre e no shoyu com cebolas e tomates. Outra opção da casa é o medalhão de filé com ervilhas, salsichas e ovo poché coroando o prato. Entre as sobremesas, destacam-se os bombones de Baileys, com texturas diferentes e recheados de avelã e um toque da bebida.

Impossível ir ao Peru e não saborear o famoso pisco. Trata-se de um destilado feito a partir de oito variedades de uvas: quatro aromáticas e quatro puras ou não-aromáticas. A mais utilizada é a uva Itália. O pisco puro possui 43% de álcool, teor maior do que o da tequila e da cachaça. Muitas pessoas confundem pisco e pisco sour. Para entender a diferença, é simples: o pisco é a cachaça, enquanto o pisco sour representa a nossa caipirinha. Aliás, a importância do pisco sour no Peru equivale à da caipirinha no Brasil. O coquetel é preparado com pisco, suco de limão, xarope, gelo, clara de ovo, açúcar e amargo de angostura (mistura de ervas naturais e especiarias).

O famoso Pisco sour

O famoso Pisco sour

A Antigua Taberna Queirolo é um dos lugares típicos para experimentar uma bela variedade de bebidas feitas com pisco, entre elas o Chilcano. Se a ideia é curtir um barzinho de piscos à noite, prepare o paladar para o infinito cardápio de opções do Ayahuasca, localizado em uma mansão do século 19, em Barranco. As lojas e os mercados gastronômicos são corriqueiros em Lima. Destacam-se o mercado de Surquillo, famoso por sua grande variedade de ervas aromáticas, especiarias e verduras, e o Mercado de Produtores de San Isidro, onde se pode encontrar infinitos caprichos de delicatessen. Aliás, saiba que delicatessen e artesanato são o que você mais vai querer trazer do Peru. Considere, inclusive, a ideia de voltar de lá com uma segunda mala.

 Só tem lá

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A Inca Kola é este refrigerante que só existe no Peru. Amarelão, com sabor de chiclete e doce, bem doce. Outra bebida típica é a chicha morada, refresco preparado com milho roxo típico dos Andes fervido com frutas e especiarias.

Tudo é peixe

O êxito deste prato é apresentar ingredientes frescos: peixe, ají, cebola roxa, limão e sal. Também pode ser feito com frutos do mar, camarões ou moluscos como as conhecidas conchas negras e conchas de abanico (vieiras). Uma variação da receita que é muito pedida é o “tiradito”, chamado assim porque o peixe é cortado em lâminas ou tirinhas bem fininhas de peixe e preparado sem cebola.

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Preferido dos brasileiros

Com origem pré-colombiana, a Causa Limeña é o prato preferido da maioria dos brasileiros que visitam o Peru. Seus ingredientes, que formam uma combinação suave de sabores, são purê de batata com limão, ají (espécie de pimenta) e recheios variados, como frango, peixe, miniceviches, legumes e frutos do mar. Uma das versões de sua origem remonta à Guerra do Pacífico, em 1879, quando as mulheres preparavam comida para os soldados e entregavam uma massa de batata cozida com gotas de limão, sal e ají para os soldados indicando que era “pela causa”.

Terra de museus

Obra presente na sala de esculturas eróticas do museu Larco Herrera: os risinhos constrangidos dos visitantes são atração à parte

Obra presente na sala de esculturas eróticas do museu Larco Herrera: os risinhos constrangidos dos visitantes são atração à parte

Lima é uma cidade de museus suntuosos, que guardam o ouro e a prata e os tesouros imateriais das culturas pré-hispânicas. No Centro Histórico há o Museu da Santa Inquisição e o do Banco Central de Reserva. Fora dele, embora muito perto, encontra-se o Museu de Arte de Lima, que percorre três mil anos de história: desde cerâmica Chavín até pintores e escultores da atualidade. E mais além, na área metropolitana, no magnífico cenário do distrito de Pueblo Libre, encontra-se o Museu de Arqueologia, Antropologia e História, que possui peças emblemáticas da arqueologia peruana, como a Estela Raimondi e o Obelisco Tello, obras-primas da antiquíssima cultura Chavín. Outro passeio imperdível é a visita ao Museu Larco Herrera, que ocupa uma mansão vice-reinal construída sobre uma pirâmide do século 7 e especializado na arte précolombiana. Destacam-se suas coleções de ouro e prata e a sala de esculturas eróticas. A quantidade de risinhos constrangidos é um acontecimento à parte nesta sala. O Museu Larco Herrera possui um convidativo restaurante em seu lindo jardim para uma paradinha deliciosa antes de ir embora. É o Café Del Museo, que oferece o melhor da culinária peruana e está aberto apenas no café da manhã e no almoço.

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Valle Sagrado

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Valle Sagrado é o caminho entre Cusco e Machu Picchu – e sua a visão é deslumbrante: verdes que são confundidos com montanhas e um céu de azul profundo decorado com nuvens que mais parecem bolas de algodão. Nas proximidades estão cidadelas ancestrais, sítios arqueológicos e hotéis de luxo, como o Tambo Del Inka, essa maravilha retratada na foto acima. No Valle Sagrado é onde se produz o melhor milho branco do mundo.

O Valle possui duas vias de acesso: a estrada asfaltada Cusco-Pisac (a cerca de 30km da cidade de Cusco) ou a estrada asfaltada  Cusco-Chinchero-Urubamba (a cerca de 72km de Cusco). Ônibus partem a cada hora e também há serviço de trem, mas a maneira mais divertida e agradável de chegar até lá é de carro ou van (você pode até mesmo alugar um táxi em Cusco e pedir que façam o passeio completo). Assim é possível fazer paradas e descobrir os pequenos segredos do caminho. Um deles é Moray, o único sítio arqueológico da região, famoso por seus terraços circulares e um anfiteatro construído numa cratera artificial, que penetra até 150 metros dentro da terra. Segundo os especialistas, foi um centro de pesquisa dedicado à experimentação agrícola que permitia trabalhar com mais de 250 espécies da flora. No Parador de Moray comi um dos bufês mais deliciosos de toda a minha vida.

O Museu Inkariy impressiona e merece a visita. Surgiu da iniciativa de um grupo de artistas e arqueólogos, que decidiram mostrar para o mundo algumas das principais civilizações que tiveram grande influência para a formação do povo atual peruano. Faça essa parada e aproveite para almoçar no restaurante do museu. Outra delícia.

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Mais um pit stop que aconselho é nas Salinas de Maras. Elas são compostas por mais de três mil salinas e têm mais de dois milênios de existência. Foram criadas depois de tanto tempo, o local continua sendo fonte de renda para muitas famílias que vivem na região e retiram o sal para venda, utilizando técnicas antigas. Do alto da estrada sinuosa que desce até as salinas, o visual das piscinas de sal impressiona – e o comércio local oferece saquinhos de sal dos mais variados tamanhos e utilidades, para ser usado na comida e até no combate a doenças reumáticas.  Cuidado! Não se empolgue, ou voltará com excesso bagagem por conta de tanto
saquinho de sal na mala (como eu).

Paracas de Linhas de Nasca

Poucas horas ao sul de Lima, distante 250km, encontra-se a localidade de Paracas, região com uma sofisticada proposta de hospedagem. Cadeias de hotéis luxuosos disponibilizam tratamento cinco estrelas aos hóspedes. Dois se destacam: Hotel Paracas – Luxury Collection Resort e Hilton Paracas. O nome Paracas significa “chuva de areia”. Uma parte da cidade apresenta muito, muito vento, que começa a ser sentido a partir do meio da tarde. Ali, o anticiclone do Pacífico não chega e, justamente por isso, diferentemente de Lima, em Paracas há predominância de sol, razão pela qual construtoras investem em condomínios horizontais
para o veraneio de peruanos e estrangeiros.

Paracas possui uma das maiores reservas marinhas, com mais de 200 tipos de aves e uma grande variedade de espécies aquáticas, que merecem o passeio de barco até as Ilhas Ballestras. Outro passeio que vem ganhando notoriedade são as Linhas de Nasca. Sobre um extenso deserto que alcança 50 quilômetros, permanece quase intacto um conjunto de imensas linhas nada fáceis de observar no nível do chão, mas perfeitamente visíveis de avião – daí o sobrevoo que tem como partida e chegada o aeroporto de Pisco, com uma hora e meia de duração. As linhas descrevem complexos desenhos que se assemelham às formas de mamíferos ou insetos, alguns deles de quase 300 metros de comprimento.

As Linhas de Nasca foram criadas 300 anos antes da era cristã por um conglomerado de homens cuja cultura recebe o mesmo nome e denominadas assim desde que foram descobertas, em 1927. Existem muitas teorias que surgiram em torno destas misteriosas gravuras – desde a que sugere que foram construídas como pistas de aterrissagem ara seres extraterrestres até a que vê nas linhas um gigantesco sismógrafo. O mais provável é que, conforme indicou María Reiche, pesquisadora alemã que dedicou sua vida inteira ao estudo das linhas, se trate de um monu

mental calendário astronômico cujas figuras marcavam os distintos períodos ou fases solares. Se der vontade de fazer o passeio de avião, que tem capacidade para 12 pessoas, saiba que: 1) você poderá enjoar; 2) o avião faz inclinações para proporcionar uma visão melhor dos desenhos; 3) um Dramin é sempre bem-vindo (e mesmo assim pode ser que você precise do saquinho para náusea localizado no bolsão a sua frente).

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Cusco, império cosmopolita dos sentidos

A cidade de Cusco é intensa em todos os aspectos. Distante 1,2 mil quilômetros de Lima, o destino, antes conhecido apenas por seus sítios arqueológicos, aproveitou sua magia e seu encanto para se tornar um império cosmopolita. Oferece muito mais que ruínas e templos, igrejas e museus, artesanato e mercados. Pouco a pouco, a cidade – parada obrigatória para quem vai a Machu Picchu – modificou-se para oferecer um vasto leque de hotéis de luxo, como o Belmond Hotel Monasterio, clubes noturnos, restaurantes gourmet, design e vida cultural animada.

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A exemplo de Lima, é grande e muito rica a oferta gastronômica da cidade. O sabor é definido por receitas que incorporam ingredientes locais. O restaurante Cicciolina, por exemplo, deslumbra o paladar com seu nhoque de batata amarela, piqueniques organizados para pequenos grupos de viajantes e cafés da manhã gourmet. O chef Gastón Acurio está presente na cidade com o seu Chicha. Cusco apresenta ainda lugares dedicados à cozinha internacional, que explora sabores asiáticos, europeus e do Oriente Médio, assim como delicadas pastelarias e circuitos de comida orgânica. Há o La Divina Comedia, que mistura comida francesa e ópera, e La Cosa Nostra, para quem é fã da culinária italiana, além da celebrada comida de rua, que aposta em sanduíches do Oriente Médio, pizzas de forno a lenha, feitas com queijos locais, e as humitas e milho do vale – oferecidos pelas feirantes.

O pão celebridade

Visitar Cusco e não provar o pão Chuta é um pecado. Para entrar de corpo e alma neste clima, a dica é conhecer o distrito de Oropesa, onde, a partir da meia-noite, dedicados padeiros amassam estas grandes peças circulares para assá-las de manhã. O resultado? Pães crocantes por fora e macios por dentro.

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Mal de atitude

Cuzco situa-se 3,4 mil metros acima do nível do mar, o que provoca o chamado Soroche, também conhecido como Mal de Altitude.
Ele é causado por conta da oxigenação reduzida no sangue e pode manifestar-se por meio de sintomas como dor de cabeça, fadiga, náusea, tontura, falta de ar e coração acelerado. Uma das dicas mais propagadas para amenizar o mal-estar é tomar o famoso chá de coca ou mastigar suas folhas, beber bastante água e evitar alimentos pesados.

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Moda com atitude

Claudia Canessa é um dos nomes que despontam no universo da moda de Cuzco. Sua marca é a Petra Design, que tem o diferencial de ajustar cada peça ao corpo da cliente. Outra estilista criativa que apostou na cidade é Eibhlin Cassidy, uma irlandesa que abriu a loja Hilo, localizada em San Blas, com peças originais feitas sob medida, como esta da foto. Mais uma opção interessante no bairro de San Blas é a proposta de Norma Peña, premiada estilista peruana que abriu sua loja no espaço onde funciona o restaurante Macondo. Ela utiliza lã de ovelha em seu estado natural.

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Machu Picchu

Quanto mais cedo sobe-se a Machu Picchu, menos muvuca e hordas de excursões (que começam a chegar por volta de 10h) e maior a chance de contemplar com paz e tranquilidade esta que é considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo. Portanto, se a ideia é realmente seguir a dica à risca, hospede-se em um dos hotéis de Águas Calientes, também chamada de Machu Picchu Village. Trata-se de um pequeno vilarejo construído basicamente para abrigar os turistas que pretendem visitar Machu Picchu – e aonde chega-se de ônibus ou de trem. Há hospedagem para todos os gostos e bolsos – e a infraestrutura da cidade é bem simples. Eu fiz a viagem em trem de Cusco a Águas Calientes, dormi no hotel InkaTerra e, na manhã do dia seguinte, por volta de 7h, peguei o micro-ônibus no centro da cidade até a porta de entrada de Machu Picchu. O percurso leva 20 minutos por uma
estrada sinuosa – e é o preferido da maioria dos turistas.

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A Peru Rail, que faz o trajeto de ida e volta de Cusco a Águas Calientes oferece três tipos de trem, cada um com seus benefícios e preços diferenciados – do mais luxuoso ao mais econômico. A categoria intermediária é a mais procurada e a de melhor custo-benefício. Custa em torno de US$ 90. É quase um trem de vidro, com amplos janelões e teto panorâmico, o que permite literalmente viajar na paisagem, que é deslumbrante. A categoria superluxo é um desbunde, assim como o preço da passagem: US$ 475. Este trem contabiliza diversos prêmios e é o preferido das celebridades que visitam Machu Picchu. Além do espaço para as refeições, tem um vagão observatório para apreciar a paisagem e inclui almoço ou jantar com uma seleção especial de vinhos, além do transporte de Águas Calientes para Machu Picchu e as entradas do parque.

6 perguntas que todo mundo faz

1. QUAL A MELHOR ÉPOCA PARA VIAJAR A MACHU PICCHU?

Durante o inverno, de maio a setembro, quando as temperaturas são mais amenas e não chove tanto. Os melhores meses são junho e julho. A semana recomendada é a do dia 24 de junho, quando acontece em Cusco a festa de Inti Raymi. A temporada de chuvas começa em outubro. Os meses em que mais chove são dezembro, janeiro, fevereiro e março.

2. PRECISO PERCORRER A TRILHA INCA PARA CHEGAR A MACHU PICCHU?

Não. A maioria dos turistas vai a Machu Picchu da forma tradicional. Ou seja, embarcam no trem de Cusco até o povoado de Águas
Calientes em uma agradável viagem de trem que leva 3h30min. De Águas Calientes, embarcam num micro-ônibus até Machu Picchu. O percurso demora cerca de 25 minutos. A Trilha Inca é indicada somente para aqueles que estão em boa forma física, dispostos a longas caminhadas e a acampar pelo menos três dias nas montanhas (sem banho).

3. É PERMITIDO ACAMPAR?

Nem pensar. Por se tratar de uma área de preservação, o parque é fechado às 17h30min e não permite a permanência de ninguém dentro da cidadela, exceto das lhamas que habitam o local.

4. EXISTE LIMITE DE VISITANTES?

Sim. Pode receber até 2,5 mil pessoas por dia. Para a Trilha Inca, são permitidos apenas 500 viajantes.

5. PRECISO COMPRAR O TÍQUETE DE TREM E A ENTRADA PARA MACHU PICCHU COM ANTECEDÊNCIA?

Sim, principalmente se for viajar na alta temporada, de maio a setembro, é preciso comprar tudo com antecedência.

6. EM UM DIA DÁ TEMPO DE CONHECER TUDO?

Até dá, mas, se a ideia é percorrer calmamente todos os templos e passar um longo tempo admirando a paisagem, o ideal são
dois dias. Machu Picchu possui muitas construções. Só de escadas são mais de 100. Caso volte no dia seguinte, saiba que será necessário pagar uma nova taxa.

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Dica de roteiro para ir ao mundo Inca

MUNDO INCA
Duração: 11 dias, 10 noites
Valor: a partir de US$ 2.088 por pessoa em apartamento duplo,
em até 10x sem juros.
Inclui: 10 noites de hospedagem com café da manhã (Lima, Paracas, Nasca, Arequipa, Puno e Cusco), traslado de chegada e saída em todas as cidades do roteiro, passeio panorâmico pelas cidades, trecho de trem Cusco – Águas Calientes – Cusco, tour no Valle Sagrado, Parque Arqueológico Sacsayhuaman e Lago Titicaca. Passeio de barco nas ilhas Balestras, sobrevoo sobre as Linhas de Nasca. Bilhete de ônibus nos trechos Lima – Paracas – Nasca – Arequipa – Puno – Cusco.

* Informações e reservas pelo site www. cvc.com.br/lojas. O preços do pacote inclui apenas a parte terrestre. A Avianca realiza voos diretos para Lima com partida do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.

A jornalista viajou a convite de CVC e PROMPERÚ*

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