Retratos Sonoros: Daryan Dornelles reúne fotos de músicos como Chico Buarque e Ivete Sangalo em livro

Ele nem queria ser fotógrafo. Queria mesmo era jogar futebol ou ser músico. Mas foram os retratos que revelaram a verdadeira vocação do carioca Daryan Dornelles, 43 anos, especializado nisso mesmo: retratar gente. Mas não qualquer gente. Os maiores nomes da MPB e da cultura pop brasileira já passaram pelas lentes do fotógrafo nos 18 anos de carreira, que ele compilou em um livro, lançado recentemente. Retratos Sonoros mostra, por meio da genialidade do retratista, nuances que permaneciam ocultas em rostos que todo mundo já conhece.

Nas 192 lindas e marcantes páginas do livro, Daryan visita momentos distintos de sua vida e traz de volta as fotos que mais marcaram sua trajetória por trás das lentes. De Chico Buarque a Dominguinhos, de Pitty a Jardes Macalé, de Ivete Sangalo a Yamandú Costa, o cara frequentou todos os mundos da música e clicou todos os estilos, cada um com sua história.

Foi desembarcando no Chile, para um campeonato de natação, que Daryan descobriu o ofício que pratica. Atrasado para competir, ele pediu ao técnico que o deixasse, então, fotografar o campeonato e o restante da equipe do Vasco, clube pelo qual nadava.

— Eu nunca tinha feito fotos na vida, nem pensava em fazer, mas deu certo. Comecei então a estudar e a me dedicar. E virou minha profissão.

Veja algumas das personalidades retratadas por Daryan

Se a fotografia nunca fez parte das preferências de Daryan, o mesmo não se pode dizer da música e do futebol. Aficcionado e feliz proprietário de uma senhora coleção de oito mil discos de vinil, ele conhece, pesquisa e consome MPB como parte de sua vida cotidiana desde os 14 anos. O futebol, assim como os discos, é uma paixão antiga. Já como fotógrafo freelancer, foi trabalhar na revista Placar, publicação especializada em futebol. Por lá, fazia a cobertura de alguns jogos, mas o foco principal de seu trabalho eram os retratos – arte pela qual se interessou imediatamente. Quando se deu conta de que poderia unir a técnica do retrato aos protagonistas da música brasileira de que tanto gostava, descobriu a profissão perfeita.

— Passei a procurar músicos para fotografar. Era uma maneira de fazer contato com os caras que eu curtia e também de fazer um trabalho bacana. Ao mesmo tempo, comecei a ser procurado para fazer retratos para revistas e capas de disco.

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Assim, no correr da rotina, Daryan foi reunindo as histórias e retratos que agora integram o seu livro, que além das fotos, relata também os bastidores da produção das imagens. A foto da cantora Mart’nália, que ilustra a capa de Donna, é um exemplo das histórias curiosas que estão por trás das produções.

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— Fiz essas fotos para a capa de uma revista que acabou não saindo. Daí guardei o material por algum tempo. Quando entrei em contato com o empresário dela para pedir a autorização para usar a foto no livro, fiquei sabendo que ela procurou por muito tempo o cara que tinha feito aquelas imagens. Ela queria usar na capa do disco. Mas, como não me achou, a capa foi outra. Doido, né?

Doido como devem ser a música, a literatura e a fotografia.

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Retratos Sonoros
De Daryan Dornelles
Editora Sonora
192 páginas
R$ 140 (em média)

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