Sarau Elétrico comemora 15 anos no bar Ocidente

Claudia Tajes, Especial

Foi inspirada por uma leitura em público da obra de Caio Fernando Abreu, isso em 1999, que a radialista Katia Suman resolveu: queria repetir todas as semanas aquele encontro de boa literatura à luz de velas. Mais analógico, impossível. Alguns meses depois, já na companhia para lá de ilustrada do professor Luís Augusto Fischer e com a parceria pop do cantor e compositor Frank Jorge, o Sarau Elétrico estreava no bar Ocidente. Para nunca mais sair de cartaz. A fórmula, que segue a mesma, previa ainda um convidado para ler e falar sobre o tema da noite. Desde então, a rotatividade de nomes é tão alta quanto a de assuntos. Em uma terça, Kafka. Na outra, Drummond. Dali a pouco, Culpa. Mais adiante, Sexo – sempre com uma canja musical encerrando a função. Difícil algum escritor, jornalista, artista, cantor, compositor ou qualquer vivente ligado à cultura que não tenha feito ao menos uma participação no Sarau.

Em quinze anos o Sarau Elétrico viu surgirem concorrentes e passou por transformações. O professor Cláudio Moreno, responsável pela Coluna Grega, se juntou à turma no ano 2000. Frank saiu em 2007 para cuidar de projetos pessoais. No lugar dele entrou Claudia Tajes, que atualmente se alterna no banquinho com o poeta Diego Grando. Mexida à vista: no final de julho, Fischer parte com a família para uma temporada de estudos de um ano em Paris – com a garantia de que reassume o posto na metade de 2015.

O grupo planeja lançar, ainda em 2014, um livro com as crônicas do Sarau Elétrico. E credita ao público de Porto Alegre boa parte da resistência do projeto. Katia:

– Onde mais, senão aqui, alguém sairia de casa para ouvir quatro pessoas lendo Borges? É mais que plateia, é uma torcida.

Nesta terça-feira, 15 de julho, mais um capítulo se encerra, mais um capítulo começa. Juntos, ao vivo e cada vez mais vivos. Aos 15 anos, é esse o espírito do Sarau Elétrico.
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Luís Augusto Fischer

Sem exagero: minha vida não seria a mesma sem o Sarau Elétrico. Não teria experimentado a força da literatura ao vivo, compartilhada, na companhia dessas figuras queridas que são a Kátia, a Claudia, o Moreno e também o Frank Jorge. Nas terças à noite, há já 15 anos, saio bem disposto para viver um par de horas em estado de discreta alegria. Sei que vou ler coisa boa, ouvir coisa boa, ver gente querendo ouvir. (…) Sou muito feliz de fazer parte dessa história, já adolescente nos anos de vida, madura no conteúdo e sempre irrequieta como uma criança saudável.

Katia Suman

O Sarau Elétrico é pura alegria. Toda terça – no auge da friaca invernal ou em plena temporada do bafão porto-alegrense – lá estamos nós no Ocidente. Gosto das coisas que duram. Gosto de pensar que seguimos na contracorrente dessa lógica de mercado em que tudo é feito pra ser logo descartado (…). O Sarau, pra mim, é o avesso disso tudo. Luz de velas, tempo, leitura, tempo, silêncio, riso, leitura, poesia, conversa, leitura, tempo, prosa, romance, música, aplausos. Não temos pressa, não somos um sucesso retumbante. Nenhum espalhafato. Zero marketing. Adoro o Sarau Elétrico.

Claudia Tajes

Nunca saí do Sarau sem aprender muita coisa nova e me divertir com as poucas que já sabia. Se alguma vez cheguei deprê, voltei para casa leve. No Sarau conheci três dos meus mais caros amigos, a Katia, o Fischer e o Moreno. Encontrei novos autores, novos livros, novos companheiros, novos leitores, novos parceiros e até novos amores (ou quase), tudo à meia luz do Ocidente. Dizendo assim, parece muito. Mas é mais.

Cláudio Moreno

Só uma coisa me faz sair de casa todas as terças à noite, mesmo com frio, chuva ou granizo, para me dirigir ao Ocidente: a certeza de que vou me divertir. Um bom Sarau é aquele em que todos nós – o Fischer, a Katia, a Claudinha e eu – temos a oportunidade de rir uns com os outros, usufruindo de um diversão intelectual de alta qualidade. Em geral, quando estamos nos divertindo, o público também está – e não conheço outro lugar onde eu possa compartilhar, com tanta alegria e tanto prazer, o que há de mais interessante na arte e na literatura. 

 
Foto: Cynthia Vanzella, Divulgação

 

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