Sem pé na Big Apple! Carioca Lídia Santos lança livro que revela lado inusitado de Nova York

Ubiratan Brasil*

A carioca Lidia V. Santos já vivia 12 anos nos Estados Unidos quando se mudou, em 2012, de Connecticut para Nova York. Durante todo aquele período, ensinara na Universidade de Yale. Mas foi só chegar à nova cidade que Lidia sofreu um incidente que, de certa maneira, mudou sua vida: uma torção de tornozelo em plena Park Avenue, em Manhattan, deixou-a com os movimentos limitados. A solução foi seguir o conselho da médica e utilizar uma patinete na locomoção. E, assim, Lídia descobriu uma nova cidade.

A experiência, ela relata em Diários da Patinete: Sem um Pé em Nova Iorque, livro com belas ilustrações de Bruno Liberati lançado pela Texto Território. Por sua riqueza de conteúdo, a obra pode tanto ser classificada como autoficção como autoajuda.

—Eu busco mostrar como os nova-iorquinos são irônicos consigo mesmos e também ofereço um guia fora do padrão de pontos pouco conhecidos para os turistas brasileiros — conta a autora.

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Ela mostra, por exemplo, a pista para caminhadas que surgiu à margem do rio Hudson, depois da revitalização da área da High Line, linha elevada de trens que carregavam carga até os navios ancorados no porto.

—Trata-se, na verdade, de um falso diário, pois é direcionado a um tipo de leitor. Um tipo de prosa que inventei para escrever como na verdade falo — diz Lídia, que, embora se debruce há vários anos em um romance, sempre esteve mais habituada à escrita acadêmica.

A patinete a que se refere o título é, na verdade, um “knee walker“, ou “andador de joelho”, e tem sido indicado por alguns fisioterapeutas como alternativa às tradicionais muletas. Em sua narrativa, Lidia a apelidou de Suzete, que se torna sua companheira de aventuras, desde a frustrada ida a um restaurante búlgaro até ser obrigada a entrar em determinados estabelecimentos pela porta da cozinha. Em seu período com a patinete, Lidia registra também momentos importantes, como o encontro com a atriz Judith Malina (1926-2015), cofundadora do Living Theatre, grupo que veio ao Brasil em 1970 e cujos integrantes foram presos pela ditadura militar, acusados de porte de maconha – as autoridades suspeitavam de uma performance com caráter de protesto, em Ouro Preto (MG). A detenção provocou reações de personalidades como John Lennon, Jean-Paul Sartre e Susan Sontag.

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— Ela ficou emocionada ao descobrir que sou brasileira. Disse que nosso país foi muito importante em sua carreira. Pena que Judith não conseguiu ver meu livro ficar pronto — relembra Lídia.

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DIÁRIOS DA PATINETE: SEM UM PÉ EM NOVA IORQUE
De Lidia V. Santos
Editora Texto Território, 155 páginas, R$ 45

* Estadão Conteúdo

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