The Fools: projeto propõe imersão em inglês durante fim de semana em Novo Hamburgo

Texto Rejane Martins
Fotos Arthur Michaelsen

Viajar é sem dúvida uma das melhores maneiras para praticar e destravar uma língua estrangeira. Porém, a combinação de tempo, dinheiro e disponibilidade nem sempre permite a realização dessa experiência. O projeto The Fools English Immersion é uma proposta inusitada que mantém o prazer de falar inglês sem medo e de forma bem acessível. O pacote que inclui hospedagem, alimentação e uma saudável experiência de convívio tem um custo incomparavelmente menor do que qualquer viagem ao Exterior. E pasmem: bem ao lado de Porto Alegre.

Na experiência The Fools, em apenas 48 horas, a vida muda. A relação com a língua inglesa é totalmente outra tanto para níveis avançados quanto para os iniciantes, sejam eles mais desenvoltos, mais tímidos ou mais travados. A convivência e as atividades cativam, descontraem, emocionam e fazem a linguagem fluir. Quando se vê, até os sonhos já são em inglês.

Histórias não faltam, como a de um grupo de novos amigos que resolveu comprar um vinho para acompanhar o jantar. Um deles lasca para o atendente: “Hello! May I have a bottle of wine?”. Perfeito, não fosse o fato de estarem fora da imersão, em um armazém na Lomba Grande, em Novo Hamburgo.

Essa e outras situações servem para exemplificar a naturalidade com que os participantes são envolvidos. Desde a chegada, um simples “Hi, how are you?” acompanhado de um sorriso sincero parece produzir o mágico efeito de nos fazer responder em inglês, com a maior espontaneidade: “Fine, and you?”.

00a388f1Sitting on a tree: os cinco Fools, da esquerda para a direita – Marcos, Lourenço, Milena, Diego e Leo

Nada de pensar que meu sotaque é isso, minha pronúncia é aquilo. A pessoa sai falando sem medo, sem autopoliciamento. Simples assim. E está dada a largada para um fim de semana imerso em práticas com pessoas que você nunca viu antes e que ao final do evento estarão ocupando um capítulo indelével em sua memória. Não é à toa que 100% dos que já passaram por lá classificam o The Fools como uma experiência inesquecível.

Surpresa é condição fundamental. As atividades são sempre interativas e se realizam em meio à natureza, no Sítio Pé na Terra, em Novo Hamburgo. A ideia foi articulada há pouco mais de dois anos por cinco jovens que, ainda adolescentes, rodaram o mundo em busca de algum sentido para a vida. Eles encontraram no sítio o abrigo ideal para construir e consolidar uma proposta diferente de aprendizado da língua inglesa.

Espaço cooperativo e pioneiro na produção e distribuição de alimentos orgânicos (frutas, pães e laticínios), o Pé na Terra foi fundado há 25 anos, tempo que é maior do que a média de idade de Milena Escarrone (23), Lourenço Rosa (23), Marcos Langhans (23) e os irmãos Leonardo, o Leo (28), e Diego Alano (25), o quinteto que forma o grupo The Fools. Hoje, os cinco são responsáveis pelo local, que é sede da imersão e ainda abriga cursos, visitação ecológica, produção de hortaliças orgânicas, cooperativa de produtos orgânicos e uma marcenaria chamada Mão na Tábua.

Responsável pela coordenação geral do The Fools, Leo Alano aprendeu o inglês básico na escola. Mas ele se solidificou mesmo em um intercâmbio para o Alasca quando tinha 16 anos. Mais tarde, estudou, trabalhou e se formou em cinema pela Universidade de Westminster.

00a38915Fundado há 25 anos e sede da imersão The Fools, o Pé na Terra é um espaço cooperativo e pioneiro na produção e distribuição de alimentos orgânicos

– O outro passo no meu aprendizado foi a experiência na Inglaterra, onde a necessidade no trabalho e no estudo me ajudou no desenvolvimento da língua nos aspectos culturais, pronúncia, texto etc. Creio eu que são os dois fatores mais importantes em qualquer aprendizado, o interesse e a necessidade – conclui.

Além do apoio de alguns residentes no sítio e na vizinhança que têm domínio do inglês e vivência no Exterior, os Fools contam também com a participação de estrangeiros de várias latitudes. África do Sul, Finlândia, França, Inglaterra, Alemanha, Colômbia, Holanda, Espanha, Moçambique, Tailândia, Chile, Estados Unidos, Hong Kong, Portugal, Canadá, Suíça, México e Sri Lanka são alguns exemplos. A exigência é a mesma para todos: falar inglês.

– Queremos sempre ter atividades que estão fora da rotina da maioria das pessoas. Atividades que integrem os participantes e que gerem assunto e conversa. Elas são sempre definidas em reuniões criativas nas quais utilizamos o que está disponível no local e a experiência das pessoas (estrangeiras ou brasileiras) ao nosso redor – explica Leo.

– As avaliações do programa têm ficado com uma nota média entre 9,8 e 10, e isso é imensamente gratificante, mas queremos continuar a constante melhora da qualidade da imersão em itens como atividades, acomodação e alimentação – destaca Milena.

Aliás, se depender de feedback, The Fools é unanimidade nada burra. Ainda assim, os organizadores não caem na armadilha da avaliação megapositiva de quem já participou. Longe de iludirem-se com o sucesso, eles sabem que o aprimoramento é constante.

– No início, os participantes realizavam todas as atividades juntos. Mas logo vimos que as pessoas têm gostos muito diferentes. Alguns adoram desenho, outros detestam, alguns adoram uma trilha ao topo de uma montanha, outros preferem algo mais calmo. E há ainda os diferentes interesses em diferentes partes do dia. Então, a estrutura com três atividades simultâneas ficou melhor. Assim, quem participa pode escolher o que mais lhe interessa, seja uma atividade técnica, física, artística, cultural ou sensorial – diz Milena.

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Técnica em Química, amante da ecologia, das viagens e do viver, Milena se diz cativada por sorrisos e uma boa música. Com viagens frequentes desde seus 16 anos de idade, pela África do Sul, Nova Zelândia e Europa, ela aprendeu a se “soltar”.

– Meu sotaque envolve os países por onde passei, e ter o The Fools recorrente só melhora meu vocabulário – afirma ela, que, entre outras funções, é a responsável pela comunicação visual e pela produção do The Fools. É Milena também quem organiza atividades, materiais, cronograma e hotelaria.

O alojamento durante o encontro resgata o espírito dos albergues internacionais. São quartos compartilhados para grupos divididos entre ala feminina e ala masculina e algumas unidades privativas. As refeições são coletivas, com cardápio elaborado com muitos produtos cultivados ali mesmo no Sítio Pé na Terra, e incluem café da manhã, almoço, lanchinhos e jantar.

– No The Fools, a alimentação também é uma experiência nova. Buscamos apresentar uma alimentação saudável e natural, com um menu que varia de acordo com a estação, frutas, legumes e verduras da época. Estabelecemos uma base nutricional, que já foi um pouco mais “radical” sem fornecer carne alguma, mas com o passar do tempo começamos a servir peixe em algumas de nossas refeições – comenta Diego, um estudioso das ciências humanas e agricultor experimental, que responde pela gastronomia da imersão.

– Aos 16 anos, coloquei o pé na estrada (ou a bunda na poltrona do avião) e fui ao mundo. Morei um ano em Perth, na Austrália, onde concluí o ensino médio e desenvolvi a língua inglesa por completo. Lá, perdi o medo de falar inglês e estruturei a parte gramatical da língua. Em Londres, fiquei dois anos, aprimorei meu vocabulário e trabalhei gerenciando um café no Fashion and Textile Museum. Vivi ainda seis meses em Barcelona, trabalhando em restaurantes e falando mais inglês do que espanhol, pela quantidade de estrangeiros que passam por lá. Por fim, voltei ao Brasil e dei aulas de inglês em Florianópolis, Porto Alegre e São Leopoldo até realizar o The Fools – resume Diego.

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No comando da cozinha, Déborah Abend dá o toque caseiro e sempre surpreende os participantes com sabores novos e deliciosos. Suas receitas são aprovadas pelos próprios Fools.

– Raramente alguém se dá conta de que passou o fim de semana inteiro sem comer carne. E, quando percebe, acha ainda melhor – brinca Lourenço Rosa, que nasceu e viveu no sítio até os oito anos, saiu para estudar e voltou já com 21 para a criação do The Fools.

Seu primeiro contato com o inglês foi por meio da música, e ela está presente em muitas das atividades que Lourenço ministra nas imersões, seja como surpresa em um jantar ou em uma festa ao redor de uma fogueira. Lourenço auxilia ainda nas atividades de carpintaria básica e marcenaria. Massagens mágicas também constam no rol de talentos.

Filho de pai norte-americano, Marcos Langhans teve o inglês em casa desde sempre. Viajou por diversas paragens e foi trabalhando oito meses em um navio que se acostumou ao inglês com diversos sotaques. As aulas voluntárias na Horta Comunitária em Novo Hamburgo serviram para que ele pudesse ensinar a língua inglesa da melhor maneira que pudesse inventar.

– No The Fools fico sempre com atividades outside, como bike ride (passeios de bicicleta) e bonfire party (festas à beira da fogueira), trabalhando bastante a conexão com as coisas simples da vida e que muitos esquecem – explica.

Apesar da divisão de responsabilidades, os Fools atuam sempre em conjunto e com um fôlego incansável para deixar todos confortáveis. Os cinco são unânimes em afirmar que o mais bacana é ver a diferença em cada um dos participantes, entre sexta-feira e domingo. O inglês torna-se mais fluido e desenvolto, e as interações mais relaxadas e confiantes. No domingo, fica um espírito de amizade, de várias experiências vividas juntas. Quem sai de lá, o faz totalmente envolvido por tudo o que os Fools aprenderam e – thank, God! – ensinam a viver.

O que é ser um Fool?

• “Fool é bobo ou tolo em português, portanto ser um fool para mim é prezar o riso, é não levar tudo muito a sério, é perder a rigidez e o medo de errar. Vejo sempre que a rigidez e o medo de errar são os principais obstáculos no aprendizado de uma língua.”
Leo Alano

• “É a possibilidade de criar uma ‘Oh my God! situation’ a si mesmo e aos futuros Fools.”
Lourenço Rosa

• “Fool é aquele que vive a vida sem medo, buscando a diversão em todos os atos. É aquele que sabe se divertir mesmo na seriedade.”
Diego Alano

• “Ser um Fool é cooperar, motivar, enfrentar e se divertir!”
Marcos Langhans

• “Ser um Fool é ser quem tu és sem medo. Viver na liberdade e no riso – principalmente no riso!”
Milena Escarrone

Agende-se

Para participar da imersão, basta ter mais de 16 anos, estar estudando ou ter interesse em praticar o inglês. Grupos de escolas de idiomas podem agendar imersões extras em datas previamente fechadas. O valor fica em torno de R$ 500, dependendo do alojamento.

Próximas imersões

• 26, 27 e 28 de setembro
• 17, 18 e 19 de outubro
• 07, 08 e 09 de Novembro
• 12, 13 e 14 de dezembro
:: The Fools
• (51) 3596 1103
• we@thefools.com.br
• Rua Carlos Arthur Scherer, 2085
• Lomba Grande/NH – RS

 

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