Turismo de luxo: Donna faz um tour por hotéis e restaurantes cinco estrelas em Paris e Amsterdã

O Hotel de L'Europe, um símbolo de Amsterdã | Foto: Hotel de L'Europe/ LHW, divulgação
O Hotel de L'Europe, um símbolo de Amsterdã | Foto: Hotel de L'Europe/ LHW, divulgação

Por André Baibich, especial*

Nosso repórter viajou de executiva, frequentou hotéis exclusivos e desfrutou dos melhores restaurantes de Paris e Amsterdã

Paris

Saio da van Mercedes que veio do aeroporto e respiro o ar frio de Paris. Estou na Avenue Hoche, próximo à Champs-Elysées. Os fumantes que me acompanham pedem um tempo para um cigarro antes de entrar no suntuoso prédio do hotel Royal Monceau, o primeiro que conheceremos em uma viagem de luxo de cinco dias por Paris e Amsterdã. O objetivo: visitar alguns dos hotéis classe A das duas capitais europeias e provar das melhores comidas e bebidas que seus restaurantes podem oferecer.

Enquanto espero, uma Ferrari vermelha se aproxima com dois homens a bordo. Eles param em frente ao hotel, deixam o carro ligado, com o motor roncando como só uma Ferrari pode fazer, e entram no Royal Monceau, não sem antes entregar a chave a um funcionário do hotel, que trata de estacionar aquela máquina. Eu, um apaixonado por viagens acostumado a albergues ou aluguéis de apartamentos baratos, a sanduíches na rua e passagens no supermercado para depois cozinhar em casa, me convenço de que estou prestes a conhecer outro mundo.

É verdade que a viagem a Paris já deu alguma dica do que me esperava. Habituado a noites insones em busca da melhor posição nos assentos de classe econômica, me esbaldei na executiva da Air France, a segunda melhor da Europa e a nona do mundo, segundo o World Airline Awards 2016. Com uma taça de champanhe logo ao entrar no avião, matei a sede após correr para pegar a conexão apertada em Guarulhos. Como os voos Porto Alegre-São Paulo e São Paulo-Paris eram de companhias parceiras, não precisei pegar a bagagem e despachar novamente na capital paulista. Facilitou para que eu chegasse a tempo no portão.

Foto: Hotel Lancaster/ LHW, divulgação

Junto à Champs-Elysèes, Hotel Lancaster dá a sensação de que voltamos no tempo| Foto: Hotel Lancaster/ LHW, divulgação

Logo, veio o cardápio do jantar em três etapas – entrada, prato e sobremesa – com vinho à vontade. Nada de malabarismos para cortar a carne com talheres de plástico, correndo o risco de acertar uma cotovelada no passageiro ao lado. Aqui, a carne macia é destrinchada com faca de metal, e a mandíbula dos parceiros de viagem está a salvo. Terminada a comilança, transformo minha poltrona em cama no tocar de um botão. Deito e só acordo com o café da manhã, pouco antes do pouso.

Descansado, entro no Royal Monceau para almoçar no restaurante japonês Matsuhisa, do renomado chef Nobu. O garçom coloca uma caixa preta na minha frente. Ela tem dois andares, cada um dividido em três partes, com pequenas porções de diferentes pratos. Legumes cozidos e bem temperados, bacalhau selado, um combinado de sushis, sashimis de atum com folhas verdes e a sensação de que a experiência vai me estragar para todo restaurante japonês em que eu me aventurar no futuro. Depois, um tour pelas dependências do hotel, aberto em 1928 e renovado em 2010 com projetos do designer Phillipe Stark, que deu toques contemporâneos aos longos corredores acarpetados. Há até uma sala de cinema disponível para os hóspedes. Nada mais impressionante, porém, do que a ideia de Stark para simbolizar o encontro das duas eras do hotel. Ele reuniu todos os lustres que ornavam o velho prédio no mesmo lugar, pendurando-os sobre uma escadaria e cercando-os de espelhos. A impressão é de que há milhares de lustres.

O próximo hotel do roteiro é o Lancaster, junto à Champs-Elysèes, onde passaremos a noite. Logo na fachada, vê-se que a proposta é bem diferente. O pequeno prédio de seis andares é clássico. A sensação de que voltamos no tempo, latente antes de entrar no hotel, ganha força na suíte mais icônica. Foi aqui que a atriz e cantora alemã Marlene Dietrich morou por três anos, na década de 1930. O quarto, todo com móveis, tapetes e cortinas em tons de púrpura, a cor preferida de Marlene, é o mais luxuoso. A funcionária que nos guia pelas dependências explica que a atriz ocupava mais dois quartos: um deles apenas para roupas e sapatos.

Foto: Hotel Lancaster/ LHW, divulgação

A suíte Marlene Dietrich, no Hotel Lancaster, onde a atriz alemã morou nos anos 1930 Foto: Hotel Lancaster/ LHW, divulgação

O restaurante é um capítulo à parte: o Table du Lancaster tem duas estrelas Michelin. O hotel reservou uma sala separada ao jantar dos jornalistas visitantes e os brindou com deliciosos salmonetes com risoto de erva-doce. Nada melhor do que a sobremesa, um tiramisu com pedaços de laranja acompanhado de sorbet de café. Tive de caminhar pela madrugada parisiense para ajudar na digestão de tanta comida. Que sofrimento.

O terceiro e último hotel em Paris é o Le Bristol, de design tão clássico quanto o Lancaster, mas com amplos corredores e salões que remetem ao Royal Monceau e por onde passeiam dois gatos que viraram mascotes de funcionários e hóspedes: Faraó e Cleópatra. Minha boca ainda saliva ao lembrar do peixe sobre uma cama de espinafre que é prato principal de mais uma longa refeição.

A piscina climatizada também é destaque, com janelões para o céu parisiense. O ponto alto, porém, é a suíte lua de mel, com diária de 10 mil euros, apresentada em um passeio pelo prédio.

É um apartamento. Fiquei com a impressão de que há espaço suficiente para duas pessoas morarem só no banheiro. Do terraço da suíte, de onde se vê a Torre Eiffel e a cúpula do Grand Palais em meio aos icônicos telhados de Paris, despeço-me da Cidade Luz.

Foto: Hotel Lancaster/ LHW, divulgação

A sala de cinema do Hotel Royal Monceau | Foto: Hotel Lancaster/ LHW, divulgação

Amsterdã

Tenho um conselho para quem um dia entrar no hotel Conservatorium, em Amsterdã. Cuide para não tropeçar nos móveis.

A reação natural ao passar a porta giratória da entrada do hotel é olhar para cima, ignorando o que está à frente. É que os quartos estão todos nas extremidades do hotel, deixando a parte central do prédio com um pé direito gigantesco – o “teto” da área que inclui a recepção e um dos restaurantes está em cima do último andar. O local é todo aberto e envidraçado. Difícil não ficar boquiaberto.

Fora a suntuosidade da área comum, o Conservatorium tem um jeitão despojado. A funcionária que me leva até o quarto dispensa formalidades, brinca com a dificuldade de se achar em meio aos botões que fazem de tudo – abrem cortinas, regulam a intensidade das luzes – e me desafia a encontrar 10 coisas que ela esqueceu de mostrar.

Também pudera. O quarto não é tão grande quanto a suíte gigantesca do Bristol, mas não perde por muito. É um dúplex com design moderno.

No topo, Tunes Bar, especializado em gim-tônica | Foto: Conservatorium/ LHW, divulgação

No topo, Tunes Bar, especializado em gim-tônica | Foto: Conservatorium/ LHW, divulgação

O banheiro no andar de baixo impressiona. Tem até televisão para assistir de dentro da banheira.
No tour guiado por um dos funcionários, conhecemos a suíte principal. Discrição é a ordem aqui. A celebridade que não quer saber dos paparazzi pode entrar com o carro na garagem e, dali, pegar o elevador, em que coloca o cartão da suíte que o programa a não parar nos outros andares. Há, também, uma porta lateral no quarto, quase escondida, que pode servir para a entrada de prestadores de serviços, como cabeleireiros e camareiras.

Depois de mais um jantar espetacular, somos convidados a nos dirigir ao Tunes Bar, conhecido pelo gim-tônica – no cardápio, há 40 rótulos diferentes do destilado. Volto ao quarto com alguma dificuldade e ainda tenho de vencer uma escada para chegar ao mezanino do dúplex, onde está a cama. Tem de haver, afinal, alguma desvantagem em se hospedar em um quarto tão grande.

Se o Conservatorium conquista logo na entrada, o hotel de L’Europe, segundo destino em Amsterdã, já provoca um “uau” do lado de fora. O prédio clássico é um símbolo de Amsterdã, cravado no centro da cidade e junto ao Rio Amstel.

Dentro, os quartos têm sempre uma cor predominante, que está nos papéis de parede, móveis e cortinas. Combina com a reprodução de um quadro famoso – cada quarto tem um. O meu era todo azul-claro. Ao fundo, os janelões com vista para o Amstel.

O Hotel de L'Europe, um símbolo de Amsterdã | Foto: Hotel de L'Europe/ LHW, divulgação

O Hotel de L’Europe, um símbolo de Amsterdã | Foto: Hotel de L’Europe/ LHW, divulgação

Antes de mais uma refeição que exigiu um passeio noturno para digerir, somos mimados com ostras cruas e champanhe. Na adega, o bem-humorado sommelier Dannis Apeldoorn detalha seu metódico processo de seleção dos vinhos. Ao ser questionado sobre o rótulo mais caro do hotel, pegou uma caixa de madeira com a inscrição Romanée Conti e a colocou nas mãos de uma das jornalistas do grupo.
– Você está segurando 20 mil euros – disse.

Talvez os mais prováveis candidatos a pedir a garrafa sejam os sheiks árabes que costumam ocupar a suíte mais luxuosa do De L’Europe. Há opção de reservar, também, os apartamentos vizinhos, interligando-os ao espaço principal para acomodar família e funcionários. Assim, o apartamento pode ficar com até seis quartos.

A última ceia foi no hotel Okura, parte de uma rede japonesa que tem, em Amsterdã, seu único empreendimento na Europa. Destaque para a vista da cidade, do 23º andar, onde há um bar e um restaurante. Viemos, comemos, bebemos e estávamos prontos para voltar com wi-fi a bordo.

O fim da viagem foi luxuoso como o início, no chamado Dreamliner, novo modelo 787 da Boeing. Um dos exemplares da companhia holandesa KLM faz o trajeto Amsterdã-Rio de Janeiro, com conexão de internet disponível. O voo diurno não me impediu de aproveitar os últimos momentos de fartura: às 10h (7h de Brasília), já estava de champanhe na mão, com o dedo no botão pronto para reclinar a poltrona e descansar daqueles dias tão difíceis – assim que terminasse a taça, claro.

No dia seguinte, já no Brasil, ainda tentava entender por que já passava da hora do almoço e ninguém havia me oferecido uma baguete quente, um pouco de caviar ou um gole de um bom vinho.

*O jornalista viajou a convite de Gol, KLM-Air France,
The Leading Hotels of the World e Sulamérica Seguros.

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