Voo solo: cada vez mais mulheres se aventuram a viajar sozinhas

Reunimos relatos de quem adora a experiência e damos dicas para quem pretende se jogar no mundo por conta própria

Arquivo pessoal
Arquivo pessoal

Rodar o mundo sem companhia: para você, a ideia parece desinteressante ou extremamente atraente? Se você já ficou louca para arrumar as malas só de pensar em pegar a estrada sozinha, saiba que não está – mesmo – sozinha: uma em cada quatro mulheres no Brasil já embarcou para algum destino de forma independente. É o que mostra uma pesquisa do site de turismo TripAdvisor com quase 10 mil mulheres de todo o mundo. E mais: todas as viajantes da modalidade “solo” declararam que planejam repetir a experiência. Um levantamento da plataforma Airbnb também atestou que as brasileiras estão em segundo lugar no Top 5 de mulheres que mais fazem turismo por conta própria – só perdem para as japonesas no ranking.

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Por que alguém, afinal, iria preferir estar sozinha em um lugar desconhecido? Diversos motivos: ter a liberdade de mudar o itinerário quando bem desejar, guiar os passeios e a agenda sem depender de ninguém ou, ainda, ganhar autoconfiança estão entre as vantagens observadas pelas fãs da prática.

– Experimentar a sensação de montar o roteiro exatamente como você quer é incrível. E o melhor ainda é estar na “atração” escolhida e, se acaso encher o saco, é só dar meia-volta e fazer outra coisa. Ninguém incomoda ou questiona – resume a enóloga e sommèliere Juliana Rossatto (foto abaixo), 28 anos, de Bento Gonçalves, quando ganhou um prêmio para ir à Europa sozinha.

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“Sabe aquela frase, ‘a arte de viver bem consigo mesmo’? Penso que só somos boas companhia de viagem, de vida, de trabalho, de amor, quando somos tudo isso para nós mesmos.” Juliana Rossatto, enóloga

A independência e a liberdade são, mesmo, os aspectos mais citados quando se trata do assunto.

– Você se sente mais independente, pode estabelecer seu próprio ritmo de viagem e fazer programas de acordo com o que tem de dinheiro disponível, por exemplo. E, ao estar sozinha, resolvi também a timidez. Hoje sou tão comunicativa que preciso até me conter um pouco – brinca a empresária Stéfani Clavé, 32 anos, de Porto Alegre.

O hábito de partir para destinos sem companhia começou por acaso, em 2007, quando ela e uma amiga viajaram juntas a Porto Seguro e cada uma tinha seu estilo próprio de curtir as férias: enquanto uma queria aproveitar a noite e dormir até tarde, outra só pensava em desbravar a cidade de dia e descansar cedo. Combinou-se, então, que seguiriam seus desejos de forma separada. Introvertida, Stéfani descobriu que conseguia se virar e fazer novas amizades. De lá para cá, visitou diferentes cidades do Brasil. Ida e volta, por sua conta.

Stéfani em Arequipa, no Peru

Stéfani em Arequipa, no Peru

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O mesmo ocorreu com a policial civil aposentada Juçara Martins, 58 anos. A primeira passagem aérea sem o marido na poltrona ao lado foi comprada em 2010 para um destino diferente do que estava habituada a conhecer. Passaria 27 dias entre Istambul, Turquia e Grécia para, no retorno ao Brasil, ser acompanhante de uma amiga com problemas de saúde. Ao embarcar para a aventura, já na fila do detector de metais, começou a chorar intensamente e cogitou desistir:

– As pessoas me olhavam e deviam estar pensando: “Coitada, só pode estar indo para o enterro de alguém” – recorda Juçara (foto abaixo). – A primeira vez, a gente vai morrendo de medo, mas temos que enfrentar. Eu achava que não tinha coragem. Mas a gente volta poderosa. Provoca muita surpresa e espanto nas pessoas o fato de eu viajar dessa forma. Quando comento isso, viro assunto da roda.

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E um dos assuntos que sempre surgem nestas conversas é a segurança. “Mulher viajando sozinha, que perigo”: todas as entrevistadas para esta reportagem relataram que já ouviram este tipo de comentário – e que, infelizmente, é uma realidade contemporânea em qualquer local. Juçara, por exemplo, já se viu em apuros no Gran Bazar, em Istambul, porque se perdeu e tentou pedir informações a mulheres muçulmanas, que não falam com estranhos. Um homem a interpelou e indicou um caminho oposto ao que a policial aposentada solicitou. Ela se desvencilhou dele com uma cotovelada na barriga. Desde então, passou a ter (ainda mais) cuidado em suas andanças.

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Também a publicitária e blogueira de viagens Lala Rebelo, que viaja sozinha desde os 15 anos, já visitou mais de 55 países e teve uma experiência negativa em 2009:

– Estava sozinha no último vagão do trem de Cergy-Pontoise a Paris. Fui cercada por seis homens. Fui livrada de algo extremo, mas lembrar disso me estremece até hoje. Fugi e chorei rios. Minha sede de explorar o mundo poderia ter ido embora com as lágrimas, mas não foi. Infelizmente, continuamos à mercê daqueles que acham que podem fazer o que quiserem com as mulheres – avalia Lala.

Nesta reportagem, listamos dicas – de segurança e de destinos – de mulheres que venceram a timidez, o medo e as reações alheias de surpresa de amigos e familiares e carimbaram o passaporte sozinhas.

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Segurança em primeiro lugar

Com 27 anos, a blogueira Lala Rebelo já esteve em mais de 50 países (na foto acima, na Croácia) e elabora roteiros para outros viajantes. Após a notícia da morte de duas turistas argentinas que estavam em férias no Equador no início do ano, ela elaborou um pequeno guia de cuidados para alertar outras mulheres que querem viajar sozinhas.

• Planeje muito a viagem e pesquise bem hotéis e albergues (principalmente sua localização). Tente achar comentários de quem já foi (amigos e blogs confiáveis).
• Se tiver o intuito de conhecer gente, procure opções de hospedagem mais jovens, que tenham um bar, por exemplo.
• Procure passeios e tours que não sejam privados, para estar rodeada de outros turistas, o que é mais seguro e também favorece a socialização.
• Tenha sempre um mapa em mãos e uma ideia bem definida do que planeja fazer na viagem, e antes de aceitar qualquer sugestão de programação, pesquise para saber do que se trata.
• Evite estar em parques e ruas desertas à noite.
• Conheceu gente nova? Por mais legais que eles pareçam, opte por encontros apenas em lugares públicos, com mais gente ao redor.
• Leve vários tipos de meios de pagamento (cartão de crédito, dinheiro vivo, cartão de viagem pré-pago etc.) distribuídos em diferentes esconderijos (um pouco na carteira, outro na mala e algo na pochete interna). Isso ajuda na hora dos imprevistos.
• Antes de partir, deixe seus familiares ou amigos cientes do seu itinerário.
• Tente usar roupas conforme os costumes do lugar. Pesquise como as mulheres se vestem para também se vestir de acordo e, assim, não ofender ninguém.

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Perfil de quem viaja sozinha

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• 93% das mulheres que viajam sozinhas costumam ler avaliações em sites de viagens ao planejar um roteiro.

• 61% delas costumam comparar preços e efetuar a reserva de hospedagens pela internet.

• Destinos nacionais são os preferidos para viagens sozinhas, porém a Europa é a queridinha no Exterior.

• A segurança é um fator que as mulheres levam em conta: 61% dizem que evitam lugares desertos e 45% procuram não se comportar como uma turista típica.

• As atividades favoritas dessas brasileiras são atrações culturais (88%), gastronomia local (70%) e compras (48%).

• Quando acompanhadas, 66% das brasileiras viajam constantemente apenas com amigas ou familiares do sexo feminino, seja por terem os mesmos gostos (57%) ou para se reaproximarem (51%).

Fonte: TripAdvisor – Pesquisa Mulheres Viajantes, realizada em fevereiro de 2015 com 9,852 mulheres
da Austrália, Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Espanha, Rússia e Ásia.

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