26% das brasileiras sofrem com depressão pós-parto, aponta estudo

Desânimo, irritabilidade, baixa autoestima, fadiga, diminuição do desejo sexual e desinteresse pelo bebê. Estamos falando de alguns dos sintomas mais comuns da depressão pós-parto, um problema que afeta uma em cada quatro mulheres no Brasil. Os dados são de uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e publicada na revista científica Journal of Affective Disorders no último mês.

Segundo o estudo, as mães que apresentaram sintomas de depressão pós-parto são da cor parda, de baixa condição socioeconômica, com antecedentes de transtorno mental, hábitos não saudáveis, como o uso excessivo de álcool, e que não planejaram a gravidez. Para as pesquisadoras, existem diversos efeitos no desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança, além de sequelas prolongadas na infância e adolescência.

— A mulher depressiva, normalmente, amamenta pouco e não cumpre o calendário vacinal dos bebês. As crianças, por sua vez, têm maior risco de apresentar baixo peso e transtornos psicomotores — esclarece Mariza Theme, responsável pelo estudo.

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Para a realização do levantamento, foram entrevistadas mais de 20 mil mulheres em 200 cidades brasileiras, incluindo as capitais estaduais e 26% das entrevistadas apresentavam sintomas de depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê. E mais: o estudo ainda apontou um número aumentado de cesarianas — 52% no total, contra 88% no setor privado. Outra observação do estudo é a persistência de intervenções no parto, como a episiotomia e a manobra de Kristeller, uso de ocitocina e menor frequência da utilização de analgesia obstétrica.

Entenda a doença: tristeza x depressão pós-parto

A depressão pós-parto traz inúmeras consequências ao vínculo da mãe com o bebê, sobretudo no que se refere ao aspecto afetivo. Segundo a psicóloga Cynthia Boscovich, no período após o parto, ocorre uma queda drástica nos hormônios progesterona e estrogênio, que podem interferir nos aspectos físicos e também emocionais da mulher. A mudança pode ser causadora de estresse e interferir no estilo de vida e até no ritmo de sono. A turbulência envolvendo sentimentos e expectativas pode provocar instabilidade emocional.

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tristeza materna, também conhecida como baby blues ou blues puerperal, pode atingir até 80% das parturientes. Diferentemente da depressão pós-parto, a tristeza materna não incapacita a mãe de prestar cuidados ao bebê e, em geral, não provoca prejuízos na rotina diária. Pode apresentar sintomas como desânimo, angústia, impaciência, irritabilidade, mudanças de humor, cansaço, choro e tristeza sem motivo aparente. Entretanto, tais sintomas costumam aparecer logo nos primeiros dias após o nascimento. Dura até duas semanas e desaparece espontaneamente.

A depressão pós-parto é diferente. Segundo Cynthia, trata-se de uma doença, configurando um quadro mais grave. O humor deprimido está presente na maior parte do dia, quase diariamente, por um período mínimo de duas semanas. A paciente pode apresentar desânimo, sofrimento intenso e persistente, tristeza e angústia. Esses sentimentos não desaparecem espontaneamente. Outros sintomas que podem aparecer: ansiedade, alterações no sono, no apetite e na libido, oscilações de humor, sensação de incapacidade, culpa e pensamentos suicidas.

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