Após juntar economias por três anos, casal de Porto Alegre partiu com os filhos para um ano sabático

Foto: Isadora Neumann | Agência RBS
Foto: Isadora Neumann | Agência RBS

Muitas pessoas, como eu e você, têm o costume de guardar dinheiro para viajar naqueles 30 dias de férias do calendário. Mas um casal levou esse hábito muito mais a sério para poder ficar meses fora de casa – e ainda por cima levando os filhos pequenos junto. De Porto Alegre, a administradora Letícia Chemale, 37 anos, e o publicitário Ricardo Leite, 38, estão vivendo um ano sabático e nômade para apresentar o mundo às crianças.

– Todos os nossos esforços dos últimos três anos foram direcionados para esse grande projeto de vida. Queremos criar memórias cheias de significados para nossos meninos – contou a mãe de Gabriel, cinco anos, e Pedro, três, em conversa horas antes de ir para o aeroporto, em março.

Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

Letícia conheceu o marido, paulista, na Austrália, há 10 anos, quando ambos faziam intercâmbio. A paixão por viajar sempre foi compartilhada. Nas andanças do casal, encontraram pessoas que viajavam o mundo em família e combinaram que, quando tivessem filhos, fariam o mesmo. Afinal, “parecia fácil”, diz a gaúcha. E então nasceu o primogênito. E surgiu aquela rotina estável: escolher escola, investir na carreira, comprar apartamento, encomendar outro filho. Quando o segundo tinha quatro meses, um problema de saúde mexeu com toda a estrutura da família.

– Meu pai teve um AVC violento. Ele é neurocirurgião, e foi muito triste para nós. Meu marido e eu então nos perguntamos: quanto tempo vamos esperar para fazer o que a gente realmente quer?
Como seria? – recorda Letícia.

A família em San Diego - Arquivo pessoal

A família em San Diego – Arquivo pessoal

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Ela e Ricardo pegaram papel e caneta para fazer contas. Chegaram a um número final, o chamado “valor mágico” que o casal planejou para ter uma reserva de um ano fora, bancando alimentação, hospedagem e extras para os quatro membros, sem passar aperto. Esse montante ainda teria que contemplar a volta do casal ao Brasil, prevendo um tempo de recolocação profissional.

– As pessoas nos perguntam: mas como vocês conseguiram esse dinheiro? Não ganhei nenhuma herança, não fiquei rica, não ganhei na loteria, foi muito planejamento. A gente definiu um target e todo mês seguia. Em vez de querer um apartamento maior, uma casa de praia, o carro do ano, por que não concentrar tudo e “comprar tempo” para ficarmos mais com os guris?

Foto: Arquivo Pessoal

Na primeira parada, no Panamá – Foto: Arquivo Pessoal

Assim foi por três anos. Engajados no projeto, precisaram se desfazer de muitos luxos. O principal foi alugar o imóvel próprio e viver na casa dos pais por todo o período. Também cortaram as saídas para comer fora, venderam o carro e mudaram hábitos de consumo, que transformaram o estilo de vida de todos.

– A gente priorizou o essencial. Foi um exercício de desprendimento. Eu era bem vaidosa, meu olhar ficou seletivo. Me desfiz de muitas coisas que não faziam mais sentido – conta a mãe.

Foto: Arquivo Pessoal

No dia da partida, no Aeroporto Salgado Filho – Foto: Arquivo Pessoal

O timing da partida foi certeiro: Gabriel entra em 2019 no Ensino Fundamental, então a viagem foi feita agora para conciliar com os estudos. Não faltaram perguntas de curiosos: vai valer a pena? Será que, com esta idade, os meninos vão se lembrar da viagem?

– Fomos a psicólogos e nos disseram que nessa idade as crianças querem muito estar com os pais. Ou seja, além da presença, há uma dedicação nossa, de viver esse tempo com eles. É impossível que isso não os toque. Para nós, é o que vai construir um ser humano melhor.

Agora, dois meses depois da partida, Letícia mandou a Donna a seguinte mensagem, direto de San Diego:

– Tudo o que estamos vivendo já valeu o investimento. É impressionante o que estamos experimentando. Espero que outras pessoas também tenham coragem de fazer o seu sabático um dia.

O ROTEIRO

A ideia é seguir o verão mundo afora. O roteiro começou pelo Panamá e continuou pelos EUA (Havaí, Califórnia, Orlando e NY), depois Europa, Ásia, Oceania e retorno pela América. A passagem aérea chamada “Volta ao mundo” dá oportunidade de ir a todos os continentes em uma direção só. Siga a turma pelo instagram @4ontheway.

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