Brigar na frente dos filhos gera estresse e ansiedade nas crianças: veja dicas para resolver a situação

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Brigar na frente das crianças pode ser uma péssima ideia. Se você tem esse hábito, preste atenção: crianças que presenciam brigas ou conflitos dos pais podem se tornar ansiosas, hipervigilantes e mais propensas a distorcer os sentimentos de outras pessoas.

Essa foi a conclusão de um estudo que acaba de ser publicado no Journal of Social and Personal Relationships. A mensagem dos pesquisadores foi clara: mesmo os menores conflitos conjugais podem causar danos nas emoções dos filhos – e esses prejuízos podem ser piores em crianças que são tímidas.

Como não é possível eliminar 100% dos conflitos na vida a dois, os casais que têm filhos precisam ter consciência de que é preciso proteger os filhos do que acontece na vida conjugal. Para Marina Simas de Lima, terapeuta de casal, é importante que a criança perceba que os pais se importam uns com os outros e que resolver os conflitos é algo que faz parte da dinâmica do casamento.

– Até por volta dos sete anos, a criança terá dificuldade em entender uma briga dos pais. Ela pode acabar sentindo o estresse gerado pela situação e interiorizar a tensão, ficando confusa e insegura – diz Marina.

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Criança pode se culpar

Dependendo da criança, é possível que imagine que a culpa é dela ou ainda que ela desapontou os pais. Embora até os cincos anos isso seja mais comum, pode acontecer em qualquer fase da infância ou da adolescência.

Elas podem imitar o comportamento

As especialistas lembram ainda que há um outro problema associado às brigas conjugais na frente dos filhos: a imitação do comportamento.

– As crianças podem imitar os comportamentos dos pais e adultos com os quais convivem. As relações que elas vão estabelecer podem trazer mais ou menos segurança no ambiente familiar e nas relações que serão estabelecidas ao longo da vida – explicam as terapeutas.

As crianças que presenciam brigas dos pais com frequência podem apresentar uma dificuldade maior em desenvolver e em manter relacionamentos saudáveis, sejam de amizade ou amorosos.

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Como resolver?

A dica que as terapeutas dão é que os casais descubram novas maneiras de colocar as diferenças dentro de um casamento, que não seja pela explosão, pela violência, pela desqualificação um do outro. A resolução de um problema pode ser pela negociação, para mostrar aos filhos que é possível e saudável ter diferença de opiniões e que uma relação saudável é aquela em as diferenças são bem-vindas.

Como brigar sem envolver os filhos

Com a ajuda das terapeutas, elaboramos 5 dicas para manter a DR entre quatro paredes e bem longe das crianças. Confira:

Tudo passa

A briga escapou e a criança presenciou a cena? Tudo bem. Sente-se e explique que adultos às vezes precisam resolver alguns problemas. Mas que tudo passa e logo vocês farão as pazes.

Não busque apoio na criança

Criança não toma partido, não deve ter que escolher entre o pai ou a mãe na briga. O ideal é que a criança nem fique sabendo que os pais brigaram, principalmente antes dos sete anos. Depois disso, ainda é bom evitar, mas o entendimento melhora e a criança desenvolve a capacidade de perceber que as brigas podem acontecer entre os pais.

Briga com hora e lugar marcados

Pode ser difícil planejar uma briga né? Afinal, muitas vezes os conflitos são imprevisíveis. Mas, se possível, organize-se para conversar ou para discutir os assuntos quando as crianças já foram dormir ou quando não estão em casa.

A briga vai, o amor fica

Outro ponto fundamental é conversar com as crianças e mostrar que apesar da discussão, o amor está presente. E que é preciso um tempo para as coisas voltarem ao normal, mas irão voltar. Quando você explica o que está acontecendo, a criança pode se sentir mais segura.

Treinando para negociar conflitos

O casal precisa treinar para negociar os conflitos, sem usar agressividade ou violência nas discussões. Isso pode se estender para ensinar a criança depois dos 10 anos a negociar também com os pais, sem brigar.

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