Cama tamanho família? Veja como ensinar as crianças a dormirem sozinhas

Foto: Pixabay
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Por Stefanie Cirne, Especial

Quem tem ou já teve crianças pequenas em casa sabe que a hora de dormir pode não ter nada de tranquila. Os malabarismos que os pais fazem para ajudar os filhos a pegar no sono vão desde embalar no colo e contar histórias até trazê-los para a sua cama. E, nesse caso, o que começa como uma boa ideia pode logo virar outro problema. Uma vez acostumadas a compartilhar a cama, as crianças ficam mais e mais resistentes a abandonar esse hábito, que pode prejudicar seu desenvolvimento, o sono – e a intimidade do casal.

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Por que a cama dos pais atrai tanto?

Assim como os adultos, os pequenos cansam, só que ainda estão aprendendo a relaxar, ficar sozinhos e separar os sonhos da realidade. Entre os dois e os cinco anos, quando já desmamaram e estão mais independentes, eles normalmente procuram a cama dos pais por sentirem ansiedade e medo: dependendo da fase de crescimento e do momento que vivem, as crianças têm dificuldade de lidar com sentimentos complexos e interpretar o ambiente (o escuro, sons vindos de fora do quarto, entre outros estímulos). A tendência, daí, é buscar proteção e aconchego nos adultos, onde quer que eles estejam.

Ainda assim, os especialistas em geral afirmam que acolher os filhos na cama do casal é uma solução que não compensa a longo prazo.

– Não há vantagem para o desenvolvimento neuropsicomotor ou emocional. Ao contrário, as crianças tendem a ficar mais dependentes, emocionalmente imaturas e com maior dificuldade de aceitar limites – explica a neuropediatra Giovana Sebben.

E por que os pais não conseguem dizer “não”?

As motivações para deixar o filho pegar o sono na cama dos pais variam. Alguns querem evitar a ronda noturna até o quarto da criança, especialmente no inverno. Outros sentem culpa por passarem pouco tempo em família ou ficam aflitos perdendo o bebê de vista. No entanto, também é possível que o casal aproveite a dependência da criança para tirar o foco de problemas na vida a dois.

A psicanalista Diana Corso observa que sem se darem conta, alguns casais acabam transformando os pequenos em um “antiafrodisíaco” porque sentem dificuldade de encarar o desejo que têm um pelo outro – ou a falta dele.

(Eles) não conseguem conciliar a identidade de homem e mulher com a de pai e mãe, e acabam indo para cama como família – explica.

A psicóloga e terapeuta sexual Izabel Eilert diz que demarcar os espaços dos adultos e das crianças evita que os relacionamentos sofram, inclusive os das mães separadas: do contrário, a assimilação de um novo parceiro pode ser complicada.

– A criança não só perde o lugar na cama como perde o papel, porque ela está ali como parceira da mãe – explica.

A interferência no sexo é apenas uma das razões pela qual dormir com os pais pode perturbar a vida familiar. A doula, orientadora em cuidados com recém-nascidos e parent coach Mariana Zanotto Alves acrescenta que quando a presença dos filhos é acomodada à contragosto, o carinho e o afeto podem dar lugar a um clima de frustração, irritação e culpa:

– Com o tempo, a prática forçada pode abrir grandes abismos na comunicação e convivência de pais e filhos.

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Boa noite para todos

Confira dicas para manter as crianças no próprio quarto desde cedo:

Comece cedo: a regra é que a criança seja acostumada a dormir na própria cama desde os primeiros meses de vida. Para algumas famílias, esse processo é mais longo – e mais estressante. Caso você esteja exausta com a educação do sono, procure um profissional para auxiliá-la na escolha de um método.

Crie um “ritual do sono”: estabeleça o horário, prepare a criança para dormir e crie um ambiente tranquilo (deixe o quarto à meia-luz, em silêncio, com temperatura agradável). Se for preciso, cante, conte uma história ou converse um pouco para que ela se sinta segura, inclusive quando acorda no meio da noite.

– Não espere que a criança adormeça, pois ela deve aprender a dormir sozinha – lembra Giovana. – Recomenda-se que a criança não adormeça nos braços ou na cama dos pais.

Dê tempo ao tempo. Dormir é um aprendizado que requer persistência e consistência.

– A melhor dica que posso dar em relação a este assunto é, não tente tudo! Tente somente uma coisa por um longo período – diz Mariana.

Se, no início, a criança manifestar desconforto e angústia, fique firme: as chances são de que o organismo dela se adapte gradualmente ao método de vocês.

E se a iniciativa foi sua? Se tiver vontade de trazer a criança para a sua cama (ou já estiver fazendo isso), pergunte-se por quê. Alguns pais não percebem que, talvez tanto quanto acalmar o filho, eles podem estar esperando que o pequeno alivie problemas seus. Avalie se esse é o seu caso.

Cada um no seu quadrado. Se houver necessidade de o bebê permanecer no quarto dos pais (para mamar, por falta de espaço ou outras razões), coloque-o em um berço e use um biombo ou cortina como barreira física. Isso ajuda a criança a desenvolver sua independência, acordar menos durante a noite e mantém a privacidade dos pais.

Tenha bom senso: caso o pequeno acorde, avalie como e quando atendê-lo. Se em alguma noite, tudo apontar para a cama compartilhada, cuide para que a prática não vire um hábito.

– Exceções são importantes para auxiliar a criança a desenvolver resiliência, enquanto a rotina desenvolve confiança e segurança nos seus cuidadores e nelas mesmas – explica Mariana.

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