Livro traz ideias simples e criativas para resgatar o prazer de brincar

Tão logo se tornou mãe, a catarinense Leticia Burigo Tomelin Kuerten, 42 anos, diz que incorporou uma nova habilidade ao seu currículo, a de colecionadora de brincadeiras, adicional à formação em Ciências da Computação e ao mestrado em Engenharia de Produção.

Estimular os filhos – ela é mãe de quatro, os gêmeos Leonardo e Gabriel, 13 anos, Larissa, 11, e André, 6 – sempre foi uma preocupação e foram eles a inspiração para escrever o seu primeiro livro Vou Brincar (Pandorga, R$ 34,90), lançado nesta quarta-feira (13/1), em Florianópolis.

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Os primeiros “mestres”, como ela menciona, foram os primogênitos, que nasceram com paralisia cerebral devido a uma infecção urinária ainda na gestação.

Leticia Kuerten é a autora do livro Vou Brincar, que teve como inspiração os filhos. Foto: Felipe Carneiro/Agência RBS

Leticia Kuerten é a autora do livro Vou Brincar, que teve como inspiração os filhos. Foto: Felipe Carneiro/Agência RBS

– A partir do momento que você se torna mãe de um filho especial, o seu sobrenome se torna ‘estímulo’. E acrescenta: – É preciso provocar neles todas as experiências sensoriais, visuais, auditivas, já que sozinhos não conseguem fazer isso.

Enquanto os médicos ofereceram prognósticos pouco animadores, Leticia, ao lado do marido Rafael Kuerten, não desistiu de buscar novas formas de instigar seus filhos, para que pudessem ser mais independentes.

– O mais importante é saber que o seu filho com limitação tem possibilidades e a pior coisa que um médico pode fazer é tirar a esperança de uma mãe –, lamenta.

Muito curiosa e persistente, depois de ouvir muitos nãos, encontrou na educação condutiva esperança para seguir. Uma das principais características é ver a lesão cerebral como uma deficiência na aprendizagem, portanto o método ensina e estimula os pacientes com experiências e sensações para um desenvolvimento mais significativo e conquista da autonomia.

Vamos Brincar?

De certa forma, a educação condutiva também influenciou o livro de Leticia dando oportunidade para as crianças aprenderem novas sensações e conquistarem sua independência.

Vou Brincar é um manual de ideias simples e criativas que busca o estímulo sensorial, intelectual e imaginativo. São 20 atividades todas testadas e aprovadas pelos filhos – a coleção só veio a aumentar depois que Larissa e André nasceram.

Para Leticia, as lembranças da infância são resultado de pequenas realizações, sejam elas fazer uma bolinha de papel, recolher folhas e pedras no quintal (veja na página ao lado um guia para fazer essa atividade em casa) ou montar um boneco de meia.

– As atividades são uma oportunidade para a família valorizar o que a criança fez, propiciando um momento de reforço no vínculo entre pais e filhos – diz.

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O livro Vou Brincar é organizado em cartas individuais. Foto: Felipe Carneiro/Agência RBS

O livro é organizado em cartas individuais e a criança pode escolher a atividade. A faixa etária sugerida é de dois a 12 anos. Para a autora, o diferencial é poder brincar com materiais que eles têm a sua volta, usar o próprio corpo, grãos, farinha, folha de jornal.

– Hoje as crianças acabam caindo na televisão ou videogame, e existe uma preocupação em torno dessa pessoa que está ali inativa, como um personagem virtual que não morre nunca. Estamos limitando o desenvolvimento delas. A tecnologia entretém a criança, mas certamente o que a deixa feliz é a realização do brincar. É nosso dever ensiná-los a fazer isso – conclui.

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EM LIVRO
Vou Brincar
Editora Pandorga
46 páginas
R$ 34,90

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