Donna das Minhas Escolhas: por que decidi ser mãe de três filhos

Foto: Bruno Alencastro
Foto: Bruno Alencastro

A musicoterapeuta Daniela Bueno, 35 anos, não apenas decidiu ser mãe: ela quis ter três filhos.

“Os melhores companheiros”

Ainda se pensa a maternidade como algo fantasioso, o grande caminho da mulher. Não acho que seja por aí. Mas minha escolha foi ser mãe. E, a partir do momento em que tu tens teu primeiro filho, tu és outra.

Eu e o Bernardo, pai do Lorenzo, da Alice e, daqui a algumas semanas, da Clara sempre dizemos que ter filhos é uma experiência muito mais rock ‘n’ roll do que as pessoas acham que é. A gente ter planejado os três filhos ameniza, mas não muito. Todo mundo acha: “Eles têm um filho, uma filha e o cachorro. Tudo certo”. Gente, é um caos ter dois filhos e um cachorro.

Primeiro, rola um choque de realidade. O filho hipotético da gente dorme a noite inteira. Não faz manha porque a gente vai ser firme… Pois é. Só que ele vai chorar a noite inteira, vai se jogar no chão do supermercado… Quanto antes tu aceitar isso, melhor (risos). É preciso desmistificar certas coisas.

Outro desafio é um tipo de renascimento. Depois do primeiro filho, há um tipo de luto pela mulher que tu eras. Tu morres um pouco para deixar nascer outra mulher. Talvez venha daí, do respeito a esse processo dolorido, o tempo entre o Lorenzo e a Alice, que têm 10 e cinco anos.

Foto: Bruno Alencastro

Foto: Bruno Alencastro

Eu brinco que cada filho envolve uma renegociação de contrato entre e o Bernardo e eu. As pessoas dizem: “Ele te ajuda, né?” Eu respondo que não, que ele não está me ajudando, ele está sendo o pai. E essa postura ainda choca um pouco a geração anterior. Aquele estranhamento pelo pai estar com os filhos na pracinha em vez da mãe pela manhã. Mas coisas assim me abriram a cabeça de que um dos aspectos mais legais da maternidade é ser um ato político. Desde contra bobagens do tipo “Deus o livre uma mãe ter tatuagem” ou “Que absurdo sair só ela e o marido”, até coisas como: “Se tu és mãe, precisas ser contra o aborto”, “Se tu és mãe, condenas quem não quer ter filhos”. E tu ainda tens a chance de fazer diferente. Criar meninos que não sejam machistas. Criar meninas respeitando o que elas quiserem fazer e não o que esperam que elas façam. Boto muita fé nessa nova geração que está sendo criada por pessoas com a cabeça um pouco mais aberta.

Me parece que hoje a maternidade deixou de repetir automaticamente a geração anterior. São mães que estão descobrindo o jeito delas. Mais conectadas, mas ao mesmo tempo mais isoladas em casa. Há também mais julgamentos. E é bem chato que venham de outras mulheres. Mas compreensível também: nessa insegurança de como criar os filhos, a gente acaba tentando legitimar nosso jeito condenando o das outras mães.

Foto: Bruno Alencastro

Foto: Bruno Alencastro

O ideal é encontrar tua turma, pessoas que entendam que a melhor forma de ajudar uma mãe é perguntar do que ela precisa, e a resposta pode ser bem diferente do que a pessoa quer oferecer. Talvez a mãe queira que tu tragas uma sopa para ela poder comer e curtir o bebê, e não que tu cuides dele enquanto ela vai para o fogão.

Em meio a tudo isso, procuro ver filhos como um projeto de longo prazo, e as crianças como uma fase ótima, mas de alta manutenção. Depois da infância, o que ficará são pessoas novas, que combinam a personalidade delas e os valores que receberam de ti. E esses são os melhores companheiros que eu quero para a vida.

*Depoimentos concedidos a Caue Fonseca

Confira o vídeo

Leia mais
:: Donna das Minhas Escolhas: por que decidi não ter filhos
:: Donna das Minhas Escolhas: duas mulheres contam como encaram a passagem do tempo

:: Por que muitas mulheres estão deixando de tomar a pílula anticoncepcional

Leia mais
Comente

Hot no Donna