Gaúchas criam plataforma para falar dos desafios de ter filhos gêmeos

Foto: Melisa Boz/Divulgação
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Ser mãe de primeira viagem já é difícil: então imagina quando, em vez de um rebento, chegam dois de uma vez só? A aventura de ter filhos gêmeos motivou três amigas a investirem em um projeto para dar apoio a quem também passa pela maternidade em dobro. Acaba de nascer em Porto Alegre o MeTwo, plataforma para famílias de gêmeos e múltiplos, iniciativa das sócias Thaís Reali, Vanessa Rocha e Elisa Scheibe Marty. O site traz conteúdo sobre o assunto, histórias e respostas de especialistas. Como organizar a rotina? Como conciliar os horários de sono e amamentação? Como dar banho nos dois bebês enquanto estivermos sozinhas? Em breve, a startup será também um aplicativo e um clube de descontos e desapegos.

Foto: Melisa Boz/Divulgação

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E foi justamente compartilhando experiências que as três mães ficaram muito próximas. Os maridos de Thaís e Vanessa eram amigos de infância. Quando os filhos de Thaís nasceram, Vanessa já tinha gêmeos, poucos anos de diferença. A troca de dicas entre elas motivou a criação de um grupo de WhatsApp em 2015, que começou a receber mais mães de gêmeos. No primeiro encontro presencial da Confraria das Mães de Gêmeos, surgiu Elisa para se somar à dupla.

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O trio “deu liga” desde o início e passou a se ver com frequência (e a filharada junto). Novos eventos foram planejados, o grupo do Whats passou de 100 pessoas e surgiu a vontade de expandir o espaço de trocas. Por trabalhar com inovação, a administradora Thaís, diretora de conexões da Reali Hub for Innovation, decidiu estudar o assunto. Em um curso de imersão no Vale do Silício, no ano passado, nasceu o desenho da startup.

– Mães de gêmeos precisam de ajuda, por questões fisiológicas e de apoio. Então idealizamos algo para resolver todos os problemas, com acolhimento, informação direcionada, serviços e benefícios, em um só lugar. Até porque tempo é algo mais do que precioso para todas nós – diz Thais.

– Tudo precisa ser organizado com tempo e antecedência, pois a logística para quem tem gêmeos é muito mais complexa do que a de quem tem um filho só. Vejo pelos meus irmãos e amigos – completa Elisa.

Foto: Melisa Boz/Divulgação

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Na opinião das três sócias, este é um segmento de mercado inexplorado. Faltam facilidades, soluções, produtos e serviços direcionados. Os gastos, por exemplo, são sempre em dobro simultaneamente – o irmão mais velho não passa as roupas para o menor. Surgiu daí a ideia de um clube de descontos para mães de múltiplos. E mais: você já parou para pensar nos carrinhos de supermercado? Em uma certa idade, contam as amigas, fica inviável ir com os dois juntos.

O objetivo do site é ser uma referência sobre o tópico no Brasil. Entre os projetos em andamento, está uma pesquisa inédita sobre gêmeos, em parceria com o Instituto de Psicologia/Painel de Gêmeos da Universidade de São Paulo, para falar de filhos da maternidade gemelar.

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O que uma mãe de gêmeos mais escuta:

• É verdade que quando um chora o outro chora também?

• Coitada, deve ter trabalho…

• Nossa, tudo em dobro!

• Foi inseminação?

• Você sabe quem é quem? (no caso de univitelinos)

• Eu sempre quis ter gêmeos, parabéns!

Com a palavra: as mães

“A melhor coisa de ser mãe de gêmeos é poder ver os dois crescendo ao mesmo tempo. É assistir a primeira interação dos dois. É amor em dobro! E o maior desafio é cuidar de dois bebês e com personalidades bem diferentes. Só quem é mãe de gêmeos sabe que uma ajuda é sempre bem-vinda!”

Vanessa Rocha, 35 anos, farmacêutica
Mãe da Isabela e do Gabriel, cinco anos

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“A melhor coisa de ser mãe de gêmeos é sentir, todos os dias, o mais sincero amor do mundo de forma multiplicada. O maior desafio é a intensidade com que as coisas acontecem, com duas crianças passando por todas as fases ao mesmo tempo. Com amor e desafios, sou uma mulher transformada positivamente pela maternidade gemelar.”

Elisa Scheibe Marty, 39 anos, consultora do sono
Mãe de Franco e Martin, quatro anos

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“Ser mãe de gêmeos é ter colo cheio, é agito e diversão na certa. É ter dois tipos de beijos ao mesmo tempo, dois tipos de abraço! É ouvir vários manhêêê, com duas vozinhas diferentes… É um desafio constante de garantir que cada um seja ele mesmo e que seja feliz!”

Thais Reali Beiler, 40 anos, diretora de conexões da Reali Hub for Innovation
Mãe de Thomas e Nicholas, três anos

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