Mãe solo aos 20 anos, leitora faz sucesso na internet contando sua rotina de criar o filho sozinha

Foto: Bárbara Schmidt, divulgação
Foto: Bárbara Schmidt, divulgação

A maternidade surpreendeu Pâmela Ghilardi aos 20 anos. No meio do Carnaval, ela descobriu que estava grávida de uma relação de uma noite só. Ser mãe tão jovem já era um desafio – ser mãe solo, mais ainda. Mas foi desabafando na internet que ela descobriu que não estava sozinha de fato. Com seu blog, Fofoca de Mãe, e quase 25 mil seguidores no Instagram, ela entrou em contato com muitas outras mulheres na mesma situação. A seguir, Pâmela conta como foi seu percurso até se tornar uma mãe jovem, solteira e cheia de planos ao lado do filho, Lucca, quatro anos.

“Educar e criar uma criança já não é uma tarefa fácil, ainda mais sozinha. Você não poder ficar doente nem estar cansada. A casa está bagunçada, e há uma criança te solicitando a cada segundo. Confesso que muitas vezes meu filho janta miojo e olha milhares de desenhos no celular só porque eu quero ter um pouco de paz”

Sou mãe solteira, jovem e feliz. Mas nem sempre foi assim. Minha nova vida começou aos 20 anos. Engravidei após uma história de apenas uma noite. Não imaginava que aquela ficada em janeiro mudaria meu destino por completo. No Carnaval, passei a sentir enjoos, muito sono, aquela coisa. Um teste, dois riscos (positivo) e, sim, eu estava grávida. Naquela hora, a primeira coisa que me veio à cabeça foi o aborto. Ao menos, até o dia em que meus pais descobriram. Foi um momento que não consigo esquecer: o olhar de decepção dos meus pais. Mas eles me apoiaram e seguraram a barra junto comigo.

Moro em uma cidade pequena, Sapiranga, e as pessoas me olhavam com cara feia. Deviam pensar milhares de coisas de mim, sempre tinha aquele olhar de reprovação. Mas nada se comparou ao que acontecia dentro de mim. Achei que minha vida tinha acabado, que nunca mais conseguiria ser feliz. Como ia criar um filho sozinha? Eu não tinha um relacionamento com o pai do meu filho e encarei a gestação toda sozinha. Consultas pré-natais, enjoos, dores, planos… Eu o deixava a par do que realmente era importante. Pensava: “Não fiz o filho sozinha, então preciso compartilhar com o pai do bebê”.

Foto: Focare Studio Fotopoesia, divulgação

Foto: Focare Studio Fotopoesia, divulgação

Por todo esse contexto, não consegui curtir minha gestação, não li livros sobre parto nem sites sobre o que estava por vir. O chá de fraldas foi feito por insistência da família. Com 34 semanas, entrei em trabalho de parto prematuro, e foi preciso ficar em repouso absoluto e medicação para que conseguisse segurar ainda mais algumas semanas minha gravidez. Passadas duas semanas, minha bolsa estourou na madrugada. Foram oito horas de contrações muito doloridas e apenas um centímetro de dilatação. Senti muito medo. Eu ainda não estava pronta para ser mãe, não tinha me preparado psicologicamente para aquilo.

Tive o pai do meu filho ao meu lado na hora do parto, deixei que ele escolhesse se queria participar ou não. A cena não foi como eu tinha visto em filmes, aqueles casais felizes com o nascimento de um filho. Eram dois estranhos sem saber o que o futuro reservava. Meu filho nasceu em 1º de outubro de 2012. Sou chorona, mas não derramei uma lágrima sequer ao ver o bebê saindo de mim – confesso que estava mais assustada do que feliz naquele momento.

Ser mãe não é fácil. Sozinha, então… Contei por um tempo com a ajuda da minha família, mas essa tarefa era minha, era eu quem tinha que assumir todas as responsabilidades. Tive dificuldade para amamentar, sinais de depressão pós-parto, leite empedrado. E do quatro mês de vida do meu filho até perto dos dois anos, ele não teve contato algum com o pai.

Foi difícil assumir tudo 100% sozinha. Agora, olhando para trás, acho que foi necessário para que hoje tudo pudesse estar como está. Naquele período, criei o site Fofoca de Mãe, onde comecei a compartilhar minha vida de mãe solteira e, aos poucos, fui percebendo que não estava sozinha, que havia outras mães passando pelas mesmas coisas. Pouco a pouco, fui me sentindo mais forte para seguir em frente. Compartilhando minha história nas redes sociais e trocando experiências, alegrias e angústias, percebi que poderia fazer a diferença. Recebia o retorno de que inspirava outras mulheres na mesma situação. Passei a levar tudo de uma forma mais leve, sempre pensando no bem-estar do meu filho.

Foto: Bárbara Schmidt, divulgação

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Atualmente, meu filho tem um convívio incrível com o pai. Não foi um retorno fácil, e, sim, um processo interno, de ambos os lados: eu de permitir que meu filho tivesse seu pai participando da sua vida, e do pai aprendendo a ser pai. A guarda é minha, mas temos uma relação bem tranquila para dividir os dias. Comemoramos os aniversários juntos, me dou muito bem com toda a família dele – Lucca fica realizado vendo todos reunidos. Ele convive com a madrasta, e hoje somos amigas: ela aprendeu a amar meu filho, a cuidar dele, e eu me sinto segura quando Lucca está com eles. Tudo foi questão de amadurecimento.

Lucca e eu moramos há três anos sozinhos, temos nossa rotina e estilo de vida. Talvez por eu ser uma mãe jovem, vejo as coisas de uma maneira mais relax. A casa não precisa estar sempre em ordem, meu filho pode dormir sem tomar banho. Educar e criar uma criança já não é uma tarefa fácil, ainda mais sozinha. Você não pode ficar doente nem estar cansada. A casa está bagunçada, a louça do almoço está te chamando (e já é hora de fazer a janta), existem brinquedos até dentro da geladeira, e, além disso tudo, há uma criança te solicitando a cada segundo, querendo que você desenhe um T-Rex, um jacaré e um coelho. Cansa, e muitas vezes me pego pensando em como seria se tivesse alguém para dividir isso, as tarefas de casa e a criação do meu filho. Confesso que muitas vezes meu filho ganha miojo de janta, come chocolate antes de dormir e olha milhares de desenhos no celular só porque eu queria ter paz.

Por fazer home office, tive que adaptar uma rotina para poder ter tempo para cuidar do meu filho, já que foi pra isso que decidi trabalhar por conta própria. Na parte da manhã, fico com ele, brincamos, cuido da casa; e na parte da tarde, depois de levá-lo para a escola, fico trabalhando. Depois, pego ele, faço janta, dou banho, coloco para dormir e volto para o trabalho.

Foto: Focare Studio Fotopoesia, divulgação

Foto: Focare Studio Fotopoesia, divulgação

Quando não estou com Lucca, aproveito para ficar com meus amigos, sair para balada, ir ao cinema – eu realmente ocupo meu tempo para cuidar de mim e não lembrar que sou mãe. Ainda nem comecei a faculdade, não tenho carteira de habilitação, descobri uma nova profissão, comecei e terminei relacionamentos, bebi como se não houvesse amanhã (e teve) e continuo sendo mãe do Lucca. A sociedade julga muito as mães, se você faz, se você não faz… Mas eu sigo firme no que acredito que é melhor para mim e para meu filho.

Certa vez, postei uma foto tomando cerveja e, na legenda, desabafei sobre o quanto estava cansada da rotina. Fui repreendida por pessoas da minha família, questionaram se era certo eu postar fotos bebendo, já que meu perfil era de maternidade. Não entendo por que as pessoas insistem com a ideia de que mães devem deixar de fazer coisas que faziam quando não tinham filhos – e nesse ponto é que muitas mulheres se perdem, abrem mão de fazer tudo que faziam e ficam frustradas. Ser mãe é somar, é acrescentar na sua vida um amor que te completa, com as coisas que você sempre gostou de fazer!

Ser solteira e querer encontrar alguém para dividir sua vida já está complicado, agora ser mãe e querer isso também. Conheci pessoas bacanas, mas outras pessoas provavelmente tem em mente que estou em busca de um pai para meu filho, o que é completamente equivocado. Namorei um rapaz quando meu filho tinha um ano e cinco meses, foi uma relação muito saudável para mim e para o Lucca, que construiu uma relação de muita amizade com ele também. Mas, mesmo que se encontre alguém bacana, como a pessoa que tive ao meu lado por três anos, deve ser alguém que realmente entenda que a minha prioridade é outra. Que, sim, podem existir compromissos que você vai ter que desmarcar em cima da hora pois ligaram da escola dizendo que seu filho está com febre. Quando se é mãe solo, a pessoa que vai querer ficar do seu lado, vai ter que estar ciente de que em muitos momentos ela será sim, a segunda opção.

A maternidade me transformou por completo. Me sinto mais mulher, mas, principalmente, um ser humano muito melhor. E hoje me sinto feliz.

Foto: Bárbara Schmidt, divulgação

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