Desde a gravidez: a música acalma o bebê e estimula a criatividade

Fotos: Pixabay
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Lá está o bebê chorando e esperneando. E você não sabe mais o que fazer: já pegou no colo, embalou e fez sh-sh-shhhh. Da próxima vez em que a situação #tensa ocorrer, experimente cantar – nem que a primeira lembrança seja o bom e velho Nana, Nenê. A música faz mais efeito do que a fala para acalmar as crianças: um estudo realizado no Canadá comprovou que as crianças menores param de chorar mais rápido quando ouvem melodias instrumentais – já para as maiores, músicas com letra funcionam melhor. E, sim, tudo isso tem uma explicação lógica:

– A musicalidade é uma das primeiras formas de comunicação da criança com o mundo. O timbre do choro, a melodia da voz da mãe, o ritmo da batida do coração, a troca de velocidade e intensidade nas falas são alguns exemplos de como o bebê começa a perceber o mundo. O reconhecimento de melodias cantadas com afeto propicia uma sensação de segurança e aconchego – explica a artista e educadora Viviane Juguero, artista e coordenadora pedagógica do Bando de Brincantes e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UFRGS.

O método dá ainda mais certo caso a mãe, desde a gravidez, já tenha o hábito de cantar para seu filho. Achou estranho? Pois saiba que o ouvido de um bebê está completamente formado na sua vida intrauterina, ou seja, o hábito de “cantar para a barriga” faz todo o sentido.

– Quando eu esperava meu filho Benjamin, eu ensaiava o espetáculo Bach Para Crianças e sentia o bebê dançar na minha barriga. É uma absorção total – recorda Raquel Grabauska, do grupo Cuidado que Mancha.

Mas os benefícios da música vão muito além da fase em que a voz da mãe precisa acalmar o bebê. Qualquer criança pode, desde bem pequena, passar a ter contato com as artes – contato definido pelos educadores como essencial para a construção da personalidade de cada um. Só não exagere na expectativa.

– Um bebê de três meses que frequente uma oficina de música não irá sair já tocando violino – brinca Raquel. – O entendimento de uma criança pequena não será expressado como o de um adulto. São camadas que vão evoluindo. O bebê vai mudando e interagindo. A partir dos seis meses de idade, já entoa músicas do seu próprio jeito.

– Crianças que têm mais acesso a produções artísticas, que dialoguem com a lógica lúdica do pensamento infantil, vão evoluir em sua capacidade criativa, senso crítico e desenvolvimento estético – completa Viviane.

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SAIBA MAIS

Mas e se eu não sei cantar?

– O mais importante é os pais estarem entregues a esses momentos de intimidade singular, cantando com o coração. A melodia simples que, aos poucos, o bebê começa a balbuciar, propicia uma interação afetiva imediata. Por outro lado, um excesso de informações sonoras pode ser desagradável para o bebê, então busque canções adequadas para cada fase – indica Viviane Juguero, do Bando de Brincantes.

Como estimular o contato dos bebês com a música?

Lembre-se de que são os adultos que são mediadores para o acesso às artes. Vai depender da sua disponibilidade de pesquisar o que é agradável para toda a família em diferentes situações.

– Muitas mães me perguntam: “Meu filho tem quatro meses, que desenho eu boto para ele assistir?”. Não sabem o que fazer, não é só na Galinha Pintadinha que devemos ficar – conta Raquel Grabauska, do Cuidado que Mancha.

 

Sugestões de programas musicais para a família

Em Porto Alegre, há muitos programas de artes voltadas para o público infantil: que tal seguir o Instagram e curtir as páginas de Facebook de grupos especializados da cidade para saber das programações? Procure os grupos Bando de Brincantes, Orquestra de Brinquedos, Cláudio Levitan e grupo, Pitocando Bebês, projeto Sinfonia de Bebês, Cuidado que Mancha (e o espetáculo de bebês, Cuidado que Ronca), apresentações da Bandinha Didadó e os trabalhos infantis de Renato Velho, por exemplo. E mais: inscreva-se também no Programa Eu Faço Cultura (www.eufacocultura.com.br), que oferece diversos materiais artísticos, gratuitamente, para todo o Brasil.

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