O papai é pop, mas mamãe é rock: veja a entrevista com Piangers e Ana Cardoso

O colunista de Donna Marcos Piangers lança mais um livro com histórias de Anita e Aurora. E a mãe da dupla, Ana, dá a real sobre maternidade

Você provavelmente já leu o Piangers e se emocionou com alguma das histórias que ele conta de como é ser pai da Anita, 11 anos, e da Aurora, quatro. Um pai que realmente está lá.

Mas a entrevista a seguir é também com o Marcos, 35 anos, o primeiro nome que ficou de lado na carreira do jornalista, autor best-seller e colunista de Donna, conhecido de programas como Pretinho Básico, da rádio Atlântida, e do Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo.

É do Marcos que Eloisa Piangers fala no prefácio do recém-lançado O papai é pop 2. Ela, que enfrentou o preconceito na própria família por criar um filho sem pai, viu seu guri se tornar uma referência em paternidade Brasil afora, com mais de 75 mil exemplares vendidos do primeiro livro da série (e doar toda a renda para instituições que cuidam de crianças): “Queria que meus pais pudessem ver a revolução que o livro do Marcos causou. Esses dias, em um restaurante, a garçonete veio me dizer como o livro mudou a vida do irmão, que deixou de ser um pai ausente para participar da vida do filho. Todos os dias recebemos mensagens de carinho, de mães que se identificam com a minha história, de pais que decidiram ser mais presentes por causa do livro. Crianças, mulheres, senhores, todos emocionados com as histórias das minhas netas”.

A entrevista a seguir também é com a Ana Cardoso, 38 anos. Jornalista e mestre em Sociologia Política, atuante em pesquisas sociológicas e grupos feministas, mãe da Anita e da Aurora e esposa do Marcos. E agora também autora. Depois que O papai é pop virou frequentador das listas de mais vendidos, a editora Belas Letras fez o convite:

– Você não topa escrever A mamãe é pop?

Ana pensou e chegou à resposta:

– Disse: “De jeito nenhum”. Primeiro, não sou pop; segundo, estava assustada com aquelas multidões (nas sessões de autógrafos) e não imaginava como expor mais a nossa intimidade. Falei: não sou pop. Vamos fazer A mamãe é rock, porque acho a maternidade mais pesada. Se fosse um ritmo musical, seria o rock.

E assim foi: já estão nas livrarias as visões de Piangers e Ana sobre a vida em família, compartilhando impressões e momentos vividos com as filhas. Ele, tal qual no primeiro livro, chama os pais (e mães) a participar mais e mais. Basta ver os nomes de alguns dos capítulos: “Aproveite agora”, “Trocar a fralda é o básico”. Mas sem deixar de reiterar que também ele vive um aprendizado constante: “Já tratei mal minha mãe, minha esposa, minhas filhas. (…) Se existe pai perfeito, ele não mora aqui em casa. Pai não é o cara que não erra, é o cara que está lá”, escreve.

Já Ana convida a relaxar e abraçar a maternidade com amor e humor – e sem neuras. A cada capítulo, as mães vão se reconhecer na maratona anual da compra de material escolar, no desafio diário do lanchinho caseiro e saudável e no feito que é conseguir alguns minutos a sós no banheiro (“Alerta! Uma mãe em paz”). Ana fala também de feminismo, idealizações, piolhos, maquiagem, consumo, limites, amigas… E confessa seus “pequenos delitos” da maternidade da vida real, desde ajudar a guardar os brinquedos porque está com pressa e odeia bagunça a não gostar muito de brincar. “Resumindo, sou chata e um pouco relapsa. Como todas as mães de verdade, não como aquela impecável e sorridente que aparece nos comerciais tirando os germes do chão e se divertindo horrores com a garotada. Ou seja, sou assim como você.”

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Na entrevista a seguir, Marcos (vamos chamar de Piangers a partir de agora para facilitar) e Ana conversam não só com a jornalista, mas entre si. E revelam que, como ele diz, a vida real não tem filtro de Instagram.

Pergunta – O Piangers disse em uma crônica que a responsável por ele se tornar um papai pop é a Ana e o fato de ela ser uma mamãe rock. Contem um pouquinho da história de vocês.

PIANGERS – A gente ficou pela primeira vez no Dia dos Namorados de 2003. No ano seguinte, a Ana engravidou, e a Anita nasceu em 2005. E, olhando em retrospecto, tem muitas e muitas vezes em que eu poderia ter sido melhor como pai. Depois que a Aurora nasceu, acho que fui um pouco melhor. Mas, ainda assim, tem muitas e muitas vezes em que poderia ter sido melhor ainda. Se a gente tivesse um terceiro filho, seria um pouco melhor do que fui para a Anita e a Aurora, mas, provavelmente, em cinco ou 10 anos, veria que tenho muito ainda para melhorar. Credito isso a não ter tido uma referência paterna, não tive pai. Não fui treinado para ser um bom pai. E, além de tudo, homens são treinados para ser o contrário do bom pai, o contrário do cara sensível, que se abnega para ajudar e dividir – e fazer mais do que dividir, inclusive. A Ana foi me incentivando a ser cada vez melhor, e muito do que sou hoje é porque ela brigou por isso.

ANA – É tenso (risos). E muito complicado. Nesses 13 anos em que estamos juntos, aconteceram muitas coisas de que não gostei, teve momentos muito difíceis e fui muito enfática em cobrar e deixar bem claro o que eu não gostava. E, em determinado momento, o Marcos começou a entender mesmo. E vejo que é um eterno aprendizado. Ele passou por um processo de descobrimento interno do que era legal fazer – ou tudo isso que venho falando há anos começou a fazer algum sentido para ele. Não gosto de dizer que homens são assim, as mulheres são assim, vejo muita diferença entre as pessoas. Tem homens que, sim, têm um modelo de um avô supercarinhoso, de um pai superlegal, e crescem achando que isto é o certo.

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Pergunta –  O livro do Piangers chama os pais a participar, mostrando o quanto isso é legal para eles e para as crianças. O da Ana convida as mulheres a relaxar, lembrar que não existe mãe perfeita, desmitificando a maternidade.

ANA – Gosto muito deste viés do Marcos de fazer um chamamento para os pais participarem mais e multiplicarem o amor na família. Acho isso lindo e tem efeito: as mensagens que chegam do quão transformador é o trabalho dele são maravilhosas. Do outro lado, a maternidade já tem todo esse encanto enquanto conceito. E, na prática, tem muitos momentos que são difíceis, do nascimento ao dia a dia mesmo. Se tu tem mais de um filho, é tanto “Mãe! Mãe! Mãe!”, tanto pedido ao mesmo tempo. Às vezes, minhas amigas me olham e falam: “Tu não vai atender?”. “Sabe por que não vou atender? Porque é impossível atender a duas pessoas diferentes que querem coisas diferentes ao mesmo tempo (risos)!” Então, opto por deixar a poeira baixar e fazer o que acho certo. Convivendo com outras mães, noto que as mulheres têm muita culpa. Se trabalha demais, é porque trabalha demais. Se trabalha de menos é porque trabalha de menos. Se fica muito tempo com os filhos é porque está estressada e não é legal com os filhos. Se fica nada de tempo com os filhos, se sente culpada. E, não sei por que, acho que tenho defeito de fábrica, nunca sinto culpa. Eu me dedico tanto para elas, faço as coisas do jeito que acho certo, pesquiso e me informo, que, quando uma coisa dá errado, não me sinto diretamente culpada por isto. Entendo que é da vida: a gente está se esforçando, mas as coisas acontecem. Talvez o meu livro seja isso: para a mãe que se sente incompetente por não ser nota 10 ler e pensar: “Ninguém é nota 10. Vamos ficar tranquilas, estamos fazer o melhor que a gente pode”.

O primeiro livro do Piangers teve grande acolhida. Faltam pais falando sobre filhos?

PIANGERS – Não esperava que o livro fosse fazer sucesso algum. São só histórias minhas, textos muito íntimos que escrevi para um caderno da Zero Hora (Vida), um público que eu sabia que era respeitoso. Demorei dois anos para colocar um texto daqueles no meu Facebook – tenho medo de redes sociais, acho os comentários muito agressivos. E aí, depois do que aconteceu com o livro, a exposição toda, fico o tempo todo querendo desistir dessa história que o livro iniciou. E, ao mesmo tempo, há uma missão de ser essa figura que incentiva os pais a serem mais presentes, essa referência que o livro virou – e que não fui eu que quis. Nunca pensei: “Vou ser esse pai perfeito para que todos se espelhem em mim, para que todo homem veja que cuidar dos filhos é bom para você mesmo, para seus filhos…”.

ANA – E para a sua esposa!

PIANGERS – É bom para caramba para a mulher e para você mesmo. Você vira um ser humano melhor. É um discurso verdadeiro, que tem eco em mim e que eu não esperava que tivesse eco em outras pessoas. No momento em que o livro vende 75 mil cópias, fico assustado de esses textos todos serem tão íntimos e estarem fazendo parte da vida de tantas pessoas, com muita vontade de dizer “Mano, não era minha intenção. Galera, vai viver a sua vida e vou viver a minha”, e com muita esperança de que a Ana pegue as rédeas dessa história toda e eu possa me esconder e ela ser a protagonista. Até porque acho que ela tem mais legitimidade para falar sobre criação de filhos e, inclusive, incentivar tanto mães a serem mais tranquilas quanto pais a serem mais participativos.
ANA – (risos) O que sobrou para eu falar? Por outro lado, não me sinto assustada: mandei meus textos para pessoas muito críticas antes de publicar.

Pergunta – Como surgiu a ideia de “A mamãe é rock”?

ANA – Sempre escrevi sobre as meninas. Tive um blog no clicRBS há muito tempo (Casa de Anita). Quando a Aurora nasceu, juntei um grupo de mães para o blog Quem Pariu que Embale. E eu dizia: “Gurias, vamos escrever só a verdade!”. Só que não tinha espaço para isso. Mesmo com o feminismo e tudo mais. Ainda no ano passado, a menina que fez o desafio da maternidade real (compartilhando suas experiências nas redes sociais) deu uma reclamadinha que estava cansada e tal e foi, em um primeiro momento, rechaçada. Eu estava com medo de alguns grupos odiarem meu livro e me atacarem na internet. Mas agora que vejo que as pessoas estão lendo e estou conseguindo passar a minha mensagem. Tem muitas mães desabafando, mas, como uma minoria que não tem tanto direito de voz, a gente fala em grupos fechados no Facebook. E fico muito feliz de poder estar explicitando isso.

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Pergunta – Vocês acabaram se tornando uma família pública. Como lidam com isso?

ANA – A Anita tem uma relação bem ambivalente. Gosta dos prós, como ir a um show e conhecer a cantora que adora, mas elas sentem um pouco da falta de rotina. Em relação às outras coisas, não posto muito, sou discreta, sou mais bastidores. Mas gosto de ter controle da minha imagem: se tu não falas o que pensas, se não mostras quem tu és, as pessoas imaginam coisas e acabam criando narrativas sobre ti. Então, prefiro criar algum conteúdo que seja legítimo. Fiz uma fanpage, a pessoa pública Mamãe é rock está ali. Tenho muitos amigos, mas essa coisa pública para mim é estranha. Essa coisa do Marcos de dar autógrafos e tirar fotos o tempo todo, para mim, não é agradável.

Pergunta – Você já comentou que há uma curiosidade em saber quem é a esposa do Piangers.

ANA – Tem vários tipos de abordagem: tem pessoas curiosas, tem quem queira me agradar porque gosta muito dele, tem quem chegue me falando várias coisas e dou uma opinião bem minha para delimitar o meu espaço (risos). Digo que, como feminista, sou a chata do WhatsApp: se está rolando um papo e eu não concordo, me pronuncio. Como mulher do Piangers, sou a mesma coisa. Uma pessoa me escreveu: “Adorei teu livro, mas a ex-mulher do meu marido…” e veio falar mal dela. Peraí, tu estás entendendo tudo errado. A culpa não é da ex-mulher do teu marido, é a relação que eles tiveram… Tenta ser amiga dela… Sou a pessoa que fala o que pensa e tem gente que não gosta…

PIANGERS – Sempre gostei disso na Ana: a coisa que mais me apaixonou nela foi a franqueza. Ela nunca foi uma pessoa que ficava fazendo jogo. Fala sempre o que pensa. Agora que sou muito público, em alguns momentos é constrangedor (risos). Mas é justamente o que me aproximou dela, essa autenticidade. Quando a gente se conheceu, eu fazia o Patrola e lidava mal com isso. As pessoas ficavam perguntando: “Tu é o cara da TV?”. Às vezes, dizia que não era. Depois de um tempo, acabei vendo que aquilo era só carinho. Hoje, sou o cara talvez mais atencioso de todos: fico até o final do evento, converso com todo mundo. Fiquei quatro horas em todas as sessões de autógrafos, e a Ana não aguentava mais (risos). Ela terminava a fila, dizia: “Agora não tem mais” (risos). E eu dizia: “Deixa, vem!”. E se alguém diz que não tem dinheiro para comprar o livro, eu mando pelo correio…

ANA – Eu que mando (risos)!

PIANGERS – Enfim, a gente envia (risos). Mas porque tudo isso é muito carinhoso e, principalmente, porque envolve as nossas filhas. Se a gente estivesse falando só da minha carreira, talvez eu fosse mais arrogante até, mas, como o carinho envolve as minhas filhas, me sinto obrigado a dizer que todo sentimento bom é bem-vindo e todo sentimento ruim é imediatamente bloqueado.

Pergunta – Que comentários sobre paternidade você mais escuta?

PIANGERS – Tenho recebido muito mais o cara que mudou do que o cara que ainda acha que o mundo é antigo. Me parece que o livro, sem eu ou a editora planejar, pegou um pensamento do tempo, um momento em que o pai queria participar mais, estava participando e gostando daquilo e ainda não tinha uma referência, alguém falando sobre isto. O que chega muito em mim é “Ser pai é incrível. Adoro o que você escreve porque sinto igual”, “Comecei a escrever as histórias dos meus filhos”. Anteontem, um cara me falou: “Só eu dou banho no meu filho”. E é superlegal! Óbvio que tem exceções, mas os homens estão descobrindo agora essa magia da paternidade: e é por isso que meu texto é muito mais sentimento que racionalização ou planejamento.A mamãe é rock é mais vida real, e O papai é pop é mais idealização.

Pergunta – Ana, seu livro traz a tabela de sobrevivência dos casamentos do século 21, listando as tarefas do dia a dia e com um espaço em branco para cada casal colocar ali o responsável. como funciona para vocês?

ANA – Tenho um podcast feminista com umas amigas, o Falo & Falo, e disse que estava muito estressada e decidi fazer uma lista de todas as coisas de casa, o trabalho invisível. Chamei o Marcos e a Anita para conversar. Estava à beira de um ataque de nervos: “Gente, olha, tem isso, isso e isso, e olha quem faz – Ana, Ana, Ana… Cara, não aguento mais”. E foi bom, porque acho que eles são mais visuais do que eu, precisam ver as coisas escritas. E propus ao meu grupo fazer um imã de geladeira com essa tabela para libertar as pessoas. Mesmo que o marido não vá dividir, a mulher vai preencher e se dar conta de que está errado.

Pergunta – Então, já deu resultado?

ANA – Sim. O Marcos viaja muito, mas, quando está aqui, o lance do banho é total com ele.
PIANGERS – Botar para dormir também.
ANA – Levar o lixo é com ele.
PIANGERS – Eu adoro lavar louça, envolvo as meninas, uma seca, uma guarda… É meio Mary Poppins quando você envolve elas brincando com o processo.
ANA – Minha missão agora para agosto é roupa, eles podem se envolver mais. A máquina lava, mas não estende, não guarda, não dobra…

As filhas: Anita e Aurora

As filhas: Anita e Aurora

Pergunta – A gente vive um momento em que muito se fala do empoderamento feminino. Como pais de duas meninas, como vocês pensam a educação delas nesse sentido?

ANA – Fui criada no meio de dois irmãos e nunca ouvi que não poderia fazer tal coisa porque era menina. Cresci não aceitando que exista um mundo para homens e outro para mulheres. Talvez o Marcos não tenha sido criado assim, e muitos dos nossos embates se travam nessa linha, mas a gente está criando as meninas muito de acordo com esse conhecimento que construímos juntos. Vejo que, apesar de eu ter esse anseio por liberdade, ser feminista e falar o que penso, o Marcos traz uma leveza de liberdade… Acho muito bonitas as conversas que ele tem com elas. Por exemplo: quando a Anita era menor e falava que gostava de um guri, o Marcos ficava horas conversando com ela sobre o assunto. Acho que estamos criando as meninas muito conscientes. Não as imagino passando o trabalho que vejo muitas mulheres passando ainda no século 21.

PIANGERS – A gente não percebe que vai criando homens com essa pecha de comedores e mulheres que têm que ser mais retraídas e certinhas. Amigos nossos com filhos homens e mulheres: o menino sobe em cima da mesa, mostra o pinto, e todo mundo dá risada. A menina rebola um pouquinho, e o pai diz: “Para de rebolar, arruma essa roupa”. Quando você vê um negócio desses na sua frente, pensa: “O que está acontecendo?”. Muitas pessoas ainda são cegas para isso, eu fui durante muito tempo. Perceber que a gente educa as crianças de maneira diferente e que isso tem impacto lá na frente para as mulheres ganharem menos e serem mais assediadas, é muito impactante para um pai de duas meninas. Elas têm que fazer o que puderem para se impor, e, se possível, o resto da galera toda tem que melhorar a vida delas. Meu sonho é que minhas filhas sejam totalmente felizes, poderosas e elas mesmas. Sei que é possível porque já conheci mulheres assim. As pessoas dizem “Ah, virou fornecedor, vai se incomodar quando as tuas filhas ficarem adolescentes”. Quero mais que elas namorem, tenham um namorado bem massa, que as trate bem. Que, na hora de fazer sexo, elas sejam felizes com a questão sexual, que saibam que vão engravidar se vacilarem e que drogas são uma parada meio perigosa… E que a gente entenda que todos esses medos que a gente tem de falar dessas coisas bloqueiam a possibilidade de ser um conselheiro para a vida toda.

LANÇAMENTO

Piangers e Ana farão sessões de autógrafos de O papai é pop 2 e A mamãe é rock no dia 29/07, às 19h, na Livraria Saraiva do Shopping Praia de Belas (Av. Praia de Belas, 1181)

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