Sem Photoshop nem neuras: ensaio celebra o corpo e a beleza na maternidade

Caue Fonseca, especial

Que atire a primeira chupeta a mãe que nunca se incomodou com manchetes do tipo: “Atriz mostra corpaço 30 dias depois de gravidez”. Fora das redes, onde as mamães não vivem da sua imagem, não contam com personal trainers e, ainda por cima, estão cuidando de um bebê, a relação com o corpo durante a gravidez e após o parto é bem mais complicada. Mas, para a arquiteta Paula Posser, não necessariamente menos bela.

– Não condeno uma atriz ou uma modelo por querer entrar em forma o quanto antes. Mas nesses casos o corpo é o objeto de trabalho. O que podemos fazer é não salientar apenas essa beleza sarada e auxiliada pelo photoshop, mas exaltar a beleza também do corpo em transformação, do corpo com cicatrizes, com estrias. Enfim, do corpo real – declara Paula.

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Daí a ideia do ensaio Mãe. Beleza Real. As fotos vieram após uma parceria entre as marcas Arquiteta do Amor, de Paula, e Gringa, da empresária Rafaela Reck, para desenhar uma lingerie que fugisse dos modelos tradicionais disponíveis para gestantes e lactantes. A principal reclamação das mamães se resume a quatro letrinhas.

– Bege, bege. Tudo em bege! Minhas amigas que engravidavam ou tinham bebês recém-nascidos reclamavam que não encontravam sequer lingeries coloridas para essa fase da vida. Parecia que a roupa fazia parte desse discurso de que agora, que você tem um filho, você é uma mulher sem graça – conta Paula.

Uma vez desenhada uma linha de lingeries de corte delicado, mas pensadas para receber um corpo em fase de mutação – a cintura é elástica e o sutiã tem cinco colchetes, para variar conforme a mãe perde peso enquanto amamenta –,  a fotógrafa Amália Gonçalves entrou em cena para divulgar a marca de um forma diferente.

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As mães foram retratadas não em poses sensuais, mas no seu cotidiano. As fotos não receberam tratamento e as imperfeições do corpo não foram disfarçadas.

Segundo as organizadores, as modelos foram encontradas a partir de um chamamento discreto nas redes sociais. Era esperada meia dúzia de respostas, mas quando a notícia circulou em um grupo de mães do Faceboook, apareceram mais de cem candidatas. A maioria delas dizendo que estava precisando de algo para elevar a autoestima.

Neste Dia das Mães, Donna exibe algumas das fotos do ensaio, realizadas em novembro passado, e relatos das mães participantes. Uma mais bela do que a outra, cada uma à sua maneira.

Andrea Fontoura, mãe do Gabriel e da Nina

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Eu trabalho como doula, e o que percebo é que a mulher precisa parir, antes do filho, a ideia de quem ela quer ser como mãe. A mídia é cruel na representação da mulher. Encontro mulheres que emagreceram super rápido depois da gravidez, voltaram ao trabalho, estão lindas, mas me dizem que se sentem deprimidas. Daí eu pergunto: a mulher quer ser essa supermãe? Ela se sente feliz assim? Percebo um movimento de retorno para a casa. Mães olhando mais para elas mesmas e pensando o que querem ser. Este projeto ajuda a estimular esse debate.

Luciene Nascente, mãe da Maria Eduarda e da Ana Lya
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Diferentemente das outras mães do projeto, tenho filhas já crescidos, de 14 e nove anos. E um corpo, portanto, que já passou por muitas fases da vida. Foi engraçado posar assim, na minha casa, em volta das minhas coisas, com meus pais e minhas filhas acompanhando. Só o meu marido não acompanhou as fotos.

patricia guterres

Quando a Paula divulgou o projeto, eu só achei legal e dei uma curtida. Respondi mesmo ao chamamento em uma segunda postagem dela, quando ela disse que queria ter mais mães negras no ensaio. Sobre isso de as pessoas se importarem apenas com a criança, eu vejo que esse comportamento é mais de quem nunca foi mãe. Quem já foi, sim, me pergunta: ‘sei que a bebê está bem, eu quero saber é como tu estás’.

Brenda Ottero, mãe do Arthur e do Pedro

brenda ottero

Posei explodindo de grávida, com oito meses, e estava bem nervosa com poses, com maquiagem, e relaxei ao perceber que elas não queriam nada disso no projeto.

Nessa minha última gravidez, me senti melhor, mais madura, mas minha recordação da primeira vez, aos 28 anos, era de eu ser uma barriga. E depois do parto, não ser mais ninguém. Esse projeto é importante para mostrar que a mãe está ali, que pode ser sensual, bonita. Uma pessoa à parte do bebê.

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Larissa Berbigier, mãe da Joana

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Passamos por uma mudança no corpo impossível de compreender para quem não é mãe. Além de eu não entrar mais nas minhas roupas, tudo que era novo era bege. Isso é muito chocante quando se é mãe de primeira viagem, como era o meu caso. Talvez o que eu mais tenha gostado é que me enxerguei bonita no meu cotidiano. Não posando, só dando papinha para a Jojo. O resultado ficou lindo. É um carinho para uma mãe. Um upa.

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