Socorro, seu filho come mal? Veja as dicas da nutricionista Gabriela Kapim, do GNT

Foto: GNT, divulgação
Foto: GNT, divulgação

A cada refeição é a mesma novela: você inventa novas receitas, oferece coisas saudáveis mas eles simplesmente batem pé e resolvem que não vão experimentar alimentos novos ou comer aquela verdura ou legume que você preparou com tanto carinho. E nesse momento você se desespera sem saber se está o que está fazendo – e oferecendo – é o certo.

Prestes a estrear uma nova temporada do programa Socorro, Meu Filho Come Mal, exibido no Canal GNT todas as sextas-feiras, às 21h30min,  a nutricionista Gabriela Kapim conversou com a Revista Donna e respondeu às dúvidas mais comuns.

Hoje em dia, muitos pais se sentem “reféns” da alimentação  saudável. Tudo o que pensamos em oferecer parece não ser saudável o suficiente. Mas até que ponto devemos nos preocupar tanto com isso?
Os pais devem se preocupar até que seus filhos comam frutas, legumes e verduras com frequência e naturalidade. Enquanto isso não fizer parte da rotina de fato, os pais precisam ficar empenhados para que passe a fazer. Se tiver frutas legumes e verduras na rotina, não é um biscoito recheado eventualmente, um chocolate, uma fritura de vez em quando que vão fazer mal. Enquanto não houver o consumo de fibras, vitaminas e minerais, de maneira adequada na rotina, esses alimentos são muito prejudiciais à saúde.

O que realmente deve ser evitado na alimentação das crianças?
Devem ser evitados diversos alimentos como biscoitos recheados e aqueles conhecidos como “isopor”, frituras, refrigerante, doces e açúcar. Quanto menos disso tudo no cardápio, melhor.

Pais que comem mal terão filhos que comem mal?
Pais que comem mal provavelmente em algum momento vão ter filhos que comem mal, porque as crianças vão começar a entrar em conflito com o discurso e com as atitudes dos pais, considerando que são divergentes. Em algum momento elas vão questionar – e os argumentos das crianças geralmente são bem pertinentes.

O que você acha da estratégia de recorrer ao tablet ou celular para que os filhos parem na mesa e se alimentem?
Isso mostra que há uma lacuna de interesse dos pais em seus filhos. Eu acho muito importante quando os pais sentam-se à mesa e olham no olho do seu filho e perguntam como foi seu dia, o que tem feito, como está a vida. É um momento de troca. As crianças querem atenção. Se não tem atenção, olho no olho, eles buscam isso eu outro lugar, como os tablets mesmo, por exemplo.

Qual a idade correta para os pais começarem a apresentar os alimentos para as crianças? Em que momento as crianças começam a distinguir e selecionar seus gostos. E como deve ser feita essa introdução de forma que eles se familiarizem com todos os gostos e texturas?
As crianças devem começar a comer alimentos desde os seis meses de idade. Até os seis meses, o ideal é que a alimentação seja exclusivamente o aleitamento materno. Daí em diante, já podem comer frutas, legumes e verduras, aos pouquinhos, variando gostos, texturas e temperaturas. O ideal é que se procure uma nutricionista para fazer esse processo, pois ela terá uma capacidade maior de orientar cada mãe e bebê de acordo com a rotina, com os horários, que tipos de alimentos serão introduzidos em cada refeição e como que vai ser esse processo no dia a dia.

Na sua casa, como é? Você é radical na alimentação dos seus filhos ou eles podem dar uma “escapadinha” de vez em quando?
Na minha casa eu sou radical com a alimentação dos meus filhos sim. Temos regras muito claras: os cinco mandamentos da alimentação saudável (veja abaixo) são cumpridos diariamente dentro da minha casa, mas é óbvio que às vezes a gente dá uma escapulida. No meu discurso, a escapulida é permitida. Então o importante para a alimentação saudável é a rotina. Se a rotina estiver equilibrada e adequada, escapulidas serão permitidas. Elas fazem parte do processo e da vida, não vai ter problema nenhum.

Como saber que a criança já está bem alimentada, mesmo que não tenha devorado o prato gigante que foi servido a ela?
Caso a criança não queira comer tudo não tem problema. Reserve a comida e, na hora que ela pedir algo para comer, você ou oferece novamente a refeição que ela não comeu (caso tenha comido muito pouco) ou espera um pouco. Peça para a criança esperar até a próxima refeição. Se a criança na hora da refeição come pouquinho e dali a meia hora pede uma sobremesa, uma vitamina, um lanche, é porque de fato ela está enrolando na hora da refeição, para ganhar a próxima refeição, na qual ela provavelmente tem um pouco mais de facilidade em comer ou de alimentos que ela goste mais.

Muitos pais acabam tornando a refeição como uma moeda de troca. O eterno “comer tudo versus ganhar o doce após a refeição”. Como isso pode ser prejudicial para as crianças a curto e longo prazo?
Quando a gente oferece doces em troca da criança comer todo o prato, estamos indiretamente dizendo que o doce é mais importante, mais gostoso ou mais fundamental que o prato principal. A gente está estimulando e formando um valor de que o doce é mais interessante porque a recompensa é sempre melhor do que o desafio. Nesse jogo de recompensa, a gente vai ensinando para a criança que o doce é mais legal. As consequências dessa prática resultam em uma criança que só come o prato principal para depois comer doce. Isso se torna o estímulo dela e, a longo prazo, pode desenvolver obesidade e diabetes, por exemplo. Por outro lado, a criança que não gostar muito de doce vai gostar menos ainda do prato. Negociações com doces e “comidas xexelentas” não são adequadas e nem um caminho a ser seguido.

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Existe alguma quantidade mínima que possamos chamar de permitida para a criança ingerir de doces?  E a partir de qual idade seria o ideal?
A Organização Mundial de Saúde recomenda que a gente só apresente o açúcar a partir dos dois anos de idade e não há uma diretriz de medida de açúcar. Então, quanto menos açúcar ao longo da vida inteira a gente consumir, melhor. Nada que é em excesso faz bem à saúde.

E a eterna preocupação com a lancheira da escola? O que você sugere colocar? Pois, para fugirmos dos industrializados seria preciso substituir esses alimentos. Mas e como saber que mesmo os naturais não estão fazendo mal?
Há muitas opções de lanches para as crianças que gostam de comer bem. É importante dar preferência às preparações caseiras. Os industrializados são prejudiciais para as crianças. Esses sucos de caixinha, achocolatados e afins são cheios de conservantes, corantes, assim como aqueles biscoitos de “isopor”. Para beber recomendo sempre água. O suco, mesmo que natural da fruta, não vai ter as mesmas propriedades até a hora do lanche das crianças. É legal também que o líquido seja ingerido só depois de meia hora depois de comer o lanche. Algumas opções são bolos caseiros, muffins caseiros, palitinhos de vegetais (cenoura, pepino…) sanduíches coloridos com alface, tomate, cenoura, pastinha de ricota com cenoura, ervas, tomate seco, quibe assado, bolinho de arroz, bolo de cenoura, bolo de laranja e vários outros alimentos.

Se eu der um alimento ao meu filho uma, duas, três vezes e ele continuar relutante a comer (como alguma verdura, por exemplo), devo seguir insistindo ou procurar algum que substitua esses nutrientes?
Depois que você tentar várias vezes, pode procurar algum alimento que substitua o outro. É importante que esse novo alimento seja equivalente. Então não vale substituir um prato de comida por uma vitamina, pois isso não é equivalente. Vale, por exemplo, substituir um chuchu por uma abobrinha.

Algum truque “mágico” para os filhos experimentarem novas texturas e sabores?
O truque é… oferecer! Insistir para que a criança experimente, preparar a comida junto, deixar a criança escolher qual alimento ela vai experimentar e não impor o que ela vai experimentar. Pedir que escolha o que ela vai experimentar, mas deixando claro que não tem como não comer, mas permitindo escolher o que quiser. Dar autonomia para a criança é uma boa estratégia.

CONHEÇA OS 5 MANDAMENTOS DA GABRIELA KAPIM QUE SÃO APLICADOS
NO PROGRAMA E NO SEU CONSULTÓRIO:

⦁ Comer sentado à mesa
⦁ Comer sem distrações
⦁ Comer sozinho
⦁ Ter cinco cores no prato
⦁ Experimentar novos alimentos

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