Celia Ribeiro: Dior com o new look de um belga

Em 1947, após o final da guerra, Christian Dior lançou o New Look, nome dado pela editora da Harpers Bazaar quando o estreante na alta-costura parisiense lançou sua revolucionária coleção para uma mulher que tornava a ser chique. As manequins de Dior usavam modelos de cintura fina, saia godê abaixo do joelho, blazer curto e rodado. Lembro-me das saias rodadas de baixo em tafetá xadrezinho preto e branco, com barra plissada, que nós, mocinhas daquele tempo, fizemos. Elegante era, ao sentar, a gente deixar aparecer aquela barrinha. E assim Dior ganhou as ruas com seu new look.

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Ao assistir ao documentário Dior e Eu, entramos nos bastidores do desfile de lançamento do belga Raf Simons, em 2012, como estilista da grife Dior. Raf foi assessor da grife alemã Jil Sander. Será que ele faria para Dior uma moda minimalista como a da Sander? Raf chegava após tentativas desastradas de outros nomes, inclusive o de John Galliano, demitido ao declarar que amava Hitler.

O cenário de um palacete com as paredes revestidas de flores naturais acabou ditando moda na decoração de festas. O filme registra a tensão nos preparativos da execução de Raf ainda em toile (algodão). Superexigente, ele não aceita o “impossível” para produzir a tintura dos fios, em vez de no tecido, reproduzindo uma tela abstrata numa das paredes da maison Dior.

No meio do filme, há uns 15 minutos em ritmo lento que podem causar sono em espectadores menos afeitos a moda. Não se assustem: eles precedem o “boom” do desfile com modelos coloridos, em que os tecidos maravilhosos ganham luz. Apesar de ter se negado a aparecer na passarela ao final, Raf Simons recebeu chorando os aplausos. Recomendo o documentário também a publicitários e organizadores de festas. Dior e Eu é uma lição de comunicação e preservação de uma marca.

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Sabe-se que o convite precisa estar de acordo com o espírito da festa. Como sinal dos tempos pesados, elas são divertidas e descontraídas através de algo especial. Assim foi o aniversário de Eliana Pandolfi, pedindo no convite que as convidadas e os convidados (esta a novidade) comparecessem de chapéu. Para as mulheres, foi fácil – foram vistos muitos fascinatorts. Os homens tiveram de alugar chapéus urbanos, predominando o estilo Al Capone.

Enfeites de cabeça determinados no convite podem ser o diferencial das convidadas de uma festa, que promete ser divertida ao pedir um red touch na cabeça (toque vermelho). Pode ser uma flor, uma tiara, um tope de fita no penteado – mas um fascinator maior já seria demais. Ao usar o red touch, independentemente da faixa etária, a convidada mostra que acompanha o espírito do encontro social.

 

Etiqueta na prática

Na plateia

Estamos em plena temporada do Porto Alegre em Cena, com uma programação intensa de espetáculos teatrais, dança e shows musicais. Vale a pena dar lembretes.

Boas maneiras

Convém sempre chegar meia hora mais cedo, especialmente se não houver ingressos numerados, para não perturbar espectadores e os artistas no palco ao fazer levantar as pessoas em seus lugares. Quem chega com a plateia já escura fica de pé, próximo à porta de entrada. Namorados com as cabeças juntas impedem a visão do palco de quem se senta atrás. Comentários e a luz dos celulares perturbam a plateia e os artistas.

Uso do walkman

Ouvir música com fones no ouvido é uma das agradáveis práticas para fazer exercício, tanto caminhando numa praça quanto correndo na esteira de uma academia.

Gentileza

O walkman surgiu em 1979, nas lojas do Japão, lançado pela Sony, sem perspectivas de êxito comercial, mas fez logo sucesso. É uma das formas de o tempo passar mais depressa, isolando-se do entorno. Por isso, não se interrompe um conhecido que anda na praça concentrado no seu som. Muito usado durante viagem, se estivermos acompanhados, avisa-se ao colocar os fones no ouvido e, depois de algum tempo, se oferece para o outro ouvir música, demonstrando que não está sendo esquecido.

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