Com loja inaugurada ao lado de SC, a Louis Vuitton se aproxima do Sul

Entre as marcas mais desejadas do mundo, a grife francesa abriu um espaço em Curitiba

Fachada da loja da maison francesa inaugurada na capital paranaense
Fachada da loja da maison francesa inaugurada na capital paranaense Foto: Cristiano Santos

O reflexo de uma araucária na vitrine da primeira loja Louis Vuitton no Sul do Brasil, aberta recentemente em Curitiba, é carregado de significados. A árvore-símbolo de nossos vizinhos representa a proximidade dos catarinenses das grifes de luxo que há uma década não pensavam em fincar suas raízes além do eixo Rio-São Paulo.

Para cliente catarinense, o estilo atemporal da marca é um chamariz.

Quando, em 1864, o francês Louis Vuitton começou a criar baús e malas de viagem nem sonhava com o status que seu nome alcançaria no universo da moda. Nos mais de 150 anos de atividade, a maison explica o sucesso através de duas razões básicas: um nível de qualidade baseado num know-how tradicional e a capacidade de evoluir em resposta às mudanças.

Estas mudanças incluem a expansão em mercados emergentes. E o país, mesmo com as inconstâncias da economia, segue na linha de frente entre os novos ricos.

– É um passo importante dentro da nossa jornada brasileira. Alinhado com o nosso espírito pioneiro, é importante sermos a primeira marca presente nos mercados de luxo em evolução – declara Valérie Chapoulaud- Floquet, presidente e CEO da Louis Vuitton Américas.

Evolução é outra palavra que os franceses se habituaram a usar como mantra. Em 1997, decididos a entrar no prêt-à-porter, sapatos, acessórios, relógios e joias, os proprietários contrariaram meio mundo ao contratar um norteamericano. Marc Jacobs soube como ninguém trazer a modernidade que a marca precisava preservando a tradição, uma de suas marcas registradas e valor inestimável diante dos consumidores.

– A maior realização do Marc Jacobs foi não ter se perdido. O leitmotiv da LV é a viagem. É uma grife que nasceu e sempre esteve ligada ao movimento, ao ir e vir -comenta Daniela Falcão, editora da revista Vogue Brasil, em um workshop sobre o universo Louis Vuitton durante o exclusivo lançamento na capital paranaense.

Transformada em objeto de desejo para diferentes classes sociais e copiada aos montes nos camelódromos, a LV e seu inconfundível monograma se mantém como a maior marca global de moda. Questionado sobre o excesso de plágios, Marc se saiu bem ao afirmar que a diferença entre uma bolsa falsificada e uma verdadeira está na mulher que a usa.

Na loja de Curitiba, projetada pelo grupo Branco & Preto, os consumidores encontram de acessórios femininos a sapatos e gravatas para os homens. Os preços variam bastante com bolsas de R$ 2,4 mil a R$ 22 mil. O lado esquerdo do espaço, localizado no shopping Pátio Batel, exibe uma coleção de acessórios de viagens. A coleção Rare & Excepcional Leather Goods está posicionada em um salão privativo. Os artigos de couro exótico como phyton são feitos nos ateliês da maison em Asnières, perto de Paris.

Marc Jacobs

Pode parecer um caminho óbvio entre os criadores de moda, mas é a aversão às tendências que transformou Marc Jacobs em um dos nomes mais importantes da moda mundial.

O norte-americano, que desde 1997 comanda a criatividade da Louis Vuitton, é conhecido por caminhar na contramão em suas criações. Um exemplo? Quando todos apostavam no safári, ele abusou do romantismo. Ele é responsável pela união da arte com a moda em parcerias badaladíssimas e nunca antes vistas neste universo – do grafiteiro Stephen Sprouse passando pelo japonês Takashi Murakami até os brasileiros OsGêmeos.

 
Foto: Ludwig Bonnet/Divulgação

Criado pela avó, que o ensinou tricô e crochê, Jacobs se formou na Escola de Arte e Estilo de Nova York em 1981. Contratado como aposta pela tradicional marca Perry Ellis fez em 1992 um desfile inspirado no grunge. Recebeu uma saraivada de críticas, foi demitido, mas ganhou apoio de figurões do quilate de Anna Wintour, diretora da Vogue americana.

Quando chegou à LV, estava acima do peso, usava óculos de grau e abusava do álcool e das drogas. Anos mais tarde, livrou-se do passado, malhou e posou nu para a campanha de um de seus perfumes. Enquanto suas clientes abusam do luxo e do glamour, o estilista já foi visto usando kilt (o saiote escocês) e pijama.

Além da Louis Vuitton, ele comanda outras marcas, a Marc Jacobs e Marc by Marc Jacobs. Entre suas predileções nas artes e na música estão Marcel Duchamp, Karen Kilimnik, Damien Hirst e Sonic Youth, Rolling Stones e Nirvana. Apaixonado pelo Brasil, namora atualmente o ex- ator pornô Harry Louis, de Minas Gerais.

Garotos-propaganda

Com um marketing agressivo, as campanhas de moda da Louis Vuitton são esperadas a cada estação. Além de supermodelos, estrelas da moda, música, cinema e esporte já protagonizaram as peças publicitárias da marca.


Maradona, Pelé e Zidane – 2012 

Artes plásticas

Uma das mais fortes características do legado de Marc Jacobs na Louis Vuitton é a parceria para criação de bolsas, acessórios e roupas com artistas plásticos. Algumas das peças esgotaram antes mesmo de chegar às lojas e foram copiadas por diversas marcas mundo afora.

Yayoi Kusama – 2012

O repórter viajou a convite da Louis Vuitton.

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