Como o street wear vem influenciando tudo o que vemos nas passarelas

Uma das tendências mais fortes desta edição do São Paulo Fashion Week – que apresentou coleções de desejo imediato e não mais para a futura estação – é reflexo do que está rolando em vários pontos do mundo: um flerte entre a moda de rua e a passarela, um mix entre o conforto e o glamour, um híbrido entre o deboche e a elegância.

Esse estilo que desconstrói o clássico com forte influência de ícones do streewear surgiu nas coleções da À La Garçonne, da LAB, da Ratier, da Just Kids, de Coca Cola Clothing, de João Pimenta, e também pontuou passarelas que conversam com um público, por assim dizer, menos ousado, como a da Animale e a da A.Brand.

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Os ecos mais fortes dessa deliciosa subversão surgem da Paris, com a Vetements, que em poucas temporadas tornou-se totalmente “edgy”, agora a melhor tradução do que é cool e fresco. A Vetements rompe com a modelagem convencional, fazendo com que tudo pareça um pouco fora do lugar, um pouco errado, um pouco frouxo, como as mangas longuíssimas, as calças sobrando tecido, os ombros desencaixados, tudo oversized, assimilando códigos de culturas periféricas. O hoodie, aquele moletom tradicional com capuz e bolso frontal, ganha status de protagonista e surge em inúmeras versões, exatamente como rolou nos desfiles do SPFW.

vetem

E assim como o coletivo francês, várias marcas seguem esse mesmo caminho, vide a americana NSF, com uma tradução fresca e despojada do american way of life, na recente Nicopanda, de Nicola Formichetti, que traz forte influência das ruas de Tóquio junto a roupas e imagens vintage e uma forte auto-ironia, e até mesmo o precursor Rick Owens, com seu funk urbano que sempre causa furor pelas fortes imagens.

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Por aqui, esse street de passarela segue as mesmas características, mas sempre, é claro, com interpretações pessoais de cada designer. Na À La Garçonne, por exemplo, ganha sofisticação em peças de aroma vintage e tecidos reutilizados, em pinturas à mão, em combinação com rendas e em modelos bastante esportivos, principalmente os assinados em parceria da marca, que tem direção criativa de Alexandre Herchcovitch, com a Hering. O que fica de imediato pra fazer já: moletom com saia de renda.

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Na LAB, o street encontra a África e o Japão, com sobreposições, muita amplitude, contraste de comprimentos e cores de força, como preto, branco e vermelho. O quimono é reinterpretado, e a estamparia é de muito impacto, um tanto África, um tanto Japão, muito rua. Aposte nas calças mega-amplas e nos coletes com capuz.

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A Ratier olhou para os anos 1980, trouxe uma alfaiataria oversized em tecidos casuais junto a calças jogger, shorts esportivos, camisetas com capuz, cardigãs alongados e muitas parkas. Ah! Anote aí: a parka bem molenga, grandona e em tecidos esportivos, como os náilons leves, é uma das peças da vez juntinho do moletom.

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E por falar em moletom, ele foi a estrela do desfile de estreia do projeto Just Kids, que brincou com frases de efeitos, matérias-primas e proporções. A JK também aposta no moletonzão combinado a peças de puro glamour, vide as saias de tule. Por sinal, essa receita já era sucesso nos corredores do SPFW e promete ser a primeira a ganhar as ruas. Portanto, use logo antes que essa imagem desgaste porque com tendências do agora é assim mesmo, imediato, pra ontem.

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Falando em ver e usar já, um resumão de todas as trends dessa corrente decorou a passarela da Coca Cola Clothing, que foi a mais literal, seguindo muitos mais as peças do que a onda. Na passarela, até mesmo as mangas longuíssimas marcaram forte presença. Os jeans superamplos eram lindos.

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E pra finalizar, João Pimenta, e seu belo desfile totalmente sem gênero, que fez meninos e meninas suspirarem pelas peças. Pimenta usou geometrias, modelagens amplas e tons doces para falar deste novo street, que preza o cobiçado conforto que precisamos hoje. Vai aderir?

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