Confeccionadas com tiras de náilon, pulseiras OTAN fazem o contraponto despojado com relógios de alto calibre

Quatro marcas clássicas da relojoaria aderiram à pulseira: Heritage Ranger, Bell & Ross, Chopard e Hamilton
Quatro marcas clássicas da relojoaria aderiram à pulseira: Heritage Ranger, Bell & Ross, Chopard e Hamilton

Guy Trebay, The New York Times

James Bond ficou com toda a glória, mas Pussy Galore o usava melhor. Lá está ela, em uma cena do imperecível 007 Contra Goldfinger, em cima da asa de um avião leve, usando um colete justo de cetim sem mangas e calças pretas confortáveis, com o perfil emoldurado por uma juba cor de mel que era a marca registrada da atriz Honor Blackman.

Sua mão esquerda está apoiada no para-brisa da aeronave. No seu pulso, um robusto Rolex GMT Master em uma pulseira de náilon primorosa.

O James Bond de Sean Connery também tinha preferência pelas mesmas pulseiras resistentes em seus belos relógios; era um dos inúmeros detalhes da elegante indumentária dos filmes de James Bond que devem continuar a ser referência para os formadores de opinião por toda a eternidade. Curiosamente, porém, a pulseira listrada do Rolex Submariner de Bond em 007 Contra Goldfinger é acanhada, estreita demais para o relógio que sustenta. Talvez fosse essa a intenção… Ou, talvez, o responsável por sua fabricação tivesse saído para almoçar quando o relógio foi feito.

A dimensão da pulseira de Pussy, por outro lado, é perfeita para um relógio um pouco grande demais para a maioria das mulheres da época, embora bem calibrado para uma personagem que, no romance original de Ian Fleming, era uma ladra lésbica que liderava uma gangue feminina do Harlem chamada “As Misturadoras de Cimento”.

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A personagem Pussy Galore (Honor Blackman) notabilizou o Rolex em uma pulseira de náilon, que voltou a ser tendência

Muitos se referem a esse tipo de pulseira como OTAN. Se ela é de fato uma OTAN, isso é assunto de considerável debate na Internet, como a maior parte do que tem a ver com o mundo dos relógios finos e de James Bond.

Assim designada por conta da Organização do Tratado do Atlântico Norte, embora provavelmente tenha sido criada para as forças armadas britânicas, a pulseira OTAN clássica é uma tira de náilon liso tecida com duas alças de aço inoxidável e uma fivela de metal. Como Bond e Galore, ela é dura, resistente e difícil de matar.

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Além disso, as pulseiras OTAN são uma tendência bem visível atualmente. Pelo menos foi o que se observou durante a enorme feira de relojoeiros Baselworld, realizada na Suíça entre março e abril deste ano, quando vários relojoeiros mostraram o trabalho dispendioso que tinham realizado sobre as pulseiras da OTAN, e antes disso, nos pulsos dos hipsters, que ainda são os desbravadores mais confiáveis em matéria de estilo.

Os puristas as odeiam. As pulseiras da OTAN “não deveriam estar em nenhum relógio que custe mais do que elas”, disparou um especialista autodeclarado, conhecido como Watch Snob, na internet. Aliás, acrescentou ele, elas não têm que ser usadas em relógios aos quais “uma pulseira de couro possa ser anexada”.

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Elas fazem com que aqueles que as usam pareçam “reles”, conclui o Watch Snob, embora esse ponto de vista possa ser colocado em questão pelo belo equilíbrio de uma pulseira OTAN usada com o Heritage Ranger preto da Tudor (a pulseira camuflada produzida pela renomada empresa familiar francesa Julien Faure); ou o laranja vibrante do Carbon Orange da Bell & Ross, um relógio quadrado cujo esquema cromático foi inspirado pelo instrumental da aviação; ou a faixa de náilon Khaki Pilot Pioneer, da Hamilton, com o relógio trabalhado em alumínio; ou mesmo do Grand Prix de Monaco Historique, da Chopard, feito de titânio.

A pulseira OTAN é capaz de elevar o nível mesmo do mais opulento desses relógios. Com ela, eles ganham um descolado toque de “Goldfinger”.

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