Cris Guerra vai falar de moda intuitiva no Donna Talks de Joinville

Cris Guerra começou sua trajetória na internet em 2007, escrevendo o blog Para Francisco (que virou livro em 2008). Um mês e meio depois, estreou o primeiro blog de looks diários do Brasil, o Hoje Vou Assim. Os dois blogs foram impulsos naturais para a publicitária se transformar em escritora, colunista e fashionista conhecida. Nesta entrevista, ela fala sobre a sua relação com a moda, suas referências, o que as mulheres precisam levar em conta na hora de se vestir e como a intuição é fundamental na descoberta de um estilo pessoal. Tudo isso será tema do Donna Talks, que ocorre no dia 30 em Joinville.

 

Quando surgiu, lá em 2007, o Hoje Vou Assim foi inovador no Brasil. Como foi a criação do blog?

Cris – Foi preciso um fato trágico para que a moda fizesse parte da minha vida profissional. Com a morte do meu marido, pai do meu filho, quando eu estava grávida de sete meses tive um primeiro impulso e criei o blog Para Francisco. Blogar todo dia virou terapia de elaboração do luto. Um mês e meio depois, tive outro impulso ao chegar na agência de publicidade para trabalhar e achar que minha produção naquele dia estava bacana. Resolvi fotografar o look e criei o Hoje Vou Assim. Os dois blogs, opostos, foram frutos de uma vontade imensa de me expressar – no Para Francisco eu lidava com a tristeza e no Hoje Vou Assim eu cultivava a alegria.

Você imaginava que um blog com o seu look do dia definiria o futuro da sua carreira?

Cris – Nem passou pela minha cabeça no início, mas ao longo do primeiro ano pude perceber que o blog tinha um potencial enorme. Fiquei surpresa com as reações e com o alcance, numérico e geográfico, dos meus looks.

Como você se relaciona com a moda, sendo uma referência de moda?

Cris – Desde criança tenho uma relação próxima com a moda. Começou com as roupinhas compradas na Feira Hippie todo domingo, para vestir a minha boneca Susi. Hoje, tenho uma relação mais equilibrada com a moda e menos consumista. A moda me permitiu ir desenhando um estilo próprio e gostar mais de ser eu mesma. Interessante é que quanto mais a moda faz parte da minha vida profissional, mais abro mão das roupas do meu armário.

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Existe um passo a passo para a mulher se autoconhecer e consumir moda com mais segurança?

Cris – Recomendo a todos que aprendam a gostar de se relacionar com as roupas. Gostar de experimentar, curtir esse momento e não fazer dele uma obrigação, um tormento. Divertir-se com isso. E para isso recomendo três coisas: um espelho de corpo inteiro, música e privacidade. São coisas que todos nós devemos procurar ter na hora de se vestir. Isso faz do ato de se produzir uma espécie de oração para aquele dia que começa. A palavra moda é sempre tratada de forma superficial, de modo que ela acaba relegada ao plano da futilidade. Mas ela tem uma importância enorme na vida de cada um de nós.

Quem são as suas referências na moda?

Cris – Gosto de me inspirar em duas personalidades: Audrey Hepburn e Iris Apfel. Audrey, por sua elegância, alegria e forma de vestir atemporal. Todas as imagens dela podem ser inspiradoras na hora de se vestir. E a Iris, decoradora nova-iorquina de 93 anos, por seu jeito livre de se vestir. Ela é muito feliz com exagero de cores e formas, óculos redondos e coloridos, cabelos bem brancos, muita calça comprida. Ela usa tudo o que um consultor de imagem desaconselharia uma mulher de sua idade a usar. E consegue imprimir um estilo inconfundível e inspirador.

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O que nunca sai de moda na opinião de Cris Guerra?

Cris – Ser você mesmo. E manter valores como respeito, humildade, educação. Coisas que são características de quem tem a autoestima equilibrada. Autoestima nunca sai de moda.

Quais são os cinco itens que não podem falar no guarda-roupa de uma mulher contemporânea?

Cris – Uma calça jeans, uma sapatilha, um escarpim, um blazer e um vestido acinturado. Mas como não dá pra usar calça e blazer sem blusa, acrescente-se uma boa camisa branca.

O que a mulher precisa levar em conta na hora de compor o seu visual?

Cris – Antes de tudo, suas vontades e seu estado de espírito. Nada pior que vestir-se só para o outro, como se o corpo que carrega a roupa não tivesse uma pessoa lá dentro. Como acordei hoje, o que me motiva? Preciso de algo para contrabalançar um astral nem tão 100% assim? Estou animada e posso aproveitar para me vestir com mais capricho? Quero conforto acima de tudo? Ou quero passar um dia invisível? Respeitar essa vontade é o princípio mais importante. É claro que não dá pra fazer isso sempre, principalmente em eventos formais, mas vestir-se a partir do seu estado de espírito é um bom começo. Mesmo em ocasiões formais, você pode escolher entre o brilho para ser notada na festa ou um clássico que só vai fazer você ser notada por sua discrição e elegância. As tendências são opções de escolha, mas de forma alguma devem determinar algum caminho na hora de se vestir. A moda está cada vez mais democrática, e listar tendências tem sido complicado. Uma ou outra tendência sempre acabam compondo o nosso look, mas quanto menos ciente das tendências você estiver, melhor para a sua criatividade e espontaneidade na hora de se vestir, que é o que verdadeiramente resulta em estilo próprio.

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Quais as principais tendências da primavera/verão na sua opinião?

Cris – O branco que aparece em todo verão, a continuação da moda étnica, inspiração nos uniformes esportivos e muita inspiração na arte para estamparia. Ou seja, as estações não estão mais tão diferenciadas umas das outras.

Você não se denomina blogueira de moda? Por quê?

Cris – Infelizmente o termo blogueira acabou se tranformando em sinônimo de algo pejorativo. É que o conceito de blog como uma oportunidade de falar de moda de forma mais realista, mostrando o que é possível, isso ficou para trás. O que fiz e continuo fazendo é mostrar uma moda possível, espontânea, feita por gente real. A alma de um blog estava nisso: gerar identificação com as pessoas através dessa verdade estampada ali. Com o tempo e o surgimento de milhares de outros blogs de moda, infelizmente muitas asneiras ganharam páginas na internet. Alguns têm textos que denotam claramente que sua autora não sabe escrever. Outros cultivam uma futilidade e um consumismo exacerbados. Os de maior sucesso são os que estampam marcas internacionais e fotos tão bem produzidas, que saem da realidade. Os blogs viraram revistas, aproximando-se muito mais do sonho do que da realidade. E a moda, que precisa de um e de outro para sobreviver, está de novo ficando órfã de realidade diante de um universo artificial de blogs repetitivos, falando de uma vida inverossímel.

O que as joinvilenses podem esperar do bate-papo do dia 30?

Cris – Muita descontração e algo bem diferente de uma lista de dicas de moda. Não levarei fórmulas prontas, e sim caminhos que já trilhei e que me ensinaram muito, mostrando que todos podem descobrir seu estilo desde que estejam dispostos a essa aventura. Quero mostrar que moda é para ser feliz, e não para ser escravo de nenhum padrão.

O QUÊ: Donna Talks com Cris Guerra.
QUANDO: 30 de setembro, às 20 horas.
ONDE: central de decorados do Cosmopolitan, empreendimento do Grupo Estrutura, na rua Duque de Caxias, em Joinville.
QUANTO: inscrições gratuitas pelo telefone (47) 3419-2192, com número limitado de vagas.

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