Pesquisas mostram que mulheres apostam cada vez mais em sapatos sem salto

Camila Maccari, especial

Se o Diabo veste Prada fosse filmado hoje, a jornalista Andrea Sachs provavelmente não abriria mão dos sapatos baixos na hora de repaginar o visual. No máximo, faria escolhas mais estilosas – afinal, estamos falando no mundo fashion. Modelos como tênis, flatforms, mocassins e sapatilhas são opções mais confortáveis que ganham cada vez mais espaço na vida das mulheres, indo desde festas a reuniões. Já o salto fino, que por muito tempo foi considerado sinônimo absoluto de elegância, está cada vez mais dividindo espaço nas sapateiras.

 

andy salto

Um levantamento realizado nos Estados Unidos pela agência de pesquisa NPD Group mostrou que o stiletto, aquele sapato de salto fino, teve queda de 12% nas vendas nos últimos dois anos. No Brasil, a WGSN, birô internacional de tendências, aponta que os modelos pés no chão já representam 41% do mercado calçadista feminino. Gabriela Piageti, designer da marca Azaleia, afirma que a previsão é de que esse número aumente.

– O mercado já se encaminhava para as flatforms, e esse movimento começou com as sapatilhas. Agora é possível identificar com mais força isso nas coleções, são mais modelos, elas ocupam mais espaço. Tem marcas, como a própria Azaleia, onde a coleção inteira já é baseada em flatforms porque são modelos que vieram para ficar.

 

Fltaforms

Asos/Divulgação

Vários caminhos levaram a essa mudança. A onda começou em 2010, inspirada no movimento esportivo que invadiu as ruas. E seguiu em 2013, com o retorno do minimalismo associado aos anos 1990 – que diz que quanto menos informação, melhor

– A volta do combo jeans claro + camiseta branca + tênis deu para a moda um novo parâmetro do que era “cool”: o salto não fazia parte do uniforme – afirma Sofia Martellini, expert da WGSN.

Campanha da marca Azaleia com a atriz Grazi Massafera/ Divulgação

Campanha da marca Azaleia com a atriz Grazi Massafera/ Divulgação

As marcas de luxo assimilaram o street style, abrindo espaço para que modelos como tênis e sapatilhas se tornassem parte de looks mais elaborados. Mas, segundo Gabriela Piageti, o estilo de vida da mulher contemporânea que faz com que essa tendência se consolide.

– A mulher tem muito mais funções hoje em dia que nos anos 1980, por exemplo. Faz muito mais coisas, dá conta de diversas atividades e chega mais longe que algumas décadas atrás. Existem vários outros motivos para ela se sentir poderosa. Um sapato que machuca pode, muitas vezes, prejudicar esse processo, já que a busca por conforto está cada vez maior – explica.

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Foi no século 19 que o salto entrou na vida da mulher da forma como conhecemos hoje. A fotografia de moda definiu a maneira com que a imagem da mulher era construída.  As modelos tinham que ser sexy e o salto cumpria essa demanda, valorizando e alongando a silhueta e empinando o bumbum. Sofia Martellini explica que o crescimento do feminismo traz transformações ao questionar coisas que antes eram naturalmente vistas como regras.

– É uma pergunta básica: se não é obrigatório para um homem, por que deve ser para uma mulher? – e aqui, ao se falar do salto alto, o questionamento é agravado por existir um fator de desconforto e de malefícios a saúde – completa.

 

salto alto

Isso não quer dizer que o salto alto vá sair de moda ou perder espaço.

– Ninguém espera sair de uma regra para outra, até porque muitas mulheres são adeptas convictas do salto e sentem-se mais empoderadas com ele – afirma Gabriela Piageti.

Mas é preciso uma mudança de padrão, como mostraram atrizes como Julia Roberts e Kirsten Stewart, que chegaram descalças ao Festival de Cannes deste ano, em protesto à obrigatoriedade do salto alto para as mulheres. Sofia afirma que essa mudança deve se estender para o mundo profissional também- empresas que ainda obrigam o uso da peça no uniforme das funcionárias devem repensar a prática.

– A previsão é que ele vire, de fato, uma peça opcional, e não uma imposição. O mundo da moda atualmente é extremamente livre, por isso não acho que ele volte a ser restrito apenas para situações ocasionais, mas ele deve sim perder seguir perdendo um pouco mais de sua importância nos próximos anos – afirma Sofia.

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