Designer da família real sonha criar para o Carnaval brasileiro

Maior desejo de Philip Treacy é colaborar com as fantasias das escolas de samba

Philip Treacy é especialista em millinery, a alta costura em chapéus
Philip Treacy é especialista em millinery, a alta costura em chapéus Foto: Kevin Davies

Philip Treacy quer fazer chapéus para as escolas de samba no Brasil. Ele é ninguém menos do que o mago dos chapéus da Inglaterra. E que chapéus.

O irlandês, formado no Royal College of Art, de Londres, é especialista em millinery, como se chama a alta costura em chapéus. Treacy é autor de parcerias memoráveis com Alexander McQueen, Karl Lagerlfeld e, principalmente, com a editora de moda, morta em 2007, Isabella Blow. Ela foi uma de suas maiores garotas propaganda e grande incentivadora. Isabella é reconhecida mundialmente por ter dado voz e vitrine para alguns dos mais criativos e ousados nomes da moda.

Philip Treacy é famoso na Europa e nos Estados Unidos, onde seus chapéus desfilam nas cabeças mais estilosas e poderosas. Agora, o designer, sediado em Londres, virou notícia mundial por conta da informação de que era criação dele o acessório espalhafatoso, para os padrões dos trópicos, usado pela princesa Beatrice, a quinta na linha de sucessão, no casamento de Kate e William. Para quem acha que a notícia é antiga, se engana. O chapéu, amado por uns e odiado por outros, está sendo leiloada para caridade por decisão da princesa. No leilão, via eBay, o chapéu já valia 19 mil libras (cerca de R$ 50 mil) na tarde de quarta-feira. O lance final será conhecido neste domingo.

Em contato com Treacy desde o casamento real, Estilo Próprio conseguiu conversar com ele por telefone na última semana. O estilista, depois da agenda lotada pelas encomendas de convidados e, principalmente, de membros da família real, esteve em Nova York, viajando pelo mundo e na Espanha, mais especificamente em Sevilha, acompanhando as touradas.

De volta ao seu ateliê em Londres, falou à coluna e surpreendeu de largada:

? Tudo bem? ? foram suas primeiras palavras.

Treacy se revelou um apaixonado pelo Brasil, por nossa cultura e revelou um sonho: quer trabalhar no Carnaval.

? Seria o maior momento da minha carreira poder colaborar com uma escola de samba.

Mostrou tanto interesse, que pediu que esta colunista ajudasse a realizar seu sonho. Abaixo, a conversa com o talentoso designer que cria peças que são celebrações.

Estilo Próprio: Nossa estou impressionada. Você fala português?
Philip Treacy: Eu amo o Brasil. Falo português. (risos) Já estive em Parati, Iguaçu e Rio de Janeiro. Viva o Brasil! O Brasil é a vida!

EP: Você conhece bem o país?
Treacy: Estivo cinco vezes. Fui a primeira vez com Isabella Blow. E aí vocês têm as escolas de samba…

EP: Ah, você conhece o Carnaval?
Treacy: Sim, Mangueira! Pode colocar na sua coluna que, se as escolas de samba, em qualquer hipótese, tiverem interesse, eu adoraria trabalhar com eles. Se eles permitissem este privilegio, gostaria de trabalhar nas peças para cabeça. Este seria o momento mais excitante da minha carreira.

EP: Você já assistiu a algum dos desfiles de Carnaval ao vivo?
Treacy: Não, porque eles sempre acontecem durante as semanas de moda. Mas veja bem, eu quero dizer trabalhar com, não desenhar para eles. Quero ajudar. Eu apenas faria alguns chapéus para qualquer escola. Seria uma grande honra. Eu amo chapéus, amo. E é por isso que eu trabalho com eles a vida toda. E o Brasil entende de chapéus. Claro que as escolas de samba podem fazer sem mim, por conta própria. Mas se alguém estiver interessado, gostaria de ajudar. Essa é a palavra: ajudar. 

EP: Não é estranho que os brasileiros façam chapéus e adereços de cabelo tão lindos para o Carnaval, mas as mulheres brasileiras, na sua rotina ou em festas, não tenham o hábito de usá-los?
Treacy: Mulheres brasileiras não precisam de nada além de um biquíni e os seus corpos. É um clima diferente, uma atmosfera diferente. Mas, ao mesmo tempo, a cultura brasileira tem um entendimento de “head dress” (peças para cabeça). Você concorda?

EP: Sim.
Treacy: Elas entendem de chapéus. Chapéus são uma celebração. O chapéu é um símbolo de positividade.

EP: As pessoas se encantaram com os seus fascinators…
Treacy: Odeio a palavra fascinators. Parece um acessório sexual. É uma palavra brega. É sempre um chapéu. Eles não chamam de fascinator nas escolas de samba, né? É um “head dress”.

EP: Você esperava que seu trabalho fosse reconhecido mundialmente?
Treacy: Claro que não. Mas é divertido, porque eles entendem de chapéus no Brasil. Ai vocês usam chapéus no grande momento de celebração, no Carnaval. O que seria do Carnaval sem chapéus? No Brasil, eles entendem as coisas simples da vida, a celebração, a festa. Usar um chapéu é uma experiência.

EP: Em que coleção você está trabalhando atualmente? Pode adiantar algo?
Treacy: No momento, estou trabalhando na coleção de alta-costura de Giorgio Armani e Givenchy. Claro que não posso adiantar nada. Designers são maníacos controladores!

EP: Como foi criar o chapéu mais comentado do casamento real?
Treacy: Não posso lhe falar nada sobre o casamento real a não ser que foi uma honra e um privilégio desenhar peças para a família real.

EP: O chapéu da princesa Beatrice foi o mais famoso de sua carreira?
Treacy:  Sim. Ele é a cultura pop, é um Andy Warhol num chapéu. Porque todo mundo, no mundo todo, tem algo a dizer a respeito. Algumas pessoas amaram outras odiaram. E, no momento, está sendo leiloada na internet por 20 mil libras para caridade.
EP: Você tem clientes brasileiras?
Treacy: Andrea Dellal usa meus chapéus. Infelizmente, Carmen Miranda não está mais entre nós. Desenhar um chapéu para ela seria o máximo.

EP: Muitas pessoas temem pela maneira certa ou errada de usar chapéus. Existe isso?
Treacy: Todos os chapéus são bonitos. Mulheres do mundo todo gostam de glamour ? e chapéus são o acessório máximo de glamour. Eles são símbolo de positividade, de curtir a vida, de se sentir bem. E também são bem mais baratos e menos dolorosos do que cirurgias plásticas.

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