Direto da primeira fila, colunista narra desfile da semana de moda de NY

Cláudia Tajes assistiu desfile do brasileiro Carlos Miele e conta as impressões sobre o estilista e sua coleção

Foto: Divulgação

Passou um minitornado por Nova Iorque naquele final de semana, Obama assumiu que é candidato e os pobres estão por todas as partes nas ruas. Mas para a moda, nada disso importa. O imponente Lincoln Center, na esquina da Broadway com a rua 66, agora é palco do Mercedes Benz Fashion Week. Pelo nome, já se vê que não é pouca coisa.

Correspondente por acidente do caderno Donna na cidade, acabei com credencial e lugar vip para assistir ao desfile da Primavera 2013 do estilista brasileiro Carlos Miéle na semana de moda gringa. Mas lugar vip na chincha, bem na frente. E ouvindo as reclamações em português de gente acomodada algumas fileiras atrás: mas como assim, eu não sou na primeira fila?

O desfile estava marcado para as 11 da manhã, mas atrasou meia hora. Tempo o bastante para que os que queriam ser vistos fizessem suas entradas na passarela. Muita pessoas lindas andando para lá e para cá. De algumas, não fui capaz de acertar o sexo. Abraços daqueles em que as pessoas não se encostam para não amassar as roupas. Beijinhos no ar, para não borrar as maquiagens. “Querida, você está incrível”. “Ai, que nada, eu nem me arrumei”. E as produções, e os cabelos, e os makes, a desmentirem tanta modéstia.

Um homem alto, de barba e peruca lisa e loira, celebridade no You Tube, atraía a atenção dos fotógrafos. Ao lado dele, uma ex-modelo de quem não lembrei o nome comentava a movimentação. Carlos Miéle, aliás, foi bastante prestigiado por modelos brasileiras e de outras querências. Três que eu vejo sempre nas revistas posavam, contrariadas, para quem lhes pedisse uma foto. Também entedidados estavam dois loiros bonitões, que descobri serem os DJs Anthony e Sean Souza. Alguém conhece?

Mais famosos na plateia: a jornalista Glória Maria, a cantora e cliente frequente da marca Vanessa Williams, a apresentadora Daisy Fuentes, a ex-tudo Paula Abdul. O engraçado em um evento desses é que mesmo os anônimos se comportam como se fossem estrelas. É um trejeito e um flash.

Das minhas anotações sobre o desfile: muita estampa zebrada em branco, preto, amarelo e verde. E muito amarelo e verde. As saias e os vestidos flutuam. Franjas de montão, que em alguns casos aparecem combinadas às estampas de animais (animal print, para deixar mais fresco) e a bordados e pedrarias, mas sem nada do efeito árvore de Natal. Tudo de bom gosto, fora algumas ombreiras metidas a chiques. Carteiras de festa com longas franjas, espetáculo. E pelo menos dois vestidos sensacionais, um verde-bandeira e outro preto-e-branco. Carlos Miéle mal apareceu na saída do backstage, recebeu seus aplausos rapidinho e sumiu.

Se eu pertencesse ao universo da moda, diria que a coleção é linda, mas sem grandes arroubos de criatividade. Por isso mesmo, usável por mulheres de boa estatura, bom corpo e, claro, algum dinheiro. Uma última observação: pelo que notei, a discussão sobre a magreza das modelos caiu em desuso. As meninas todas eram bonitas, e esquálidas. Com essa ventania que faz aqui, e com os vestidos que flutuam, é melhor ninguém inventar um evento assim ao ar livre. Senão, o desfile acaba por falta de quórum.

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