Atração desta sexta-feira do Donna Spring Preview Iguatemi, Dudu Bertholini afirma: “A moda está aqui para que a gente se ame e não julgue as pessoas”

Foto: Divulgação
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Exuberante, autêntico, multitarefas. Único. Dudu Bertholini é um daqueles nomes que a gente não consegue comparar com quase ninguém justamente pela capacidade que ele tem de ser sempre tão singular. A bordo de caftãs estampados, com os braços carregados de pulseiras e os cabelos longos enrolados em um turbante, o estilista transparece em segundos a personalidade colorida que inventou para si. Seja no comando da Neon, grife que criou e conduziu ao longo de quase uma década ao lado da amiga Rita Comparato, ou frente às câmeras, função que abraçou nos últimos anos, Dudu não para um segundo. Não consegue – nem quer – definir o que ele mesmo faz.

– Se você me perguntar qual é a minha profissão, não consigo definir se sou um estilista ou um stylist. Acredito que sou um comunicador de moda – explica, em entrevista à Donna.

Bertholini é o convidado especial desta sexta (23) no Donna Spring Preview Iguatemi, em um bate-papo sobre moda dentro da programação que celebra o lançamento da revista especial Donna September Issue que chega às bancas neste sábado (24). Parceria de Donna com Shopping Iguatemi, o evento integra uma programação iniciada na quarta-feira e que se encerra neste sábado com um bate-papo com Manuela Bordasch do site Steal the Look. A entrada é franca.

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Depois da experiência como um dos jurados da bancada de Amor & Sexo, programa comandado por Fernanda Lima na Globo, Dudu Bertholini agora se prepara para uma empreitada como apresentador: vai entrevistar personalidades do cenário fashion em Nós, os fashionistas, programa com estreia prevista para o ano que vem no canal por assinatura Fashion TV Brasil. Às vésperas de desembarcar em Porto Alegre como convidado especial do lançamento desta edição de Donna, Dudu conversou conosco sobre os rumos da moda em tempos de slow fashion e genderless, relembrou momentos da carreira e ainda seu maior aprendizado no universo fashion.

A Neon foi muito marcante em sua trajetória. O que você carrega da época à frente da sua marca?

É uma experiência maravilhosa, da qual levo as melhores lembranças. Tanto sobre o que a gente experimentou de melhor, quanto das dificuldades colocadas na vida para que a gente cresça, aprenda e evolua. A Neon é meu case de construção de imagem de moda mais completo. Ao lado da Rita (Comparato, cocriadora da marca), pude viver isso sempre pensando na imagem como um todo. Crio a roupa, o cenário, a trilha, a imagem, o conceito, a apresentação. Sinto um carinho imenso por cada look que foi desfilado, e isto sempre vou levar comigo – como todo aprendizado do que é ter a gestão de negócios, ser empreendedor, fazer cada aposta na marca desde que desfilei na sala da minha casa em 2003 até fechar o ateliê em 2013. Hoje, a Neon continua ativa em um formato de licenciamentos, de parcerias. A gente faz uma pequena gestão de varejo com uma loja-conceito paulistana, onde vendemos alguns dos nossos clássicos, como caftãs e quimonos, e também fazemos sob medida. No final do ano, faremos uma parceria especial com uma marca do Ceará chamada Catarina Mina, toda feita com uma cooperativa de crocheteiras. Também estamos fazendo upcycling (reaproveitamento) dos próprios tecidos da Neon.

Nos bastidores da minissérie Verdades Secretas com Camila Queiroz e Alessandra Ambrósio. (Foto: Reprodução/Instagram)

Nos bastidores da minissérie “Verdades Secretas” com Camila Queiroz e Alessandra Ambrósio. (Foto: Reprodução/Instagram)

Você já fez parcerias com grandes magazines, como a Riachuelo. Como você vê a influência das fast fashions no mercado de moda?

Como tudo na vida, tem pontos negativos e positivos. Adoro a ideia de democratizar meu design, de tudo o que desenho ser acessível a preço justo para o consumidor. Por outro lado, cada vez mais a gente tem que falar menos em tendência e ir contra essa efemeridade da moda. Vivemos em mundo superacelerado, e a moda se reinventa a cada hora. O que a moda quer da gente, na verdade, não é que a gente fique catando todos os dias o que ela criou, mas que a gente foque na nossa identidade e no nosso estilo. A moda hoje não está mais ali para você correr atrás dela, está ali para te dar caminhos para aprimorar seu estilo e ser a melhor versão de você mesmo. A moda pede que você faça uma curadoria daquilo que combina com você. O que preserva uma marca contemporânea é a identidade. Se você é uma pessoa que está querendo correr atrás de tudo o que está na moda, prepare-se para uma maratona a la Bolt (risos).

O que você recomenda?

Primar por peças de qualidade e que durem mais tempo. Além de ser uma atitude de estilo, é uma atitude sustentável, porque você vai consumir peças que vão durar mais e que realmente fazem sentido para você. Nesse ponto, voto que a gente eleja sempre qualidade e estilo. Por outro lado, é muito bom ter acesso a produtos democráticos e a preço justo – poder montar um look sem gastar muito. É um mercado muito justo para os consumidores hoje em dia. O importante é sempre buscar fast fashions que a gente sabe que têm uma responsabilidade social. Por mais que seja difícil saber isso a fundo, dá para descobrir quais são as marcas que prezam por valores de responsabilidade social.

Por outro lado, o slow fashion e a sustentabilidade aparecem com cada vez mais força no mercado.

Acho muito importante, porque o slow fashion está aí para primar pela qualidade, para incentivar a economia criativa, para resgatar aspectos preciosos e artesanais. O fast fashion tem seus pontos positivos, mas o mundo caminha para algo muito mais slow. Existe uma urgência de valorizar aquilo que é feito de uma forma mais artesanal. Acho que o futuro da moda está muito pautado em tecnologia e sustentabilidade. Inclusive a tecnologia apoiando a sustentabilidade, não com um mundo tecnológico que agride e passa por cima.

Dudu sobre Fernanda Lima: “É uma amiga que faz parte da minha história. Ela desfilou para a Neon quando a marca estava começando, e a gente nunca perdeu o laço. Quando me convidou para fazer o “Amor & Sexo”, fiquei muito feliz”. (Foto: Artur Meninea/GShow)

Dudu sobre Fernanda Lima: “É uma amiga que faz parte da minha história. Ela desfilou para a Neon quando a marca estava começando, e a gente nunca perdeu o laço. Quando me convidou para fazer o ‘Amor & Sexo, fiquei muito feliz”. (Foto: Artur Meninea/GShow)

Você está cada dia mais envolvido com a TV. Além do programa por estrear, você se envolveu no figurino da minissérie Verdades Secretas e de Amor & Sexo. Como é seu dia a dia nesta função de global?

Adoro função de global! (risos) Estou bem envolvido agora com o projeto que estreia no começo do ano que vem, na Fashion TV: um programa de entrevista com profissionais de moda, que se chama Nós, os fashionistas. Estou gravando esta semana e está sendo um superaprendizado. Gosto de me comunicar. Se me perguntar qual é a minha profissão, não consigo definir se sou um estilista ou um stylist, acredito que sou um comunicador de moda. A TV é um aprendizado fantástico: fazer um figurino é completamente diferente de fazer styling. O look dá o suporte à dramaturgia, seja nas novelas ou no programa da Fernanda Lima. Quando vou para a frente das câmeras, é outro desafio. Tenho o papel de comunicar, mas sempre sendo eu. Estou ali para ser o Dudu e dar uma opinião pertinente, como eu vejo as coisas.

Como você vê a moda genderless?

Vivemos um momento de urgência de representatividade, em que a gente passe a amar as diferenças e nunca mais julgá-las. Esse é o papel que a moda pode exercer com mais força hoje. Faz muito tempo que a moda não é propriamente um agente transformador da sociedade como foi em outros momentos, como nos anos 1920 e 1960. Vivemos a urgência de desconstruir o gênero e pôr um fim no binarismo, a questão do homem de azul e mulher de rosa. Nosso gênero é uma construção de identidade, e é um caminho individual de cada um em busca da felicidade, da sua sexualidade. Hoje a moda não fala de dois gêneros, mas sim de 200, e acredito que cada vez a gente precise dividir menos as pessoas entre homem, mulher, travesti, transexual, crossdresser. E a gente fala da urgência do genderless ser aceito, assim como da necessidade de eliminar do mundo contemporâneo qualquer tipo de homofobia, racismo, xenofobia, misoginia.

O apresentador entrevista o estilista Fernando Cozendey nas gravações de “Nós, os fashionistas”, que estreia no ano que vem na Fashion TV. (Foto: Reprodução/Instagram)

O apresentador entrevista o estilista Fernando Cozendey nas gravações de “Nós, os fashionistas”, que estreia no ano que vem na Fashion TV. (Foto: Reprodução/Instagram)

Qual o maior ensinamento que a moda lhe deu?

A moda me ensinou que ela está aqui para que a gente se ame. Para que a gente enalteça nossas virtudes e possa esconder o que não gostamos tanto. Mas, principalmente, para que a gente não julgue as pessoas. Pode parecer contraditório, porque culpamos muito a moda por mandar a gente atender um modelo que não podemos, quase que como se ela quisesse que todos nós fôssemos angels da Victoria’s Secret, mas é o contrário. A moda está aqui para que a gente se aceite e para nos ajudar a ser a melhor versão de quem nós somos. Para que a gente olhe para as pessoas na rua e não as julgue como cafonas ou bem-vestidas, mas para que a gente, de uma maneira antropológica, entenda o que as pessoas estão comunicando através do que elas vestem. E se você é alguém que não julga os outros, esteja certo de que não vai ser julgado. Quando penso na razão pela qual trabalho com moda, é para que eu passe uma mensagem de aceitação, de inclusão, de amor-próprio. E que a moda possa ajudar o mundo a amar as diferenças.

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