E-commerce: nunca você teve tanta liberdade para fazer compras

Conheça as principais vertentes dos negócios on-line e entenda por que o monitor é a nova vitrine

Foto: Stock Images

Em pleno 2012, quando alguém quer comprar uma televisão, dificilmente sai pipocando de loja em loja para fazer pesquisa. A maioria das pessoas senta em frente a um computador e dá um Google no produto desejado. Com as informações ali coletadas, o consumidor descobre quais os melhores modelos, lê a opinião de outros clientes e começa a fazer uma comparação de preço. Alguns compram ali mesmo na internet, outros preferem ver o produto pessoalmente na loja. Mas o fato é: são nas lojas on-line que o processo de compra começa. A internet mudou a maneira como as pessoas consomem. Sejam elas ávidos e-consumidores ou curiosos, que usam a ferramenta para se informar.

O mercado on-line brasileiro está longe da maturidade, mas cresce exponencialmente. Segundo a pesquisa Webshoppers, realizada pela e-bit (empresa referência em informações de e-commerce), o setor faturou R$ 18,7 bilhões em 2011, 26% a mais do que no ano anterior. Ao todo, são 31,9 bilhões de e-consumidores – 9 milhões agregados só no ano passado. Sabe-se ainda a maioria dos novos adeptos pertence à classe C (61%). E que, no ano que vem, o negócio deve movimentar R$ 23,4 bilhões.

Para fidelizar esse público, as lojas on-line estão se reinventando. A busca por modelos comerciais inovadores é incansável.

– Preço competitivo, sistema operacional interessante, variedade de produtos e frete rápido são serviços básicos e não mais um luxo. As lojas on-line estão superprofissionalizadas. Por isso, as marcas precisam se sofisticar e agregar valor a seus sites e produtos – explica Ludovino Lopes, presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico.

As lojas ponto com avançam também ao monitorar o perfil dos clientes. Partindo do princípio que cada um tem seu padrão de consumo, as empresas passaram a oferecer experiências personalizadas, que combinem com o estilo de vida do indivíduo e facilitem ao máximo a busca por produtos e serviços. Os estudos nessa área se especializaram tanto que ganharam um nicho à parte: o chamado behavioral targeting, ou, em português, marketing comportamental.

Hoje, criar um banco de dados é corriqueiro. Algumas marcas pedem para você responder um questionário; outras usam o recurso mais sutil de mapear o histórico do internauta. Os sites analisam o tipo de produto buscado, a área de interesse e até que itens foram retirados do carrinho antes de o pagamento ser efetivado. A partir dessa coleta, a loja virtual pode, por exemplo, sugerir aquisições sob medida.

As marcas que investiram nessa tecnologia perceberam um aumento expressivo de vendas. Entre agosto de 2011 e fevereiro de 2012, elas observaram um crescimento de 654% em relação ao mesmo período do ano anterior na venda de um produto específico – um ventilador. As empresas que não desenvolveram bancos de dados inteligentes aumentaram as vendas em 353%. Quando a mesma análise é feita em picos sazionais, como o Natal, a diferença é mais impressionante. A nova ferramenta chegou a aumentar em 853% a venda de um produto, enquanto o mercado como um todo cresceu 219%.

Alguns empreendedores dão um passo além e usam os dados para criar uma relação mais íntima com o cliente, oferecendo uma experiência de compra única. Aqui, conteúdo é a palavra-chave. Por exemplo, se o produto desejado pertencer ao universo da decoração, o site mostrará que estilo de móveis combina com ele. É possível até mesmo simular um ambiente, em vez de deixar o produto sobre um fundo branco. Cada detalhe pode ser contextualizado.

A Gucci é exemplar no uso de novos recursos. Recentemente, divulgou um vídeo publicitário para a internet que fucionava assim: a qualquer momento, o internauta podia passar o mouse sobre as peças usadas pelas modelos do anúncio e seria redirecionado à loja on-line, onde encontraria a descrição e o preço daquele produto. É uma forma de mostrar como o item pode ser combinado e qual é a sua aparência no corpo. Recentemente em uma feira do setor, foi apresentando uma loja virtual de roupas dentro do videogame Kinect. Os sensores do jogo pegam as medidas do indivíduo e sugerem roupas apropriadas para aquele biotipo.

– A ideia é cada vez mais humanizar a experiência de comprar on-line. Mas, ao mesmo tempo, manter o comodismo de se comprar na sala de casa – explica Cristina Rother, diretora da e-bit.

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