4 chefs de cozinha vivem um dia de modelo em editorial de primavera

Fotos: Alejandro Palácios
Fotos: Alejandro Palácios

Elas estão acostumadas a colocar a mão na massa, selecionar ingredientes e buscar a melhor harmonização de cores e sabores a cada prato. Donna propôs um desafio diferente para quatro mulheres ligadas à cozinha. Chefs, empresárias, cozinheiras, elas foram modelos por um dia. Hortaliças, legumes, frutas, temperos perante o olhar atônito dos comerciantes da Ceasa pautaram os looks para Fabiana Sasi (restaurante Floriano Spiess), Regina Dossin (Tortaria), Roberta Horn Gomes (Lorita Restaurante) e Zelda Dal’Molin (Koh Pee Pee). Tudo para você brindar a primavera com fartura de cores e sabores (confira receitas nos links abaixo).

Conceito e arte: Rejane Martins (Mesa Produtora)
Fotos: Alejandro Palácios
Styling: Fernando Fantinel
Produção: Karen Lopes e Rodrigo Alves (Mesa Produtora)
Make e cabelo: Mirage Três Figueiras
Lojas que participaram deste editorial: Boutique Rui, Coliseu, Jump, Lebes, Pandorga, Rabusch, RG Boutique Fechada e Yolo Acessórios
Agradecimentos: Fabrizzia Lacerda e direção e comerciantes da Ceasa

Trenchcoat de verão Rui Spohr; blusa Lebes

Trenchcoat de verão Rui Spohr; blusa Lebes

REGINA DOSSIN

46 anos, natural de Farroupilha (RS) e chef da Tortaria

Confira a receita da Regina de torta de repolho roxo

Quando decidiu ser chef?
Comecei quando raspava as panelas enquanto minha mãe fazia “os comes” dos aniversários meus e das minhas irmãs (somos em quatro!). Não “decidi” ser chef, estou sendo. Comida é afeto, é ser e estar com gente. Eu amo isso!

Qual sua principal influência?
Sem dúvida, a pâtisserie clássica francesa é base para a confeitaria ao redor do mundo, mas as receitas portuguesas e italianas também estão presentes. Sempre fazemos provas, chamo amigos para degustar e mudo uma receita para agradar aos paladares mais exigentes. Brinco (e falo sério) que não fazemos ou vendemos coisas boas, somente as muito boas, pois queremos proporcionar prazer a todos a cada mordida ou garfada. É querer muito?

O que não pode faltar na sua cozinha?
Para os doces, os chocolates e os laticínios (a gordura do leite nas suas diversas formas é essencial – leia-se, creme de leite, nata, manteiga). Nos salgados, as especiarias.

Uma refeição inesquecível:
Veggie búrguer com cogumelos em Montreal com um casal de amigos queridos, um bom papo e vinho.

Uma harmonização perfeita:
Bolo de semente de papoula e chá earl grey com leite.

Blusa Espaço de Moda; jeans Rui Spohr; sandália Melissa Vitorino Campos; lenço Cangote; brincos Yolo

Blusa Espaço de Moda; jeans Rui Spohr; sandália Melissa Vitorino Campos; lenço Cangote; brincos Yolo

FABIANA SASI

35 anos, natural de Ilhéus (BA), cozinheira (praça de entradas, saladas e sobremesas) do restaurante Floriano Spiess – Cozinha de Autor e assina as comidinhas do cardápio do Café Bertoldo, na Casa de Teatro de Porto Alegre

Confira a receita da Fabiana de cocada de abacaxi banhada em chocolate meio amargo

Quando decidiu ser chef?
Meu avô paterno era produtor de cacau, e o materno, feirante. Cresci circulando impregnada com o cheiro do chocolate e saboreando os melhores pescados em forma de moquecas na tradicional cozinha matriarcal baiana. Aprendi muito na infância entre caçarolas, pimentas, dendê e muito coentro com mãe, avós e tias. Estive em ambientes sempre cheios de afetividade e festa, então entendi que comer é um excelente pretexto para o convívio pleno e feliz.
Após 15 anos atuando como comunicadora (Rádio e TV com pós-graduação em Cinema), resolvi dar margem a essa paixão. Tive mestres incríveis na vida e no Senac, como o chef senegalês Mamadou Sène e a chef Arika Messa, que imprime em sua cozinha a valorização da culinária regional gaúcha e dos pequenos produtores rurais, trabalhando em seus pratos as cores e os sabores do legítimo terroir do Rio Grande do Sul.

Qual a sua principal influência?
Culinária de matriz africana, com ingredientes do litoral brasileiro, do sertão nordestino. Mas o que influencia de verdade o que eu cozinho é quem vai comer. Posso aplicar técnicas e ingredientes diversos numa receita, mas, com certeza, é o outro, o comensal, que irá influenciar minhas escolhas e meu modo de preparar. Cozinhar só me faz feliz pela possibilidade de fazer alguém feliz comendo o que eu faço.

O que não pode faltar na sua cozinha?
Açúcar e afeto.

Uma refeição inesquecível:
As ceias de Natal na casa da minha avó Nemésia serão sempre um sinônimo de perfeição à mesa: boa comida e a felicidade de estar junto daqueles que amamos.

Uma harmonização perfeita:
Acarajé com coca-cola.

Vestido Benta; colar Da Tribu; faixa de couro Jump; botas Melissa; óculos Notiluca

Vestido Benta; colar Da Tribu; faixa de couro Jump; botas Melissa; óculos Notiluca

ROBERTA HORN GOMES

41 anos, natural de Criúva (serra gaúcha) e chef do Lorita Fusion Cuisine

Confira a receita da Roberta de peixe ao molho indiano, physalis, leite de coco e cardamomo sobre cuscuz de laranja e siciliano

Quando começou a cozinhar?
Fiz meu primeiro prato na casa de uma colega de quinta série. Foi um creme de milho, cópia daquele caseiro da vó Lorita, com salsa e noz-moscada. Passei a cozinhar de verdade na Nova Zelândia em 1993, país onde vivi em uma comunidade maori por um ano. Logo após, vim cursar Medicina em Porto Alegre, quando então cozinhava para grupos da faculdade.
Em 2001, montei meu primeiro projeto de restaurante, de fato, um antirrestaurante como seria chamado hoje, pois era em minha casa para 20 pessoas, em datas agendadas. O Lorita surgiu em 2008.

Em que momento decidiu ser chef?
Quando já havia concluído minhas especializações em psiquiatria, mantive o consultório e iniciei o Lorita Restaurante como o mais puro e ingênuo hobby. A aceitação do público, a percepção do meu paladar para o negócio me fez assumir, primeiramente para mim mesma, que eu havia entrado com os dois pés na profissão. Olhando as mãos calejadas e sabendo que estou sempre na minha cozinha me fez saber a diferença entre restauratrice e cozinheira.

Qual a sua principal influência?
A comida francesa como cuidado e construção, a indiana como perfume, a asiática como frescor, as mediterrâneas como surpresa.

O que não pode faltar na sua cozinha?
Um bom demiglacê, feito sem fervura e em cozimento lento.

Uma refeição inesquecível:
Queijos e framboesas do pé, no jardim da professora Mathilde, olhando o mar. Primeira vez na vida em que estavam sobre a mesa uma xícara para o chá inglês das cinco horas e também uma taça de vinho rosé. Talvez minha primeira memória de sofisticação.

Uma harmonização perfeita:
Água boa! Para harmonizar com uma bebida alcoólica: vinho. Eu amo vinhos!

Vestido Vicky; sapato Jump

Vestido Vicky; sapato Jump

ZELDA DAL’MOLIN

42 anos, natural de Caçapava do Sul (RS) e chef do Koh Pee Pee

Confira a receita da Zelda de pérolas de abóbora em molho de coco khanom bua loy

Quando começou a cozinhar?
Há 10 anos, em eventos fechados. Adorava ver minha avó fazendo massa fresca, mas só na faculdade de hotelaria me encantei pela área de A&B (alimentos e bebidas).

Qual a sua principal influência?
Culinária tailandesa: frescor dos vegetais, equilíbrio entre doce, salgado, ácido e picante.

O que não pode faltar na sua cozinha?
Emoção, expressão, atitude e entrega.

Uma refeição inesquecível:
Almoçar no Benoite, de Alain Ducasse, em Paris, e todas as sopas de capelete feitas na casa da minha avó.

Uma harmonização perfeita:
O prato que você quiser comer naquela refeição com Pinot Grigio.

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