Entrevista! Prestes a desfilar em Porto Alegre, Valdemar Iódice sentencia: “A gente não faz roupa; nós criamos desejo para as pessoas”

Fotos: Agência Fotosite
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Poucas grifes brasileiras alcançaram as três décadas de existência com o reconhecimento da Iódice. Por trás do design apurado e da solidez da empresa está o fundador e diretor criativo Valdemar Iódice. A marca é um dos destaques do Donna Week Iguatemi, maior semana de moda do sul do país, realização de Donna e Iguatemi Porto Alegre com apresentação da Renner, que vai rolar de 25 a 28 de outubro.

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Perfeccionista e minucioso que só – virginiano, como fez questão de frisar –, o empresário começou a desenvolver o olhar esperto para a moda ainda na infância. A mãe, Francisca, era modista. Cresceu entre moldes, linhas e tecidos. Ainda na adolescência, trabalhou na confecção do tio, quando teve o estalo para abrir a sua própria etiqueta. Da malharia, a Iódice expandiu seus domínios para coleções de prêt-à-porter com alfaiataria, moda casual e vestidos de festa. As criações podem ser conferidas nas 15 lojas próprias e franquias da grife, espalhadas pelo Brasil – uma delas no Shopping Iguatemi, em Porto Alegre – e em mais de 350 multimarcas.

Hoje, a marca que comanda é sinônimo de design apurado, pensado para uma mulher sexy e feminina – e que não dispensa uma pitada de glamour. É para homenagear esta musa sofisticada e cosmopolita que a Iódice apresentou a coleção Tropical Art, vista na última edição da São Paulo Fashion Week, em agosto.

– Acabei fazendo o último desfile em comemoração aos 30 anos, no Palácio Tangará. Foi um evento muito marcante para a história da marca, não só para mim, mas também para as pessoas que trabalham comigo. Um sucesso! – comemora.

Iódice Verão 18 Tropical Art- SPFW N.44! #Iodice30 #TropicalArt

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Por aqui, uma versão ainda mais atrelada ao cotidiano da mulher será vista no Donna Week Iguatemi. Em sua estreia na passarela gaúcha, a Iódice deve apresentar as novidades de alto-verão da grife – tudo em clima de see now, buy now (veja agora, compre agora, em tradução livre).

– Já fui a vários lugares e achei que deveria prestigiar as mulheres, as clientes da marca no RS. Aceitei o convite e estou levando a coleção Tropical Art, mas mais voltada a uma mulher real.

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Para adiantar um pouco do que veremos por aqui, Donna conversou com Valdemar Iódice sobre os 30 anos da marca, que ele comanda ao lado da mulher, Suely, e dos filhos – Alexandre, Adriano e Camila. Os melhores momentos você confere a seguir:

Trabalhar com a família desde cedo ajudou você a ter uma visão macro de todas as etapas do seu negócio?
Sou descendente de italianos. Então, tenho no sangue o gosto por trabalhos manuais. Acompanhei esta trajetória dentro da minha casa, vendo tudo o que a minha mãe fazia. Isso me criou desejo, e, em certa ocasião, fui trabalhar com este tio. E resolvi montar a empresa. Começou pequena, eu cuidava praticamente de tudo. E foi crescendo. No início, era uma marca voltada para a malharia, que faço até hoje. É o DNA de nascimento da marca, mas sempre fazendo produtos para uma mulher real, feminina e glamourosa. Foi crescendo, fui para o prêt-à-porter. Desfile aqui, desfile em Nova York, lojas, flagship na Oscar Freire (avenida que concentra as principais marcas de moda na capital paulista), depois no Iguatemi (de São Paulo), loja em Porto Alegre, em Recife… Não temos muitos pontos de venda, mas todos são muito bem localizados. O mais importante é que a marca nunca perdeu o DNA.

Como é a relação familiar na empresa?
Minha mulher faz desenvolvimento de produto na malharia. E também minha filha, que estudou em Londres. Primeiro na Santa Marcelina (faculdade de moda de São Paulo), depois a mandei para lá. Ela cuida de uma parte de produtos. E Alexandre é responsável por todo o (setor) masculino da marca e de licenciamentos. E tem o Adriano, diretor comercial da marca. Formamos uma família de empresários em que um ouve o outro. Não há atritos sobre um ser melhor do que o outro. Quem responde pela marca sou eu. Cada um faz o trabalho em seu lugarzinho em prol de uma empresa.

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Como é sua rotina?
Sou uma pessoa que normalmente acorda cedo. Duas vezes por semana, faço aeróbica e musculação, na minha casa mesmo. Procuro pedalar no final de semana, para a parte física e a cabeça estarem sempre ativas. Não gosto de entrar tarde na empresa. Entro cedo e saio tarde. É um ambiente saudável, familiar. Antes de dar entrevista, estava vendo o que vamos apresentar na convenção de atacados. Gosto de cuidar de tudo de perto. Não que não confie nas pessoas – tenho parceiros bons. Mas gosto de estar verificando o melhor para a marca, a posição, a imagem… Com quem ela se associa, quem vai desfilar comigo… Sou virginiano. Virginiano é chato! (risos) É minucioso. Mas assim que eu construí e assim que eu continuo. Gosto do que faço, o que vou fazer?

A Iódice completa 30 anos como uma das grifes mais consolidadas do país. Como é chegar a este marco?
Posso ser sincero? Fui galgando meu trabalho, então se torna algo que nasce e você vai vendo acontecer. É dedicação, vontade de realizar, de fazer tudo bem feito. É ter parceiros ao lado, porque sozinho você não tem nada. É ter a família aqui. Fiz meu trabalho, vou continuar fazendo. Mas não tem essa vaidade. Foi isso mesmo que projetei para a marca e foi acontecendo. E não pode parar, você tem que estar sempre fazendo, um dia após o outro. A empresa para mim é como se fosse uma criança pequena, que está caminhando e em quem você precisa ficar de olho.

E como você vê a moda brasileira hoje?
Evoluiu muito. Hoje temos desenvolvimento de produtos com mais qualidade, mais assertivos, mais usáveis. Com a cara de uma mulher latina, uma mulher brasileira. Vejo que todos os setores evoluíram. A evolução não foi de uma empresa ou de duas, foi generalizada.

Como a Iódice vem se posicionando nesse momento de crise?
Além de fazer uma redução na empresa como um todo, adequação de pessoal e redução de gastos, tenho como norma o desenvolvimento de produto. Se você tiver produtos bem feitos e preço competitivo, você passa a crise. Não está fácil, mas se você tem produtos que vestem bem, enchem os olhos e a mulher quer usar, você consegue ir levando.

Como você avalia a importância da SPFW hoje?
É superimportante porque temos um calendário de lançamentos da moda nacional. Como tem em Nova York, em Londres, em Milão, em Paris… Isso é o que vale mais. Depois, cada um apresenta a sua coleção. O Brasil não pode deixar de ter esse evento, que já soma mais de 20 anos. Para mim, tem muita importância. Agora mesmo, estava com o pessoal do marketing e telefonou uma mulher que quer uma saia do desfile. A gente não faz roupa, criamos desejo para as pessoas.

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Hoje, nota-se uma tentativa de descentralizar a moda brasileira. Como você vê esse panorama?
Acho ótimo! Já fui para a cidade de Ribeirão Preto e agora estamos fazendo vários eventos para o ano que vem com lojistas, lançamentos nas lojas. A moda precisa ser mesmo globalizada.

 

Elas vestem Iódice

Quem é a mulher Iódice?
É uma mulher da metrópole, contemporânea. Que gosta de ser feminina e glamurosa, e sabe como valorizar essa feminilidade. E nós temos muitas mulheres assim no Rio Grande do Sul.
O que os gaúchos verão na passarela da Iódice, no desfile do Donna Week Iguatemi? Qual a sua expectativa?
Vão ver uma coleção em que parte dos produtos já está na loja. Esse é o objetivo do evento: fazer um desfile em que as pessoas podem sair e comprar o produto na loja. E mostrar algumas peças de alto-verão, que a loja vai receber mais para frente. Serão peças pensando em final de ano, com brilho, com cores e estampas. É isso que vocês verão na passarela. Se tiver a oportunidade, levo alguns modelos de desfile também.

E você conhece o Estado?
Já tive a oportunidade de ir a Canela e Gramado. Inclusive fiz as feiras do passado. Já tive a oportunidade de viajar com representantes também. Fui a Passo Fundo, Chuí, Caxias do Sul, Erechim… Já dei uma boa viajada por aí. Mas faz muitos anos, o Estado deve ter mudado bastante. E é um Estado promissor. Temos clientes importantes, como a Tissatt, na Capital, e uma loja no Shopping Iguatemi Porto Alegre. A Iódice é uma marca muito bem posicionada no Sul.

Quem você gostaria de vestir?
Tenho vestido tantas pessoas… Mas acho que gostaria de vestir Angelina Jolie.

VEM AÍ O DONNA WEEK IGUATEMI

Quatro dias para respirar moda. Essa é a proposta do Donna Week Iguatemi, maior evento de moda do sul do país, que rola entre os dias 25 e 28 de outubro, no Shopping Iguatemi, em Porto Alegre. Por lá, marcas como Renner, Calvin Klein, Colcci, Cori, Fórum e Spirito Santo apresentam suas novidades para a temporada de verão. Os convidados também vão conferir desfiles de marcas autorais gaúchas, selecionadas com a curadoria de Donna. À tarde, estão programadas palestras sobre o mercado da moda e beleza. E fica a dica: um open lounge com entrada liberada permite acompanhar o que rola na passarela.

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