Em entrevista, estilista Ronaldo Fraga fala sobre o papel da moda e exposição que inaugura em POA

Fotos: André Avila
Fotos: André Avila

Quando se vê o nome de Ronaldo Fraga no line-up de uma semana de moda, uma coisa é certa: muito além de tendências, o que você verá na passarela é um desfile com alma, cor e história. É como se fosse um espetáculo no qual as roupas contam ao espectador um pouquinho da obra de Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa, ou das canções de Lupicínio Rodrigues e Nara Leão. Ele é possivelmente o criador que mais valoriza a cultura e as raízes brasileiras em suas coleções, mas também aquele que sabe como ninguém traduzir universos tão distintos quanto o da bailarina alemã Pina Bausch e temas urgentes e atuais como a crise dos refugiados. Abusa da cor sem perder a elegância enquanto propõe modelagens que fogem do habitual, reinventando- se a cada estação. Justamente por enxergar a moda como um “ vetor cultural”, Ronaldo consegue extrapolar as fronteiras do mundo fashion e, com sensibilidade e poesia, levar à passarela tudo aquilo que o encanta.

— A moda fala de política, fala de economia, fala de cultura. O que é a moda? É o registro eficiente de um tempo — resumiu o estilista em um bate-papo com Donna no final de agosto, quando esteve em Porto Alegre para lançar uma coleção em parceria com a Pompeia.

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Talvez seja justamente por ir na contramão que o mineiro tenha trilhado um caminho que o levou a ser considerado hoje um dos maiores estilistas do Brasil. O reconhecimento veio, inclusive, de fora: em 2014, foi eleito pelo Design Museum de Londres como um dos sete criadores mais inovadores do mundo a expor na Designs of the Year, ao lado de nomes como Miuccia Prada e Raf Simons, à época diretor criativo da Dior.

Diferente de muitos de seus pares, Ronaldo “nunca desejou sua carreira, não teve mãe costureira ou irmãs provando vestidos em casa e nunca brincou de boneca”, como se apresenta na biografia de seu blog. Começou a fazer roupa porque, bem, sabia desenhar. Órfão desde os 11 anos, acabou enveredando pelo mundo da moda quase que por acaso – em busca de cursos de desenho, matriculou-se nas aulas de moda no Senac. Virou o destaque da turma, o que lhe rendeu um emprego como modelista em uma loja de tecidos no centro de Belo Horizonte. Foi ali, ouvindo os desejos das clientes e traduzindo tudo em modelagens concebidas mais pela intuição do que pelo palavreado de moda, que Ronaldo Fraga percebeu o que, afinal, queria da vida. Graduado em estilismo na UFMG, venceu o concurso de uma tecelagem e teve o passaporte carimbado para estudar na Parsons School of Design, uma das mais renomadas escolas de moda de Nova York. De lá, engatou outros quatro anos de estudos em Londres, na Saint Martins School – ao lado de um dos quatro irmãos, o também estilista Rodrigo Fraga.

Para sua estreia nas passarelas, em 1996, foi um pulo. Com a coleção Eu Amo Coração de Galinha, desfilou de cara no Phytoervas Fashion – que depois ganharia o nome Morumbi Fashion para virar, enfim, São Paulo Fashion Week em 2001. Desde então, já assinou 41 coleções – a próxima será conferida nesta quarta-feira, na passarela da SPFWTransN42. É um pouquinho dessas mais de duas décadas de trabalho que Ronaldo Fraga traz a Porto Alegre em novembro, com a exposição Caderno de Roupas, Memórias e Croquis.

— Ali tem muito do meu universo e registro gráfico, e, claro, algumas peças de várias coleções — adianta o estilista.

A mostra inclui cinco ambientes e será instalada na Galeria Sotero Cosme da Casa de Cultura Mario Quintana – mesmo lugar, aliás, onde Ronaldo concedeu a entrevista que você lê a seguir.

Entrevista! Com a palavra, Ronaldo Fraga

Seus desfiles sempre contam uma história para além da roupa. Na última SPFW, você levou à passarela a saga dos refugiados e emocionou a plateia. Como você vê esse viés social que a moda pode carregar?
A moda, por si só, é um vetor como poucos com poder de estabelecer diálogos com outras frentes.  A moda fala de política, fala de economia, fala de cultura. O que é a moda? É o registro eficiente de um tempo. Você estuda um tempo pelas escolhas das pessoas do que vestir. No momento que a moda está passando, de berlinda, o que vai garantir que ela saia desse marasmo que anda vivendo e que não decrete seu próprio fim é a libertação da roupa. Ou seja, que a moda passe a falar de outras coisas e a assumir esse poder. Quando isso acontece, você consegue educar, informar e formar pessoas por meio da história da moda.

Também em seu último desfile, você trouxe a modelo trans Camila Ribeiro para a passarela. Como você vê esse papel inclusivo da moda?
Hoje, o mundo vive um momento de berlinda. Estamos em guerra. E essa guerra nos revela que chegamos à situação em que se está porque vivemos em um mundo intolerante com as diferenças, com tudo. O desafio do mundo moderno é essa questão da tolerância. Tudo o que a gente está vivendo, como a crise migratória na Europa, esse aumento da extrema direita no mundo inteiro, tudo isto parte da intolerância com as diferenças – racial, de orientação sexual, na questão social. É algo que não dá para ter descanso, não dá para piscar os olhos. É uma vigília constante.

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Direto de Belo Horizonte, a exposição "Caderno de roupas, memórias e croquis" desembarca na capital em novembro. Foto: Fernanda Nasser, divulgação

Direto de Belo Horizonte, a exposição “Caderno de roupas, memórias e croquis” desembarca na capital em novembro. Foto: Fernanda Nasser, divulgação

Desde seu primeiro desfile, referências à cultura do Brasil estão sempre presentes. Mais do que uma marca de seu trabalho, você considera essa abordagem uma responsabilidade sua como estilista?
Sempre vi isso de uma forma natural. Só vou falar daquilo que faz meus olhos brilharem, que faz parte da minha formação. Nesse caso, é a minha referência cultural. Já falei de Pina Bausch (bailarina e coreógrafa alemã, que morreu em 2009 e inspirou o desfile de inverno 2010), da China ( em janeiro de 2007), da América Latina ( junho de 2009). Mas, para falar e observar o outro, preciso ter as minhas referências culturais muito sólidas. Isso sempre foi natural para mim. Há quem fale: “Mas não foi fácil, não é?”. Realmente, não foi. No início, enfrentei muitas críticas. Quando comecei a desfilar, alguns jornalistas falavam: “ Lá vem o carnavalesco”. Essa coisa de tema, de enredo e de história é só no Carnaval. Era só no Carnaval, mas hoje já é algo comum. Hoje, o jornalista senta com qualquer estilista de qualquer marca e pergunta qual a história da coleção. Mas não era assim. E não é só o jornalista, mas um advogado com quem eu cruzo no aeroporto também me pergunta qual a história da próxima coleção, sabe? Isso é muito legal.

Ainda percebemos muito preconceito ligado à moda, principalmente de setores e autoridades que não entendem seu viés artístico e cultural. Qual a sua opinião?
O próprio setor ainda tem dificuldade de se ver. E não é só da moda, não. No país, ainda é muito recente a moda vista como vetor cultural. Mas é muito recente também a arquitetura ser vista como vetor cultural – como o design de produto. A história do design, a cultura e a aculturação do desenho, é um grande desafio. É uma coisa que deveria ter sido ensinada, a questão da ética e da estética, desde a infância. É o que acontece quando você fala no design dinamarquês, do design japonês, porque é algo que começou a ser ensinado na escola lá atrás.

E como você vê que isso pode mudar?
Acho que melhorou bastante. Faço parte de uma geração que começou a discutir isso de outro jeito.
Estamos vivendo um tempo em que, por mais que se tenha muito a caminhar, o Brasil é mais autor no desenho do que era há 10, 20 anos. E espero que esse cenário não tenha retorno.

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Hoje discutimos e valorizamos cada vez mais o slow fashion e o consumo consciente. Prestamos muita atenção no que estamos comprando e consumindo. Você enxerga essa vertente como um caminho?
Na verdade, vai ter espaço para todo mundo. Agora, por exemplo, a moda descobriu o see now, buy now, e faz sentido, não só por causa da crise, mas porque o desfile entra automaticamente na casa das pessoas. No tempo que o lojista vai comprar, colocar na arara e chegar até o consumidor, ele já esqueceu, então precisa de novos estímulos. Você precisa fazer com que as roupas cheguem mais rápido e de um jeito mais ágil. Aí, você me pergunta se a moda vai caminhar para esse lado: também.
Mas em contraponto, vão ter designers apostando no slow fashion, na volta do ateliê, da roupa sob medida, da roupa. Sempre vai ter espaço para todo mundo. Agora, uma coisa que não pisco os olhos é a questão da condição de trabalho de quem faz minha roupa ou peças que eu assino. Há pouco tempo, saiu uma declaração minha falando que as marcas de fast fashion gringas pingam sangue. A maioria sim, porque produz na Índia, em países asiáticos, com condições de trabalho absurdas, nos tais navios de confecção. Um tênis custar R$ 15? Isso não existe. Tem murmúrio ali por trás. Nesse trabalho com a Pompeia e com outras empresas que já fiz, procurei ir na fábrica para ver as costureiras, em que condições elas estavam fazendo as peças, a roupa assinada por mim. É uma vigília que procuro ter.

E você vislumbra alguma possibilidade de o fast fashion ganhar novas características, como forma de se renovar?
O fast fashion no mundo começa a dar sinais de desgaste. Não à toa, as marcas de fast fashion buscam parceria cada vez mais com os autorais. O produto ficou igual, tudo é parecido. A briga é só por preço.
Quando você dá acesso à população para comprar aquilo, ela vai querer mais. Começa a entender de tecido, de matéria- prima. Sobre isso eu digo que sou um otimista, acredito sempre na evolução.
Aqui não tem como dar para trás. É sempre para frente.

Seu trabalho sempre foi muito além da passarela e das vitrines, incluindo até linha de uniformes para time de futebol. Acha que esse é um caminho para trazer a moda a outros ambientes e sobreviver à crise?
Tem duas histórias aí. O meu papel como designer, que eu digo que deveria ser meu compromisso civil, muito mais do que levar um produto, mas levar para as pessoas de um jeito que não é a verdade absoluta, mas um jeito possível de se fazer o desenho. O de pensar o desenho brasileiro. Para mim, é extremamente prazeroso esse exercício que me imponho e que aceito, de trabalhar desde com cooperativas, geração de emprego e renda com apropriação cultural, a um time de futebol, a cama, mesa e banho, a rótulo de espumante. Adoro isso. Construí aquilo que é caro e eu sei o valor, que é a tal identidade de uma assinatura, hoje tenho a liberdade de assinar, passar por diferentes áreas e sair ileso.

Hoje falamos muito em produção justa. No seu trabalho, você sempre buscou valorizar a produção nacional. Isso sempre foi algo fundamental para você?
Além da produção justa, tem uma coisa que é o fortalecimento da indústria nacional. Um país sem indústria perde a alma, porque não é só a questão econômica, a cultura de um povo passa por aquilo que ele produz. É difícil, para mim, imaginar a situação que está passando a indústria têxtil brasileira.
Acho isso muito triste. Em último caso, uso matéria- prima gringa. Minha emoção é falar que, na minha coleção, 100% do que foi utilizado foi produzido no Brasil, gerou emprego aqui, fortaleceu a marca Brasil. Acho que essa é a grande história.

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Três momentos de Ronaldo Fraga, direto das passarelas: o desfile de abril deste ano, que teve como tema os refugiados, o de outubro de 2013, sobre o sertanejo cangaceiro e, a coleção de 2012, que mescla o Pará com referências ao japonismo 2012 2013 2016 Fotos Zé Takahashi, Fotosite, bd / Yasuyoshi Chiba, AFP, bd

Sua loja em Belo Horizonte fechou no ano passado, depois de ter sido roubada, e acaba de ser reaberta com novo formato. O que você preparou de novo?
Esse espaço vem de um projeto antigo. É o Grande Hotel Ronaldo Fraga, onde estarei hospedando ideias, hospedando um universo. A moda está passando por uma crise violentíssima pois têm dois concorrentes poderosos: as experiências e o entretenimento digital. Hoje, as pessoas dão de presente uma capa de iPhone, ou até um iPhone, algo ligado a isso, mas não uma roupa. Roupa, compra para ela.
Hoje, quando um amigo vai para o Exterior, não fala mais que foi em uma loja bárbara no Japão ou no interior da Espanha. Ele vira e fala que foi em um bistrô, um restaurante, e você vai atravessar o mundo para ir naquele lugar. São as experiências. A moda precisa trazer um pouco desse entretenimento e informação. Por isso que pensei nesse espaço, que é um casarão de 600 metros quadrados, de 1920, tombado pelo patrimônio histórico. Vai ter barbearia, café, enoteca, livraria, o site da Natália Dornellas, departamento de roupa masculina sob medida, que é o meu irmão estilista que vai fazer, o Rodrigo Fraga. Estou superanimado.

E como você vê a moda no Brasil atualmente?
O brasileiro tem gosto por moda. Todos os sexos, qualquer nível social, quem passa pela frente da TV e vê um desfile vai parar para assistir. O desfile exerce um fascínio no brasileiro, o que é uma coisa engraçadíssima até. O que tem de bom nisso tudo? As pessoas estão conquistando cada vez mais e exercitando a construção do seu personagem diário, que é a tal da autoralidade. Por outro, estamos vendo essa crise que está dizimando a indústria têxtil brasileira. É uma dependência cada vez maior da produção asiática. São tempos difíceis e duros, mas acho que vamos passar.

Você acabou de desfilar na Angola Fashion Week. Como foi essa experiência?
Foi maravilhoso levar para a África uma coleção inspirada a partir daquele universo. Angola é um país que passa por uma situação econômica e política terrível. Provavelmente, foi um dos lugares mais tenebrosos onde já toquei os pés, mas também com as pessoas mais amáveis. O jovem está com sede de informação, e a referência para eles é o Brasil, a cultura brasileira. Acho que cumpri meu papel de levar um desfile que fala de uma forma diferente do que eles têm visto de moda, e adorei a experiência.

E o prêmio Ícone da moda, que você recebeu do Istituto Europeo di Design, como foi esse reconhecimento?
Foi delicioso! Recebi o troféu JK em Minas para quem tem feito alguma coisa pela cultura do Estado e também o Trip Transformadores. É reconhecimento do seu trabalho. Mais do que isso, me policio para que meu ego não inflame com o prêmio. O mais legal disso é estimular uma nova geração de estilistas que possa olhar para a minha trajetória e pensar: “ É possível”, coisa que, na época, não tive.

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Você acha que estamos vendo novos Ronaldos por aí?
Temos um problema sério: o Brasil é o país com maior número de faculdades de moda do mundo, mas não tem indústria. É preciso que as cabeças criativas tenham onde exercitar e produzir. Quantas pessoas as escolas colocam em um mercado que não existe? Está saturado. Isso é a parte mais triste. É difícil os criativos aparecerem. Mas é preciso ser resistente.

E como renovar esse mercado tão saturado?
As cabeças criativas sempre vão existir, e sempre vai existir quem vai furar o cerco. Quando comecei, tive dificuldades que a geração nova não tem, mas tive facilidades que a geração nova não tem. Acho que sempre vai ser assim, com perdas e ganhos.

 

Ronaldo, o criador mais brasileiro do Brasil
Por Patrícia Pontalti

Incendiário cultural. Criador de mão cheia. Poeta das passarelas. Crítico social. Designer gráfico da moda. O nome de Ronaldo Fraga está sempre associado a inúmeros complementos e adjetivos distantes do “fashion”, todos justos ao talento múltiplo deste meu amigo que é o mais representativo nome da moda essencialmente brasileira. Fato: Ronaldo traduz, pelo viés contemporâneo, diferentes manifestações, personagens e particularidades deste Brasilzão. A bossa de Nara, a fossa de Lupicínio, os sertões de Guimarães, a tropicalidade de Tom Zé, o fino humor e os amores de Drummond, a criativa militância de Zuzu, a fúria das sereias e a transposição do Rio São Francisco fazem parte do rico repertório ronaldofraguiano, impresso de emoções para vestir e sempre com viés artesanal, artístico e mágico.

Ronaldo mexe com a gente porque faz da roupa também um manifesto, ora delicado e sensível, mas que acelera o coração como um beijo apaixonado, ora forte e potente, como um tapa na cara que faz a gente querer sair do torpor cotidiano. Ronaldo provoca sentimentos e surpreende sempre por fugir do convencional, por não seguir tendências, por interpretar nossa própria história e por muitas vezes jogar luz ao que muitos querem esquecer ou desconhecem. E tudo isso criando roupas lindas com um estilo ímpar, no qual o bordado, o tecido natural, o feito à mão, que são a cara do Brasil, se unem em formas que revelam não as curvas, mas a essência de quem veste. Seus desfiles provocam lágrimas – as minhas, sempre e muitas.

Tudo que faz é sensível, como ele, que a cada temporada comprova que a moda pode flertar com as artes e ser mais do que um enfeite de estação. Ronaldo cria coleções colecionáveis e marca estilo em um país onde isso ainda – e infelizmente – é coisa rara. Ronaldo faz a gente acreditar na magia da moda.
E a gente só pode dizer: obrigada, Ronaldo! Siga sendo incendiário, criador, poeta, crítico, designer, mágico e o que mais você quiser ser! A gente espera ansiosamente por cada surpresa.

Foto: Fernanda Nasser, divulgação

Foto: Fernanda Nasser, divulgação

 

A exposição

Caderno de roupas, memórias e croquis 

Croquis, material gráfico, vídeos e roupas convidam o visitante a mergulhar no universo e no processo criativo do estilista Ronaldo Fraga

• Onde? Galeria Sotero Cosme, na Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736)

 Quando? De 9 de novembro a 11 de dezembro. De terças a sextas, das 10h às 19h, e sábados e domingos, das 12h às 19h.

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