Estilistas levam a inspiração dos hambúrgueres para as semanas de moda

O apetite para renovar o closet vem sendo estimulado por sucessivas coleções de grandes nomes da moda internacional, que colocam o universo das guloseimas e do fast food no centro de suas criações

O movimento já dura um ano e provoca uma crescente revolução de costumes no mundo da moda e da gastronomia. Hambúrgueres deixaram de ser citados única e exclusivamente como sinônimo de fast food para serem alçados a um patamar nobre o de prato gourmet. Eles invadiram as melhores mesas da Europa, dos Estados Unidos, atravessaram a linha do Equador e agora instalaram-se de forma definitiva no Brasil.

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Há 10 anos, São Paulo contava com 50 restaurantes especializados no sanduíche. Hoje, são 287 hamburguerias, segundo levantamento feito pela consultoria Instituto Gastronomia. Trata-se do tipo de restaurante que mais cresceu na maior cidade do país: 575% em uma década. Rio de Janeiro e Porto Alegre não ficam atrás em velocidade e sabor. No Rio, o endereço da hora é o T.T. Burguer, localizado no Arpoador, empreendimento de Thomas Troisgros, filho do incensado chef Claude Troisgros. Aberta em agosto de 2013, a casa tornou-se point no pós-praia, com filas na porta todos os dias, nos horários do almoço e do jantar.

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Porto Alegre têm suas representantes à altura, como a Bife Hamburgueria e a Le Grand Burger – ambas revezando-se no topo das listas de melhores da cidade. Porto Alegre assiste ainda a outra tendência deste universo fast food de luxo: o crescimento de estabelecimentos que oferecem hot dogs gourmet.

A moda pegou carona nesse conceito há alguns anos. Primeiro, de forma mais frugal; agora, com paixão declarada por junk food e guloseimas. As bananas da Prada, tão comentadas na coleção 2011, abriram a porta para as pimentas e os alhos de Dolce & Gabbana e para os cajus da brasileira Isolda.

Nas coleções internacionais para o inverno 2015, o apetite foi escancarado, e grandes estilistas chutaram o balde de toda e qualquer dieta. Quanto mais hipercalórica a estampa e os acessórios, mais garantida está a diversão na passarela – e fora dela. Na temporada de desfiles prêt-à-porter de Paris, que terminou na última quinta-feira, mulheres de todas as idades e estilos foram flagradas pelas ruas usando jaquetas, bolsas e acessórios com a pegada pop.

Karl Lagerfeld levou ao extremo a celebração da comida ao transformar o Grand Palais em hipermercado de luxo no desfile da Chanel (aquele mesmo desfile que enalteceu o tênis como símbolo fashion com autorização para sair das quatro paredes das academias).

O cenário contou com centenas de produtos com a logomarca da grife francesa, entre eles a latinha de atum Délice de Gabrielle (o primeiro nome de Chanel), o queijo camembert Cambonay (brincadeira com a Rue Cambon, endereço da maison), além de patês, azeites, enlatados, embutidos, frutas, verduras e toda sorte de bebidas e alimentos. Lagerfeld não foi o único a enaltecer a comida, levando-a a ocupar um dos ambientes mais glamourosos do planeta – as passarelas dos desfiles de moda.

Jeremy Scott, considerado o “enfant terrible” americano, fez sua estreia como designer da marca italiana Moschino buscando referências um bocado “trash” para sua coleção. Famoso pela ironia com que planeja uma coleção, misturou a alfaiataria da grife às cores e aos ícones do McDonald’s. Renovou acessórios de forma quase cômica, como a bolsa com o símbolo da maior cadeia de fast food do mundo. Fashionistas foram ao delírio com a criação. Testemunhas de bastidores dão conta de que rolou até puxão de cabelo entre compradores no showroom da marca em Milão.

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