Estilistas propõem em Milão roupas para um verão muito, muito quente

Emporio Armani e Blugirl desfilam tons pastéis e roupas leves, e Ermanno Scervino exibe uma explosão de cores quentes

No desfile da Emporio Armani, paleta de cores claras e frescas
No desfile da Emporio Armani, paleta de cores claras e frescas Foto: GIUSEPPE CACACE

A julgar pelas coleções dos desfiles em Milão, o próximo verão será tórrido, ou os estilistas imaginam dessa forma. Max Mara apresenta criações estilo safari, Emporio Armani e Blugirl desfilam tons pastéis e roupas leves, e Ermanno Scervino exibe uma explosão de cores quentes.

Com um turbante no cabelo, macacão de aviador caqui ou marrom em couro, a aventureira imaginada por Laura Lusuardi para a Max Mara não tem medo de enfrentar uma atmosfera selvagem. Na sua mala estão blusas saarianas, longas capas de chuva fluidas, blusas folgadas com capuz destacável, tudo isso em tecidos etéreis (gaze, viscoses, sedas) e em tons terra (tabaco, marrom, mogno). Para suportar o calor tropical e para passar despercebidas nesta natureza hostil, algumas modelos vestem estampas de animais. A jaqueta saariana de mangas enroladas pode ser presa de um lado e é vestida com uma saia reta ou bermudas.  Para este safári improvisado, nossa aventureira, que opta por um guarda-roupa mais masculino, se permite usar algumas peças com um toque barroco: vestidos, saias e capas de chuva em patchwork, onde se misturam desordenadamente os quadrados Madras, com estampas militares e de leopardo.

Com ou sem calor, Miuccia Prada como sempre nada contra as tendências trazendo uma coleção de verão de estolas e peles, mas de manga corta, mas com a presença até mesmo do vison. Brancas ou pretas, aparecem decoradas com flores, princalmente vermelhas. Um vermelho vivo elétrico dá pequenos toques nesta coleção de inspiração japonesa: nos lábios carmim das modelos com franjas rebeldes e pernas de fora, nas margaridas bordadas nas roupas, nos ramos pintados nos casacos e nos sapatos “jika tabi”, que separam o polegal dos outros dedos ou em plataformas dos típicos tamancos japoneses. Os vestidos, as minissaias cruzadas e as calças curtas são de seda. Como acessório, Miuccia trouxe um bolso na mão.

Em Ermanno Scervino, as cores quentes formam um coquetel de tonalidades alaranjadas, corais, fúcsias, violetas e amarelas. Tudo é superlativo. O comprimento varia entre as minissaias ou calças curtíssimas e os vestidos tubo maxis. As longas jaquetas dos homens, sem mangas, parecem vestidos ou casacos. Franjas ou plumas dão o toque final a este look.

Com sua paleta de cores neutras (canela, rosa pálido ou bege), para sua segunda linha Emporio, Giorgio Armani escolheu celebrar o verão de uma forma muito distinta. As roupas se iluminam à noite com tecidos metálicos ou de cobre. Para o próximo verão, o estilista aposta em um estilo refinado. Calças, camisas e jaquetas combinam tom sobre tom. As peças sedosas de cortes impecáveis deslizam com elegância sobre a pele. As partes de cima com traços gráficos são usadas com saias curtas ou calças curtas folgadas, muitas vezes em couro trançado.

Para sua linha juvenil Blugirl, Anna Molinari também opta por cores pastéis, mas em outro contexto. Com seus vestidos de algodão de boas meninas franzidos na cintura, estas jovens parecem saídas de álbuns de fotos de David Hamilton. Algumas fitas caem sobre as costas de um chapéu de palha florido ou atadas à cintura e os babados adornam as saias de seda.  Sua roupas pegam emprestados elementos das avós, com bordados, vestidos de crochê ou tons de seda e tules transparentes, sempre inocentes.

Na primeira noite, na quarta-feira, tecidos vaporosos, pele à mostra e transparências reinaram em Milão, como um hino à leveza. Gucci abriu os trabalhos brincando com a seda, principalmente a gaze de seda, a organza e o tule em peças fluidas que pareciam flutuar em elegância. Em uma tendência pouco explorada até agora, a diretora de criação da marca, Frida Giannini, apostou no minimalismo. Toda a coleção foi criada com um punhado de peças: vestidos curtos para o dia, longos para a noite e conjuntos de calça combinadas com túnicas ou blusas com cintura marcada por cintos. As calças eram largas nos tornozelos e as mangas das túnicas de gola alta se abriam como guarda-chuvas no antebraço.

Os looks vieram todos monocromáticos, em rosa azaleia, azul elétrico, amarelo limão, branco e preto, em tons sombrios, com um toque dos anos sessenta. Mas a estilista conseguiu injetar energia a essas cores jogando com volumes, fendas e superposições ou babados que se enrolavam ao redor dos braços e do pescoço em suntuosos vestidos.
Por detrás de óculos coloridos combinando com as roupas, as modelos se faziam passar por mulheres misteriosas. Colares em coral e pedras preciosas iluminavam os vestidos de noite muito leves, em branco ou preto.

Também optou pela leveza o desfile de Alberta Ferretti, que não usou nada além de musseline de seda, organza e cetim, em um estilo mais suntuoso com a ajuda de pedras e bordados. A estilista associou a noção de leveza com a transparência e a fluidez da água. Ninfas ou donas de castelos de uma época distante, as modelos pareciam saídas de um poço escuro no fundo de um parque à luz da lua. Alguns vestidos usados com finos suspensórios quase invisíveis e cobertos por lantejoulas brilhavam suavemente na passarela. Outros têm movimentos sinuosos acentuados por suas franjas peroladas. As túnicas de seda se prolongavam nas costas e eram usadas com calças. No pescoço, as modelos usavam um bordado preto com forro transparente nude parecendo tatuagens.
A paleta de cores percorreu todos os tons aquáticos: azulados, lapis-lazuli, cinza pálido, verde água e opalina.

 

No desfile de John Richmond predominaram as transparências e a mulher parece duvidar entre a feminilidade absoluta e um ímpeto masculino. Seu coração vacila entre os vestidos de busto marcado dos anos 50 e a jaqueta roqueira com spikes de metal. A jaqueta Teddy, esportiva, reapareceu em uma versão suave, em algodão branco bordado.

No mesmo estilo, a nova coleção Kristina Ti da estilista Cristina Tardito aspira ser “um manifesto imaginário da mulher moderna que se ama e sabe o que quer”. É romântica, mas segura de si mesma, não tem medo de exaltar seu lado mais feminino, sem deixar de afirmar sua personalidade complexa. Vestidos amplos e longos de algodão ou seda com um toque de anos 70 marcam os looks mais frívolos, com calças curtas ou minissaias usadas com tops, que jogam constantemente com as transparências. Um ombro fica solto no ar ou cai pelas costas e muitas vezes vemos os seios da modelo embaixo de uma blusa etérea.

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