Hamish Bowles é o novo colunista da revista Vogue

O editor internacional da publicação gosta de moda desde criança

Hamish Bowles estudou Jornalismo de Moda na Saint Martin's School of Art
Hamish Bowles estudou Jornalismo de Moda na Saint Martin's School of Art Foto: Andrew Testa

    

Quando Hamish Bowles era garotinho e ainda caminhava com a mãe pelas ruas perto de sua casa, no bairro de Hampstead Garden Suburb, em Londres, viu uma indiana elegante, usando um sari elaborado, caminhando em sua direção.

? Hamish correu para a mulher e começou a puxar a roupa ? contou, recentemente, Anne Bowles, sua mãe.

? ‘Mamãe, mamãe, olha, tem fio dourado’ ? ela relembra o que o menino disse.

? Ali já deu para ver que Hamish se interessava pela moda ? concluiu.

Pois os fios coloridos não se mostraram um interesse passageiro para Bowles, o elegante editor internacional da Vogue escolhido para assumir o lugar (se não os caftãs folgados) de André Leon Talley, o colunista que deixou a revista em fevereiro para editar a Numero Russia.

? Queríamos preencher o vazio com outra voz convincente, persuasiva, que trouxesse ao público o mundo da moda, das viagens e dos lugares extraordinários a que Hamish vai e as pessoas que vê ? explica Anna Wintour, editora da Vogue.

Para a festa que ela organizou em junho para o 50º aniversário de Bowles, Ralph Lauren fez um terno de três peças em rosa ao qual o homenageado prendeu uma corrente e um alfinete art déco com um diamante e uma esmeralda.

? Vida longa para a rainha de lilás e que encontre entre as pilhas de quinquilharias um casaco Balenciaga ? o escritor Christopher Mason fez um brinde a Bowles (conhecido pela paixão pela cor) cantando.

E olha ele estava sendo sutil. Se Talley fosse o estagiário da Vogue, pavoneando-se de capa e dando ordens, Bowles seria seu professor, com uma das maiores coleções particulares de roupas vintage do mundo, que guarda no Bronx e no Queens. A convite de Oscar de la Renta, foi o curador da exposição “Balenciaga na Espanha” que passou por Nova Iorque e São Francisco há dois anos – assim como da mostra “Jacqueline Kennedy e os Anos na Casa Branca”, no Museu Metropolitano de Arte, em 2001.

Sua nova coluna começou com uma visita a Chatsworth, onde moram o Duque e a Duquesa de Devonshire.

Entretanto, Bowles já mostrou também um lado cômico, apostando em um jornalismo “de imersão” e uma visita a Boulder Survival School, uma sessão de surf com Blake Lively e, segundo sugestão da própria Wintour, um teste para “The X Factor”. (Ele é famoso por cantar as músicas de shows da Broadway no Marie’s Crisis de Greenwich Village.)

? As sugestões das matérias experimentais que tenho feito vêm da Anna e dos outros editores ? contou ele outro dia, sentado em seu duplex chique, decorado pelos amigos Roberto Peregalli e Laura Rimini, protegidos do mestre italiano Lorenzo Mongiardino.

? As ideias surgem em suas mentes ardilosas ? completou, meio brincando, meio falando sério.

As paredes da sala estavam cobertas de estantes lotadas de livros e trabalhos cuidadosamente organizados em biografias, moda e decoração.

? Optamos por fazer algo Proustiano aqui, mas lá em cima, preferi um visual mais Madeleine Castaing ? referindo-se à decoradora francesa famosa por misturar peças francesas, russas, britânicas e acessórios baratos.

É de se esperar que Bowles se sinta pouco à vontade em qualquer outro mundo que não seja o de grandeza aristocrática que ele ama analisar, mas Wintour garante que essa é uma noção equivocada.

? Temos essa ideia de que Hamish é uma pessoa especial que vive em um mundo especial, mas não é nada disso. Ele se sente em casa em qualquer lugar ? disse.

Um editor de uma publicação rival que preferiu não se identificar sugeriu que o fato de Bowles cobrir essas matérias estranhas faz parte de uma estratégia consciente de Wintour para torná-lo mais acessível.

? Seu foco era muito limitado, muito exclusivo. Acho que a Anna quis ampliá-lo para que os leitores pudessem se identificar. Se você está nas redes sociais não pode ser uma pessoa que só fala de mercados de pulgas em Paris ? disse.

Bowles concorda.

? A nova abordagem dá um sentido de variedade àquilo que era visto como uma ‘realidade dourada e restrita’ ? disse.

Quando Hamish tinha seis anos, sua família percorreu o norte da África em um trailer Volkswagen.

? No Marrocos, ele começou a desenhar roupas femininas. Desenhava toda noite. Aos nove anos de idade costumava entrar nas lojas de roupas de instituições de caridade para ver os forros. Foi quando começou a colecionar. Visitávamos feiras de antiguidades. Várias mulheres faziam amizade com ele e lhe davam pequenas amostras de renda vitoriana ? conta a mãe.

Bowles também fala de suas recordações:

? Comecei a prestar atenção nas revistas de moda, principalmente a Vogue britânica. Li muita coisa sobre Cecil Beaton e foi aí que achei que deveria começar a colecionar ? relembra.

Aos 14, Hamish se inscreveu em um concurso promovido pela Vogue britânica, concorrendo com seus desenhos e um artigo sobre seu estilista favorito e ganhou menção honrosa.

? Aquele foi o momento decisivo. Foi convidado para trabalhar na Vogue, à base de champanhe e suco de laranja, e nunca mais olhou para trás ? resume a mãe.

Se o interesse em moda e estilo extravagante fez de Bowles um desajustado durante a infância e adolescência, ele encontrou seu nicho quando foi aceito na Saint Martin’s School of Art, onde estudou Jornalismo de Moda. Aos 19, foi contratado para trabalhar na edição adolescente da Harpers & Queen; três anos depois, depois de se destacar com um talento considerado muitas vezes excêntrico – como a foto que ficou conhecida como o “Assassinato no Expresso Americano” – tornou-se o editor de moda mais jovem da revista.

O garoto revelação chamou a atenção de Wintour. Em 1993, ano em que a Vogue norte-americana fotografou seu apartamento lilás em Londres, Bowles aceitou a oferta que lhe fizeram para trabalhar em Nova Iorque.

? Tinham surgido algumas coisas interessantes, mas não irresistíveis; aí, veio o convite ? conta ele.

Sua ascensão não foi exatamente tranquila: escolhido para tocar a Vogue Living, em 2006, a revista acabou não dando certo, em parte por causa da crise econômica.

? Na verdade estávamos fazendo um teste, mas o período se mostrou turbulento demais ? explica.

Apesar do tropeço, fez um batalhão de amigos entre celebridades e socialites – tanto que foi convidado por Sarah Jessica Parker para acompanhá-la à festa do Costume Institute em maio.

E sua agenda de viagem é formidável até para o grupinho seleto da moda internacional: no fim de junho, foi para Miami para o casamento do astro do Knicks, Amar’e Stoudemire, com quem já fez uma matéria, com Alexis Welch. De lá, foi para Paris para ver alguns desfiles e depois para Veneza, onde participou de um baile de máscaras para 400 pessoas organizado pela Dolce & Gabbana.

Na manhã seguinte foi ver a exposição de Manet no Palazzo Ducale, classificando-a como “impressionante” antes de pegar o voo de volta a Nova Iorque, onde aproveitou seu tempo livre para – em suas próprias palavras – “agonizar” sobre o trabalho filantrópico de Emma Bloomberg, filha mais velha do prefeito da cidade, Michael R. Bloomberg.

Segundo Wintour e alguns colegas, Bowles não é lá muito bom em cumprir prazos, mas a cobertura de suas aventuras pelo mundo conseguiu sair no número de setembro, incluindo uma observação feita por Caroline Sieber, estilista e embaixadora da grife Chanel (a cujo casamento ele também foi), de que tinha seguido o conselho de Bowles em relação ao vestido de noiva.

Contradizendo seu estilo discreto, Bowles escreveu sobre sua própria festa de aniversário. Durante o brinde, Wintour confessou ter se sentido honrada por ter sido convidada por Bowles a organizar um jantar para 20 pessoas (que acabaram virando cem), que foi seguido de mais dois jantares e uma “fête champêtre” na Inglaterra.

? Descobri que meu nome era o primeiro em uma lista de eventos que mais parecia uma turnê pelo mundo todo, mas, na verdade, o jantar foi só o aperitivo de uma série de comemorações ? disse Wintour, com uma ponta de orgulho na voz.

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