Harm, OMINIMO e PHSD: três promessas da moda made in RS que vale a pena conhecer

Fotos: Bruno Alencastro
Fotos: Bruno Alencastro

Harm

Provocativa, mas sem perder a delicadeza. Assim pode ser definida a Harm, marca lançada pela artista visual Marina Borges, 23 anos, no início de 2016. Feitos à mão, os acessórios como chokers vão muito além da divisão de gênero.

Tudo começou quando a estudante da UFRGS passou a criar, para uso próprio, seus primeiros modelos de harness, acessório preso ao corpo que envolve pescoço, tronco, braços e até pernas. Com as próprias mãos e uma boa dose de criatividade, recriava para si tudo o que via na internet.

— Sempre procurei me identificar com coisas que condiziam com a minha personalidade. A Harm nasceu das minhas pesquisas. Via acessórios que não podia comprar por aqui e pensei: “Por que não fazer”? — conta.

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Quando as amigas (e os amigos também) começaram a pedir, Marina percebeu que era hora de transformar o projeto pessoal em negócio. Chamou o namorado e alguns colegas, que a ajudaram a criar a identidade visual da marca. Com o avô, que tinha uma fábrica de sapatos, tirou suas dúvidas sobre como trabalhar com couro e foi “fazendo no sentimento”. Entre os primeiros modelos que colocou à venda no h-a-r-m.com, estão os chokers em PVC e couro que viraram hit da grife. Para o futuro, não descarta ampliar a marca com itens como roupas e sapatos, mas por enquanto os planos estão centrados nos acessórios. Tudo, claro, sem deixar de lado seu trabalho com as artes visuais.

— Acho que ando bem lado a lado com a arte e a moda porque são duas maneiras específicas de se expressar. Já uso bastante os cintos e o couro nas minhas esculturas, então o material me ajuda. A única coisa que muda é onde você vai pôr: no corpo ou dentro de uma galeria.

Harm
Por Marina Borges

Onde encontrar: h-a-r-m.com
Saiba mais: pelo Instagram @h_a_r_m_ e pelo Facebook fb.com/harmstore

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OMINIMO

Saia que se transforma em blusa e pode ser usada de até 20 maneiras diferentes. Macacão que tem ou deixa de ter alças em um piscar de olhos – ou, melhor, algumas dobras e amarrações depois. É essa a proposta da OMINIMO, marca de moda transformável criada pelo designer Rafael Körbes, 29 anos. Com seis meses de existência recém-completados, o projeto da grife é provocar a reflexão das pessoas e estimular o consumo consciente.

— Minha marca é uma provocação. Será que você precisa de tanta roupa assim? Será que precisa comprar sempre? Será que não tem peças que você comprou hoje e pode usar daqui a uns cinco anos tranquilamente? — questiona.

A ideia surgiu para Rafael em 2012, quando estudou customização em massa enquanto cursava um mestrado em Design. Pouco antes, havia sido um dos finalistas do Lycra Future Designers na categoria jeanswear, quando então começou a trabalhar com peças multifuncionais, como chamava à época. Mas foi só em 2015 que a marca tomou forma: de setembro a março deste ano, o designer criou as primeiras peças e colocou no ar o e-commerce ominimo.com.br.

Como Rafael mesmo gosta de dizer, é ele próprio quem cria, corta, costura, modela e embala cada roupa. Faz as vezes de videomaker também: para ajudar as clientes na hora de vestir, o estilista grava e edita tutoriais em vídeo que funcionam como um manual de instruções.

— Sem os vídeos, as peças não funcionam. Sei que dos 20 jeitos, cada uma vai usar de fato dois ou três, mas é ela quem vai encontrar os seus favoritos. É um processo divertido também, e ela pode descobrir possibilidades que eu não vi — diz.

Além das 18 peças diferentes que você encontra no site, Rafael já tem prontas para lançar outras 30. Mas nada de coleção nova: trata-se de uma família de produtos, que apenas vai ganhando novos membros. Nada de tendência da temporada, portanto.

— A minha peça é mais uma ferramenta de vestir. Tento ir para outro lado, um novo horizonte dentro da moda — define Rafael.

OMINIMO
Por Rafael Körbes

Onde encontrar: site ominimo.com.br
• Saiba mais: pelo Instagram @useominimo e pelo Facebook fb.com/ useominimo

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PHSD

Casaco de plástico? Ele já fez. Plissar tecidos sintéticos como lamê e cetim? Também. É assim, experimentando e criando a partir de materiais que fogem à regra, como lona e até espuma de estofamento de carro, que o estilista Paulo Henrique Saul Duarte emprestou suas iniciais para dar o start na PHSD. Aos 23 anos, já cursou Jornalismo no Canadá, mas foi ao enveredar pela moda que descobriu o que, de fato, o faria feliz. Depois de trabalhos como styling e modelo, participou de um concurso promovido pela Feevale, onde estuda Moda, que o levaria até o Donna Fashion Iguatemi 2014, em que novos talentos se apresentavam antes dos desfiles de cada noite.

— Foi quando percebi: é aqui onde quero ficar na moda, no backstage. Quero ver a modelo desfilando minha roupa. É isso que quero sentir — lembra.

Durante mais de um ano, foi desdobrando a coleção que mostrou na passarela do DFI, pensada a partir de materiais furta-cor holográficos. Com pegada futurista, jaquetas refletivas e saias transparentes estão entre as peças da PHSD. Mas talvez o destaque mesmo sejam os plissados. Paulo Saul aprendeu a técnica com a avó de 90 anos, que até hoje é a responsável por dar o efeito. Foi dela, aliás, que veio o apoio para que o jovem de Novo Hamburgo se jogasse sem medo no mercado da moda – ou, como a vovó gosta de chamar, na carreira de “modista”. Agora, ele se prepara para lançar sua nova coleção, que conta com um apoio especial. Paulo Saul foi o vencedor do projeto Acelerador de Marcas Criativas e ganhará consultorias de branding e marketing para pensar tudo o que desfilará em novembro. A inspiração?
O verão, mas de um jeito que foge totalmente ao lugar-comum, como tudo o que se refere a PHSD. Alguém duvida?

PHSD
Por Paulo Saul

• Onde encontrar: site www.phsd.com.br
Saiba mais: pelo Instagram @p.h.s.d e pelo Facebook fb.com/PHSDfashion

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