Lilian Pacce avalia o que há de novo na moda e faz suas apostas para a temporada

Foto: Andréa Graiz
Foto: Andréa Graiz

Uma das autoridades do país quando o assunto é moda, a jornalista Lilian Pacce está sempre ligada em tudo o que acontece no universo fashion. Na entrevista a seguir, a editora do programa GNT Fashion e publisher do site que leva seu nome comenta os temas que têm mobilizado o mercado da moda, como os desfiles sem estação definida – estratégia utilizada por cada vez mais marcas e que deixa para trás a divisão de coleções por inverno e verão – e o “see now, buy now” (veja agora, compre agora, na tradução), modelo de negócios que prega a venda imediata de tudo que é visto nas passarelas logo após o desfile. Mais: aponta seus favoritos entre os novos estilistas e compartilha sua aposta fashion para a estação.

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O mercado de moda hoje

“Quanto mais possibilidades e alternativas o mercado puder oferecer, melhor para o consumidor, que consegue escolher para onde vai. Ninguém é só uma coisa. Mesmo o consumidor do mercado de luxo pode se encantar com alguma coisa do fast fashion, ou do slow fashion, e vice-versa. Um consumidor do fast fashion também pode se encantar com o mercado de luxo e não ter possibilidade, mas saber que aquilo existe – saber apreciar um produto de luxo é muito importante também. Eu gosto de falar que podemos comparar a alta-costura com obra de arte: não é acessível, mas poder ter acesso àquela informação e apreciar aquilo já é muito bom. É isso que cria uma cultura de moda.”

Desfile sem estação definida

“Não é um caminho, é uma tentativa ainda. Como jornalista e comunicadora, fico muito preocupada, porque, historicamente, talvez esse momento de transição seja muito complicado, especialmente no Brasil, onde a gente já não tem memória. Digamos que definam que não tem mais outono/inverno e primavera/verão: por mais que, na prática, não exista, é uma nomenclatura que ajuda muito. Você entende o período em que foi lançado, o período em que foi consumido. Temo pela eliminação da nomenclatura das temporadas, porque as estações do ano ainda são essas, a não ser que mudem.”

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See now, buy now

“É um desafio enorme para as marcas. Por um lado você perde vendas se não tiver aquele produto disponível, mas não é todo mundo que conseguiria disponibilizar aquela peça no see now, buy now. Esse sistema vem mais no intuito de encurtar a distância entre o despertar do desejo e a realização da compra: de fato, seis meses hoje é muito tempo (o período médio entre o lançamento de uma coleção e a chegada às lojas). Ao mesmo tempo, para as grandes marcas é um desafio gigantesco. Não é uma marca que vende para 10 lojas em Porto Alegre. São marcas que vendem para 300 lojas no mundo todo, que dependem da alfândega de cada país, da distribuição, de muita coisa. Mexer nesse sistema é muito complexo. Por isso, as grandes marcas passaram a valorizar essas coleções Cruise ou Resort (coleções intermediárias, lançadas no outono e na primavera), que são um meio de renovar o desejo de moda sem esperar seis meses. Todo mundo está tentando encontrar e como lidar com essa informação tão imediatista da moda e a realização do negócio em si.”

Como ser fashionista na crise

“Criatividade e conscientização. No fundo, ninguém precisa de tanta roupa. Aliás, ninguém precisa de roupa, e, geralmente, o que a gente tem no armário daria para viver por muito tempo, mas a gente sempre quer ter aquela novidade, dar uma atualizada. Tem que pesquisar mais, entender melhor as suas necessidades, encontrar maneiras de atualizar seu armário sem falir. É preciso ter uma conscientização maior do seu consumo e, para isto, não tem nada melhor do que estar bem informada. Você vai consumir com segurança e vai consumir menos. Vai ver que não precisa de cinco peças, mas da peça X específica, que vai resolver sua vida.”

Aposta para o verão

“O comprimento mais longo que está se estabelecendo, como o mídi, tanto em saias e vestidos como na pantacourt, que não é novo.”

 

Para ficar de olho

Lilian Pacce indica os novos estilistas que vale conhecer:

Fernando Cozendey, que tem um trabalho muito lúdico, Vitorino Campos, muito talentoso, as marcas The Paradise e Isolda… Tem pessoas que são jovens e estão estabelecidas, como Lilly Sarti, Lolitta, Patricia Bonaldi. Do Sul, a Barbara Casasola, que tem uma carreira internacional linda, e a Helen Rödel, de quem sou superfã. Vou esquecer nomes e, ao ler esta entrevista, vou ficar chateada de não ter falado. Tem muita gente, graças a Deus.”

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