Crespas com orgulho: marca infantil lança editorial a favor dos cabelos crespos

(Quilombo Dos Meninos Crespos / Divulgação)
(Quilombo Dos Meninos Crespos / Divulgação)

“Empoderar, encrespar e resistir” é o lema da marca da Lulu e Lili Acessórios, criada para suprir a falta de acessórios no mercado para cabelos crespos. E para divulgar a marca, a criadora, Renata Morais, produziu um ensaio chamado “7 meninas crespas”, onde garotinhas exibem os produtos da marca e, claro, a beleza negra.

E mais do que um ensaio de divulgação, o editorial também representa a afirmação, autoestima e aceitação dos cabelos crespos. Feita em parceria com a produtora audiovisual Quilombo dos Meninos Crespos, o vídeo e as fotos foram feitas na Pedra do Sal, na zona portuária do Rio de Janeiro, marco da resistência negra. A empresária escolheu filhas de amigas, de clientes e a filha, Elis – inspiração da marca – para estrelar a campanha. No início, eram seis, mas Renata, que é supersticiosa, lembrou de uma das primeiras clientes, Ana Carolina, e decidiu que não poderia fazer a campanha sem ela.

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No dia da gravação, Elis, Júlia, Maria Clara, Alice, Ana Carolina, Helena e Isabella escolheram os acessórios que Renata levou em uma mala e vestiram suas próprias roupas. Elas mesmas escolheram as poses e não usaram maquiagem.

– A proposta era mostrar para as pessoas, marcas e a mídia que elas estão aqui. E elas consomem, compram e precisam ser representadas – disse Renata.

Para ela, muitas marcas deixam de colocar meninas negras em campanhas e, quando colocam, a ideia é de beleza exótica.

– Quando meninas são ensinadas ainda pequenas sobre afirmação, elas crescem mulheres fortes que vão saber lutar e lidar com o preconceito.

Renata sabe do que fala. Ela nasceu em uma família de classe média e frequentou um colégio particular no Rio de Janeiro – ela era única menina negra. Nunca teve acessórios que valorizassem seu cabelo. Usava o cabelo curto por vontade da mãe, até que começou a tratar quimicamente as madeixas. Porém hoje, com 30 anos, Renata é “natural” e militante do coletivo Meninas Black Power.

– Hoje eu saio com meu cabelo livre.

 Quilombo Dos Meninos Crespos / Divulgação

Quilombo Dos Meninos Crespos / Divulgação

“Empresária e sacoleira”

É assim que Renata se define. Isto porque transformou a sala de sua casa em ateliê, onde confecciona seus produtos, mas ainda vai até praça do bairro onde mora para encontrar clientes levando o mostruário numa sacola.

Tudo começou depois do nascimento da segunda filha, Elis, hoje com quatro anos. O cabelo da filha mais velha, Luiza, tinha cachos fáceis de prender. Mas em Elis, nem presilha ou tiaras ficavam muito tempo. Renata, então, começou a fazer laços e flores artesanalmente para as filhas. A coisa começou a dar certo. O marido de Renata resolveu juntar forças à esposa. Largou o emprego, juntou todo o dinheiro da família e comprou o maquinário. Nunca havia traçado uma agulha e fio, mas logo aprendeu a costurar.

São faixas para turbantes de todos os tipos, faixas, laços, flores. O produto mais caro da linha da Lulu e Lili custa R$ 17 e as vendas são feitas através do site, agendadas pelo Facebook e em feiras. Só nessa semana, foram feitas 15 encomendas para vários Estados. Os produtos feitos por Renata e seu marido já foram exportados para Suiça, Portugal e Angola. O sucesso é tanto, que amanhã Renata e as filhas estarão no programa Encontro com Fátima Bernardes, da Rede Globo.

– De tudo o que está acontecendo, o nosso maior retorno são os depoimentos de mães que mudaram seus conceitos. Alisar por quê? Mas entendo que cada mulher têm seu tempo, mas precisamos deixar nossas crianças livres. Queremos mostrar que essas meninas são negras, crespas e perfeitas. A venda [dos produtos] é uma consequência – acredita Renata.

Confira o editorial:

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