Mary Design usa tradições artesanais para criar bijuterias que fazem sucesso além de qualquer fronteira

Estilista mineira dá palestra em Porto Alegre no dia 17 de setembro

Foto: mary design

Mary Figueiredo Arantes do Nascimento ama tanto o que faz que fez do ofício seu sobrenome. Foi assim, como Mary Design, que esta mineira nascida em uma das regiões mais pobres do Brasil, o Vale do Jequitinhonha, viu o belo onde todos viam nada, mudou o rumo da vida e ficou conhecida além de qualquer fronteira.

E, ao contrário do que possa sugerir tal título “americanizado”, a inspiração de suas bijuterias-joias vem da essência simples que nunca a abandonou e do que há de mais brasileiro, como o artesanato, os fuxicos e as fofocas, as palavras miúdas, as crenças graúdas.

Envolventes em todos os detalhes, as peças fazem jus à fama do mineiro de excelente contador de histórias, já que cada sianinha, cada bordado, cada cristal, cada porcelana, cada pérola tem motivo para estar lá – e a designer adora falar sobre isso. “Nem entrevista mineiro dá, ele conta histórias”, brinca Mary já no começo dessa conversa motivada pela vinda da designer à capital gaúcha na  terça-feira para participar do Inspira, projeto criado pela Up Design com apoio do StudioClio para revelar inspirações de grandes talentos (Ingressos à venda no www.studioclio.com.br).

Ecoconsciente desde a criação da marca, há mais de 30 anos, Mary constrói as peças com todos os tipos de materiais, com paixão extra pelos inusitados, como câmeras de pneus, botões antigos, palha de aço, garrafas Pet. “Tornar o desprezível ser prezado é o que me agrada”, diz Mary, citando o poeta Manoel de Barros e dando um banho de upcycle, conceito tão cobiçado hoje.

Cada alinhavo ou material traz impresso uma memória, um sentimento, um dizer algo, como os colares penca da sorte, os primeiros e até hoje os mais pedidos, montados com diversos “talismãs” e enfeites das memórias infantis da criadora. “Não me interesso em fazer biju, mas, sim, em como fazer e no que quero falar com cada uma delas”, revela a também poeta e cronista.

Caçula de oito irmãos de uma família simples, com pai alfaiate e mãe professora, Mary se formou em Odontologia – “cada filho tinha que fazer bonito” e chegou a exercer a profissão por três anos, mas desde a faculdade já fazia bijus como um extra, que acabou ganhando força, até ela montar uma pequena fábrica na sala de casa e o que era hobby virou profissão.

O amor pelo fazer era tanto que acabou conquistando também o marido de Mary, o Moreco, como ela o chama, um médico que desde o comecinho fazia colarzinho nos plantões e agora administra a grande empresa, que tem mais de 800 pontos de venda no Brasil e no mundo. “Arista não sabe fazer conta e ele é o responsável pelo sucesso da Mary Design. Moreco é meu São José, mesmo porque se chama José de Paula.”

Com o crescimento da empresa, Mary conta com um grande grupo de colaboradoras artesãs. O processo de criação é curioso, um toma lá dá cá. A inspiração, os materiais, a cartela de cores são apresentados às artesãs, que levam o trabalho para casa, interpretando, em um primeiro momento, de um jeito particular. Depois elas apresentam o resultado para o grupo, que tece junto para afinar a peça, ajustando os detalhes em busca da harmonia da coleção. 

Também há um alinha de resina e metalúrgica, produzida em fábricas terceirizadas, que seguem os desenhos da equipe de estilo em peças exclusivas. “O que realmente me interessa é contar histórias através das bijuterias. Como dizem no candomblé, elas são meu cavalo.  Meu sonho é poder lançar um livro onde pudesse contar minha vida e todo meu processo criativo, totalmente intuitivo.”, comenta Mary, que se considera uma amadora no sentido de amar o que faz todos os dias. Inspirador!

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