Milka comemora 70 anos de vida e 56 de carreira com a abertura do Museu da Moda

Estilista celebra um dos projetos mais incríveis de sua trajetória

Milka Wolff estudou e trabalhou na confecção das peças do Museu da Moda por dois anos e contou com a ajuda de uma equipe de 20 profissionais
Milka Wolff estudou e trabalhou na confecção das peças do Museu da Moda por dois anos e contou com a ajuda de uma equipe de 20 profissionais Foto: Cleiton Thiele

Corria o ano de 1969 quando a estilista Milka Wolff inovou ao abrir em Porto Alegre sua confecção de peças finas e sofisticadas. Mais de 40 anos depois, com a experiência de ter produzido para muitas passarelas, agora ela lança moda novamente. Torna reais as roupas que vestiram gerações e que até então eram vistas, estudadas e copiadas somente das páginas dos livros ou da tela do cinema.

Inaugurado nesta semana, o Museu da Moda precisaria de um lugar receptivo aos turistas para abrir as portas e ter a perfeição de suas roupas prestigiada. Canela, na região das Hortênsias, acolheu o atrativo como um novo destino que entra para o roteiro dos mais de 4 milhões de visitantes que passam pela cidade todos os anos.

Cento e cinquenta peças remontam em manequins a história da moda desde os anos 4.000 A.C. Perfeccionista e exigente com tudo o que produz, Milka dedicou-se por dois anos e envolveu uma equipe de 20 profissionais na confecção de cada traje.

? Achava incrível não ter um museu no mundo que contasse essa história. A moda precisava ser eternizada. Por isso decidi fazer roupas que retratassem a história com um visual agradável, sem velharias ? justifica a estilista, que fez a pesquisa histórica ao lado da especialista em Cultura da Moda Débora Elman.

Réplicas que vão do Egito, na Antiguidade, passam pelas rainhas francesas e chegam ao século 21 são fidedignas. Têm tecidos e costuras feitas exatamente da mesma forma como as originais.

? Cada uma das roupas foi confeccionada do início ao fim por uma mesma pessoa, como uma obra de arte ? explica.

:: Veja a galeria de fotos com imagens do Museu da Moda

Destaque da exposição, o vestido de luxo da rainha Maria Antonieta precisou de um mês, sem pausas, para ficar pronto. É ele, vestido em uma manequim no cenário do palácio de Versailles, ornamentado com peças originais francesas, que mais emociona a estilista pela riqueza e o brilho dos fios de ouro.

Tendo começado a confeccionar suas próprias roupas aos 14 anos, Milka chega aos 70 realizando uma de suas maiores obras com os tecidos. O retrato da história da moda não se encerra, contudo, com a abertura do museu.

Em confecção, no ateliê em Porto Alegre, vestidos clássicos do cinema, entre eles os trajes de Marilyn Monroe e Grace Kelly, estão sendo preparados para relembrar 12 divas da tela grande em exposição temporária para o próximo ano.

Nascida em Bagé, Milka se mudou para Porto Alegre na adolescência e adotou a cidade como sua. Aos 14 anos, fez seu primeiro curso de corte e costura. A partir de então, começou a confeccionar suas próprias roupas.

? Muitas pessoas me pediam, ainda quando eu era adolescente, para costurar para elas ? lembra.

Foi aos 21 que abriu sua primeira loja na Capital, a Petit, especializada em moda para bebês e crianças até 12 anos. Sete anos mais tarde, atenta à carência de confecções de luxo, inaugurou a própria empresa. Dos quatro funcionários da época, a confecção com a marca Milka cresceu.

Atualmente, além da confecção, a estilista também mantém, em Porto Alegre, uma loja de antiguidades. Muitos de seus objetos de decoração e móveis requintados viajaram até Canela para ornamentar as vitrines de época do Museu da Moda.

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