À minha moda: 5 personalidades apresentam seu estilo sem medo

Anderson Fetter, Agência RBS
Anderson Fetter, Agência RBS

Muito nos orgulha apresentar uma edição especial dedicada às novidades da temporada. Mas Donna tem a convicção de que moda é muito mais do que apresentar ou seguir tendências do que vestir. Nosso estilo é também um cartão de visitas e, não raro, tem mais a dizer e a representar sobre a nossa visão do mundo do que parece. Por isso, convidamos cinco personalidades a nos apresentar um look dos próprios armários e, a partir dele, refletir sobre quem são, como se vestem e o que uma coisa tem a ver com a outra. E aí, qual é a sua moda?

Nanni Rios – 30 anos, sócia do espaço Aldeia e ativista LGBT

Foto: Anderson Fetter, Agência RBS

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Se vestir, como quase tudo na vida, é um ato político. Então, gosto de usar isso para dar uma bagunçada nas estruturas. Adoro vestidos, mas, se tenho de ir a uma formatura, a um desses ambientes em que se reúnem os mais diversos tipos de pessoas e visões de mundo, acho legal usar um terninho. Gosto de usar um coturno em determinadas ocasiões estratégicas também. É como se você dissesse: ‘Ah, sou sapatão? Toma aqui o sapatão’. Outro dia, um amigo me convidou para ser madrinha do casamento dele. Aceitei, mas avisando que eu iria de camisa. Ele respondeu: “Você fica linda de camisa”. Entrei de braços dados com a irmã dele. Lá do altar, percebi os olhares, claro. Mas era essa mesmo a intenção. Porque esses olhares – uns repressores, outros que renderão uma conversa em casa com as crianças – não me diminuem. Pelo contrário, me sinto engrandecida e empoderada.

Cida Pimentel – 59 anos, produtora cultural

Foto: Anderson Fetter, Agência RBS

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Precisa levar em conta que eu sou uma hippie velha. Então, como acredito que a energia das pessoas fica nas roupas, não gosto de brechó. O que eu faço, sim, é reciclar as minhas próprias roupas. Tenho vestidos que uso há 25 anos. Levo em uma costureira ótima, troco a alça, mudo o comprimento e volta para o armário. Tem muita coisa que piora com o tempo. A perna da gente, que não veste mais uma minissaia, por exemplo. Mas o gosto, não. O gosto, a gente refina com o tempo. Algo que eu aprendi, por exemplo, é que é perda de dinheiro comprar roupas de má qualidade. Prefiro hoje, mil vezes, comprar uma peça cara que eu possa usar por anos e depois transformá-la em outras a comprar 10 baratas que vão virar tralha depois de usar duas vezes, se muito. A primeira declaração que a gente faz de si mesmo é a roupa. Então, roupa é importante, sim. Já roupa descartável é burrice.

Patrick Rigon – 33 anos, artista plástico

Foto: Anderson Fetter, Agência RBS

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Meu cabelo é comprido e colorido desde a infância, quando eu pintava com mercúrio para ficar como a Cyndi Lauper. Lá em casa, todos sabiam que a criança era louca (risos). O que se repete desde então é que o preconceito – na época, em forma de bullying – sempre vem mais forte de quem não me conhece. Na minha sala de aula, por exemplo, era tranquilo, mas fora eu era apelidado sempre com o nome da personagem gay ou travesti da novela. Hoje, me divirto um pouco com a confusão de as pessoas me verem e acharem que eu sou uma mulher ou que sou trans, tudo isso por enxergarem uma pessoa de cabelo comprido. Trabalhar eventualmente como modelo tem me propiciado brincar e refletir sobre isso. Por exemplo: já fiz algumas fotos com roupas estilo menina boho. Só que eu jamais usaria aquele tipo de roupa, mesmo se fosse mulher. Se fosse, acho que me vestiria, sei lá, como a Patti Smith.

Carol Anchieta – 37 anos jornalista da RBS TV

Foto: Anderson Fetter, Agência RBS

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Ser quem eu sou – mulher, negra –, e trabalhar com jornalismo já é, de certa forma, um tipo de resistência. A partir disso, tento ser quem eu sou 100% do tempo. Isso automaticamente faz com que eu quebre alguns protocolos em certos ambientes. Às vezes por praticidade, mas também por gosto mesmo. Me vestir com alguns elementos que remetam aos meios com que eu dialogo, por exemplo, é carregar representatividade. Dá um gostinho vestir uma camiseta escrito ‘black’ em uma reunião executiva. Além disso, falar de moda, para mim, também é falar de consumo consciente e sem gênero. Sou voluntária do movimento internacional Fashion Revolution, que leva as pessoas a refletir sobre a origem das suas roupas, e compartilho peças com o meu namorado. Claro que ajuda ambos calçarem 40 e ele ser skatista, então temos o mesmo lifestyle, bem urbano.

Lu Gastal – 46 anos, artesã

Foto: Anderson Fetter, Agência RBS

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Para mim, estilo é você conseguir traduzir a sua história. Como o meu guarda-roupa é bem básico e enxuto, faço isso nos detalhes, nos acessórios. Pode ser algo que eu vista porque é a vibe daquele dia ou, sei lá, um colar pelo qual eu me apaixono e uso uma semana sem parar. Além de acessórios que eu mesmo produzi, procuro usar também o que eu conheço por aí. Nas minhas andanças pelo Brasil, vejo centenas de pessoas com trabalhos artesanais incríveis. Com a cara de cada lugar. Vestir e divulgar alguns deles em redes sociais é quase uma tarefa, uma missão. Por exemplo, estar viajando pelo interior do Piauí e conhecer uma artesã com um trabalho incrível com piaçava, algo que a gente usa por aqui para fazer vassoura! Outra estratégia: quando encontro um trabalho interessante, ofereço uma peça minha e peço: ‘Faz uma intervenção disso aqui?’ Quero carregar isso em mim.

CRÉDITOS
Direção: Caue Fonseca
Fotos: Anderson Fetter
Maquiagem: Daniela Rita (Lu Gastal e Nanni Rios) e Mariana Freitas – RhedCo (Carol Anchieta, Cida Pimental e Patrick Rigon)
Cabelo: Daniela Rita (Lu Gastal e Nanni Rios) e Deivid Santos – RhedCo (Carol Anchieta, Cida Pimental e Patrick Rigon)

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