Moda em Milão: a mulher de várias facetas

Veja o que de melhor foi mostrado na semana de moda

A mulher barroca, na visão dos estilistas milaneses
A mulher barroca, na visão dos estilistas milaneses Foto: AFP

Milão – Barroca para Dolce & Gabbana; orgânica, segundo Missoni; masculina, para Trussardi; construtivista, no olhar de Marni e principesca, nas criações de Ferragamo… A mulher imaginada para o próximo inverno por estilistas milaneses no quinto dia de desfiles revela seu caráter versátil, com um estilo multifacetado.

Balcões acolchoados de veludo, lustres e candelabros com guirlandas de rosas e louro… Domenico Dolce e Stefano Gabbana nos convidam à ópera. Ao som de Luciano Pavarotti cantando “O sole mio”, suas rainhas de uma noite desfilam com diademas tipo coroas, travessas douradas nos cabelos e brincos pendentes, com os pés calçados em botinhas amarradas com laços de fitas, e protegidos por meias de renda ou bordadas com fios de ouro.

Usam longas capas ou pelerines bordadas, retomando os motivos dos velhos espelhos dourados do século 18; os vestidos são retos e os tailleurs, ondulantes, confeccionados em veludo preto incrustados de pedrarias; o voile também é muito bordado, sendo usado sobre corpetes de seda com mangas curtas bufantes, calças também bordadas de flores; as saias ‘ballonnées’ são elaboradas em tule com paetês prateados ou consteladas de flores douradas.

Tudo é superlativo. A coleção se inspira na opulência barroca dos Bourbons do tempo do Reino das Duas Sicílias.

Salvatore Ferragamo também optou por um cenário pesado, com lustres de cristal e galerias de espelhos. Amazona, de dia, a mulher Ferragamo se transforma à noite em princesa, com vestidos cintilantes; as saias redondas em chiffon semeadas de ouro evocam a Via Láctea.

Em Missoni, a mulher reata quase que visceralmente com a natureza. As tramas confeccionadas em diferentes materiais (lã, pele, feltro, couro) que compõem suas roupas exprimem todas as nuances de um mundo profundamente orgânico.

Estampas com desenhos concêntricos da copa e de um tronco de árvore ou de terra seca, com motivos de folhagens, galhos, passando pelas superfícies rugosas da cortiça, tudo lembra natureza em suas criações.

As silhuetas são longilíneas nos cardigãs e manteaux compridos, nos vestidos que tomam a forma do corpo, nas pantalonas e nos corpetes em latex de gola alta, até as intermináveis luvas que aprisionam todo o braço e as pelerinas em torno dos ombros; as cores preferidas lembram as tintas outonais (ocre, ferrugem, verde, marrom, cinzento).

As mulheres imaginadas por Umit Benam para a Trussardi são incansáveis viajantes. Desembarcam na pequena estação de Cuzco nos altos planaltos peruvianos com sua bolsa de viagem à mão, sapatos de solas grossas, meias de lã e o chapéu do tipo Pampa, mostrando um estilo muito masculino.

Os cabelos colados na cabeça e presos atrás dão a elas ares de rapazes, com destaque para as três peças de veludo cotelé na cor terra ou listradas em tons de preto.

Vestidos retos com desenhos gráficos, manteaux com cortes precisos…Marni se inspira no construtivismo, para produzir um guarda-roupa ao mesmo tempo rigoroso e original.

Sapatos kabuki de gueixas nos pés, ‘collants’ brancos, olhar escondido por uma longa franja, os manequins usam tailleurs em linhas geométricas realçados por enormes golas de pele e dois bolsos desmesurados, seguindo-se os manteaux tipo capa, os ‘trenchs’ em pele de cobra, e muito brocado.

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