O Brasil está na moda: confira a entrevista exclusiva com o estilista Carlos Miele

Ele fala sobre sua vida, o amor por Florianópolis e o uso de peles em roupas e acessórios

Suas criações são vendidas em mais de 27 países, e a ideia é que cheguem a 40
Suas criações são vendidas em mais de 27 países, e a ideia é que cheguem a 40 Foto: Charles Guerra

Um dos principais estilistas brasileiros, com uma carreira internacional consolidada, esteve em Florianópolis na semana passada para participar do ciclo de palestras do Donna Fashion DC Iguatemi.

Acompanhado da namorada, a paranaense Ana Gequelin, 28 anos, Carlos Miele falou sobre suas promissoras marcas, a M.Officer ?  apontada pela Financial Times Business of Luxury Summit de 2009 como challenger brand do futuro ?  e a grife que leva seu nome. Suas criações são vendidas em mais de 27 países, e a ideia é que cheguem a 40.

Miele é um dos entusiastas da cultura brasileira. Suas coleções sempre têm uma pitada tupiniquim, seja nas cores, nas texturas ou nas modelagens. Atualmente, ele desfila na semana de moda de Nova York e no Rio Fashion Business.

Durante o bate-papo, na sala de desfiles do evento, um grupo fez um protesto pacífico sobre o uso de peles de animais em roupas e acessórios.

Antes da palestra, Miele de uma entrevista à Revista Donna. Entre outros temas, falou sobre o uso de peles. A seguir, leia os principais trechos:

Donna ?  Você acompanhou a polêmica envolvendo a Arezzo, que retirou a coleção Pelemania das lojas. O que você acha disso?

Carlos Miele ? Os animais de cativeiro são criados para esse propósito. Acho que tudo neles tem de ser consumido, até o osso. Não concordo com o uso de peles de animais selvagens. Mas acho essa discussão simples demais. Então, se não podemos usar peles de animais de cativeiro, temos de discutir se podemos continuar comendo peixes e carnes, por exemplo.

Donna ? Apesar da fama, são raros os estilistas e designers brasileiros que fazem sucesso no exterior. Qual o motivo?

Miele ?  O que está na moda lá fora é o nosso país. A logística da moda brasileira ainda é muito complexa porque o produto feito aqui é muito caro. São muitos encargos e impostos. Para exportar, tem de construir uma logística fora do país. Nós pensamos em montar nossa base em Hong Kong, na China, ou em algum outro país da Ásia para nos tornarmos mais competitivos. A moda é um processo de junção de grandes marcas. O Brasil está começando a formar empresas que talvez um dia se interessem pelo mercado lá fora. Mas como o país está economicamente aquecido, é praticamente inviável disputar espaço no exterior, principalmente quando os concorrentes são China e Índia.

Donna ?  Qual o segredo do seu sucesso internacional?

Miele ?  A profissionalização no Brasil inibe o estilista de se arriscar. É tanta técnica e gestão que os sonhos se acabam. Credito meu sucesso ao sonho de testar meus limites e a vontade de levar a cultura brasileira para fora.

Donna ?  Por que não temos muitos estilistas de sucesso nas principais semanas de moda?

Miele ?  Francisco Costa (estilista da Calvin Klein), por exemplo, é um brasileiro supertalentoso que está fazendo o maior sucesso dentro de uma empresa americana. Talvez seja por aí, porque se tornar conhecido lá fora realmente é muito complexo. Você tem de sonhar e querer muito. O que falta são os conglomerados da moda brasileira não pensarem somente nos lucros, mas também nos sonhos dos estilistas. Quando você põe um sonho no papel, financeiramente ele não é muito bonito.

Donna ? Os vestidos da grife Carlos Miele são vistos em corpos de muitas celebridades, como Rihanna, Beyoncé, Jennifer Lopez, entre outras. Você desenha exclusivamente para elas?

Miele ? Não, não desenho nada exclusivo e nem faço vestidos sob encomenda. Eu os empresto e faço ajustes, se necessário, porque muitas das celebridades não têm a medida da modelo de passarela.

Apresento as coleções nas semanas de moda, as pessoas requisitam e eu empresto para editorias de revistas e para as celebridades usarem. Atualmente, consigo atender menos de 10% do que é pedido. A empresa precisa ter uma ação mais proativa, mas ainda somos muito reativos.

Donna ? As semanas de moda nacionais começam mês que vem. Você já sabe o que apresentará no Fashion Business?

Miele ? Estou editando a coleção. Diria que será uma apresentação mais de resort e menos de noite, com cores muito fortes.

Donna ?  Qual sua relação com Florianópolis, especialmente com a Lagoa da Conceição, onde tem casa?

Miele ?  Nasci em São Paulo, mas escolhi Florianópolis para ser minha cidade do coração. Já ensaiei várias vezes vir morar aqui, mas ainda é prematuro porque tem muita coisa acontecendo em outras cidades. A Ilha é incrível, com uma paisagem maravilhosa.

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