O legado de estilo de Tatcher

Thatcher entendeu na essência a importância de misturar cortes masculinos com acessórios femininos

Foto: xx

A ex-primeira ministra Margaret Thatcher, morta na semana passada aos 87 anos, deixa um legado de estilo todo particular, hoje conhecido e difundido como power dressing: trajes clássicos e estruturados, com um toque de sobriedade que foi muito copiado no final dos anos 1980, com a ascensão da mulher a cargos de poder. Apesar da aparência austera e do flerte com o minimalismo masculino, seu conservadorismo jamais permitiu que vestisse calças.

Thatcher entendeu na essência a importância de misturar cortes masculinos com acessórios femininos – e o fez com muita eficácia: jaquetas de ombreiras com blusas de seda, tweed com pérolas, camisas de laço com saias retas, cores fortes e decotes fechados. As bolsas exibidas por Margaret Thatcher eram objeto de desejo e admiração. Uma delas, da grife britânica Asprey, chegou a ser adquirira em um leilão da Christie’s por 25 mil libras. Nas poucas ocasiões em que não contemplava marcas locais no figurino, dava preferência à etiqueta Ferragamo – sempre sóbrias bolsas pretas e sapatos com salto que não ultrapassavam os três centímetros de altura.

Ferragamo, aliás, foi uma das marcas preferidas para a caracterização da atriz Meryl Streep no filme A Dama de Ferro. O filme é uma ótima chance de observar as etapas estéticas da trajetória de Thatcher. Ela tinha predileção por trajes no tom azul safira (a cor do Partido Conservador).

Biógrafos da ex-primeira-ministra relatam que um de seus assessores, o produtor de televisão Gordon Reece, aconselhou-a a abandonar os chapéus e os colares de pérolas. Ela acatou a primeira dica, mas desprezou a segunda. Tinha um motivo nobre: eram presentes do seu marido, Denis Thatcher.

Margaret Thatcher vestia de Jean Muir a peças do magazine Marks&Spencer. Porém, três quartos de seu guarda-roupa levavam uma única assinatura, Aquascutum. Não demorou para que a diretora criativa da marca, Marianne Abrahams, se tornasse sua estilista particular e passasse a criar para ela trajes e blusas de ombros bem marcados.

A rigidez dos ombros era uma das obsessões da ex-primeira-ministra – talvez por ajudar a ilustrar na forma a austeridade da sua política. Em viagens internacionais, procurava sempre usar roupas nas cores da bandeira do país que visitava.

Recentemente, um editorial clicado pelo fotógrafo Terry Richardson para a revista Harper’s Bazaar, apresentou Giorgia May Jagger disfarçada de Thatcher. A armadura de ferro de Armani talvez seja a foto mais ilustrativa e representativa do mandato da dama de ferro.

Mas os trajes da Prada, os trench-coats da Burberry e as blusas de laço de Ralph Lauren também contribuem para compreender o uniforme de Margaret Thatcher, que continua icônico e atual.

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